Crítica | Game of Thrones 4X07: Mockingbird

estrelas 3,5

Lorde Baelish queimaria o reino todo se pudesse ser o rei das cinzas – Lorde Varys

Atenção: Contém spoilers deste episódio e dos anteriores

Qualquer um que esteja familiarizado com os emblemas das famílias de Westeros já podia imaginar sobre o que seria um dos trechos do episódio. Mockingbird, como esperado, nos encaminha para o clímax da temporada, apresentando mais pequenos desenvolvimentos das subtramas do que grandes eventos propriamente ditos. Ainda assim, o capítulo não carece de revelações e ações inesperadas.

Seguindo o final dramático do julgamento de Tyrion, o encontramos novamente em sua cela, desta vez sendo visitado por Jaime. Mais uma vez é deixado claro o afeto de um pelo outro, algo que é relembrado aos espectadores desde o início do ano quatro. A cena serve seu propósito, também, a fim de resolver algumas dúvidas deixadas desde a semana anterior, como a de Jaime ainda ter de largar a guarda-real ou não. Mais importante, a sequência abre caminho para a narrativa do próprio episódio, que nos leva de Jaime, passando por outra cena intimista com Bronn, até chegar a um tocante diálogo com Oberyn.

A definição de quem será o campeão a lutar pelo Lannister é intercalada com cenas que compõem a figura de seu adversário. A montanha, que não é vista desde a segunda temporada, retorna em um trecho mais que ilustrativo de sua sede por sangue. A violência do personagem é reiterada em um diálogo entre Arya e Sandor que nos lembra como o Cão conseguiu suas cicatrizes. Desta forma fica clara uma linha narrativa bem construída dentro do episódio, por mais que ainda exista o encadeamento com outros arcos dramáticos.

Aqui surge um problema de Mockingbird: a sequência de Dragonstone. A conversa entre Melisandre e Lady Selyse aparenta perdida dentre o roteiro do episódio, não acrescentando nada de relevante para sua trama de forma imediata. Sim, volta à tona o desgosto da mãe pela filha e sua devoção ao Senhor da Luz, porém nada que não poderia ser trabalhado em um episódio com mais cenas de Stannis. O trecho soa como um “ocupa-buraco” a fim de completar os 60 minutos exigidos pelo canal.

Ao mesmo tempo temos a cena de Jon Snow e Daenerys que visivelmente abrem o terreno para o clímax da temporada. Através de entrevistas com os showrunners, já foi revelado que presenciaremos uma guerra nesta temporada – ao contrário de Blackwater, contudo, não somos preparados para ela de forma tão óbvia. As cenas na Muralha soam “menores”, mas abrem caminho para grandes acontecimentos. Enquanto que o lado da Mãe dos Dragões deixa o espectador duvidoso de suas capacidades de reinar.

Não poderíamos finalizar esta crítica sem ao menos citar o que dá nome ao episódio. A ação de Littlefinger sedimenta a crueldade do personagem, ao mesmo tempo que gera dúvidas sobre suas motivações. Sabemos o que ele fez ao longo da série, mas o porquê de tais ações não é tão claro. Nestes momentos, as palavras de Varys voltam à memória, compondo a personalidade de Lorde Baelish. Aos poucos assistimos Petyr ocupando um papel de maior destaque dentro de Game of Thrones, ao ponto que sua figura é constantemente vilanizada.

Mockingbird é um típico episódio de desenvolvimento, colocando em movimento a narrativa a fim de construir o clímax dos diversos arcos dramáticos. De King’s Landing à Muralha tivemos um vislumbre do que podemos esperar nos três capítulos finais da temporada. Enquanto isso, despercebidamente pela maioria dos personagens, uma sombra se forma sobre Westeros, uma sombra que irá queimar todo o reino se isso o fizer rei das cinzas.

Ps.: Agora segurem a ansiedade, pois o próximo capítulo será apenas no dia 1º de Junho!

Game of Thrones 4X07: Mockingbird (Idem, EUA – 2014)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss (baseado na obra de George R. R. Martin)
Direção: Alik Sakharov
Roteiro: David Benioff, D.B. Weiss
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Emilia Clarke, Charles Dance, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Rory McCann, Gwendoline Christie.
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.