Crítica | Game of Thrones 4X08: The Mountain and The Viper

estrelas 5

Atenção: Contém spoilers deste episódio e dos anteriores

Com o intervalo de duas semanas entre um episódio e outro, a expectativa criada em cima do julgamento por combate de Tyrion, já praticamente transbordara. Tendo isso em mente, D.B Weiss e David Benioff constroem The Mountain and The Viper em cima da própria ansiedade dos espectadores, pincelando pontos da trama geral de Westeros para nos fazer esperar a chegada do evento principal, colocando até a dúvida se veríamos a luta neste oitavo capítulo, apesar de seu título.

Vale lembrar que teremos, na próxima semana, o episódio-clímax da temporada. Era de se esperar, portanto, que teríamos nesta semana o desenvolvimento dos acontecimentos da Muralha. Vemos o capítulo abrindo com um ataque a Mole’s Town, que funciona para demonstrar toda a selvageria do povo além da Muralha. Ao mesmo tempo temos Jon Snow e seus irmãos da Patrulha da Noite, explicitando através de seus diálogos as condições adversas da guerra iminente. Aqui não temos o anão para montar as defesas algo que já serve, somado ao número de tropas em cada lado, para tirar quase toda esperança do espectador em ver uma vitória para o lado de Snow.

No Eyrie, por sua vez, Littlefinger é interrogado por sua possível participação na morte de Lysa Arryn. Através desta sequência podemos enxergar todo o desenvolvimento de Sansa, que, aos poucos, larga sua ingenuidade de lado, fator que preocupa, mesmo Baelish – não será tão mais fácil manipular a filha mais velha dos Stark. Durante o interrogatório já podemos perceber a precisão da fotografia de Anette Haellmigk, que opta por manter apenas um close no rosto de Sophie Turner, baseando a cena inteiramente em sua atuação, que não deixa a desejar.

Não muito longe, nos Bloody Gates, Arya e Sandor finalmente chegam ao seu destino, somente para descobrirem que a tia da menina acabou de se “suicidar”. Praticamente tirando a ironia do espectador, a Stark começa a rir, já simbolizando sua disposição em relação à morte, que parece segui-la por onde vai. Sua sequência, por mais curta que seja, funcionaria como encerramento para seu arco dramático da temporada, de forma discreta e impactante. Provavelmente, contudo, ainda veremos a garota no último capítulo.

Chegamos, enfim, ao momento esperado – mas antes, um pequeno contratempo em forma de diálogo entre Tyrion e Jaime, que relembram seu primo esmagando besouros. A conversa é uma clara metáfora para a Montanha, que também mata sem ter o porquê, ou até mesmo para o motivo da possível morte do anão, também injusta. Interpretações à parte, é uma cena que cumpre perfeitamente o papel de aumentar ainda mais a expectativa da audiência. Foi criado, porém, um problema: o combate em si deveria ser um dos melhores vistos na série para agradar os espectadores.

Aqui entramos na direção de Alex Graves junto da montagem de Tim Porter, que sabem exatamente o quanto devem mostrar da luta para seu público. As acrobacias de Oberyn, junto das inúmeras tentativas de Gregor em acertá-lo, são intercaladas velozmente pelas reações dos personagens que assistem – Jaime, Cersei, Tywin, Tyrion, vemos a tensão crescente em cada um deles, ao mesmo tempo que a nossa já nos tira o fôlego. A sensação de perigo é palpável, graças ao realismo de toda a sequência garantido pela precisa coreografia. A ira de Martell por Clegane garante ainda mais drama à cena, nos fazendo torcer com maior veemência pelo seu lado. Por fim, temos a sensação de vitória, o alívio, rapidamente tirado de nós, através de planos nada menos que brutais, que, nos poucos instantes finais, chocam completamente qualquer espectador, que chega a esquecer o que aquilo significa para o anão.

The Mountain and The Viper prepara o terreno para o próximo episódio, ao mesmo tempo que, lentamente, constrói a tensão do espectador. Vimos pouco de Oberyn Martell na temporada, mas sua participação e, principalmente seu final, será lembrado nos anos posteriores. É um capítulo conduzido com precisão por Alex Graves, que sabia desde o início como suprir as expectativas geradas.

Game of Thrones 4X08: The Mountain and The Viper (Idem, EUA – 2014)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss (baseado na obra de George R. R. Martin)
Direção: Alex Graves
Roteiro: David Benioff, D.B. Weiss
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Pedro Pascal, Michelle Fairley, Lena Headey, Emilia Clarke, Charles Dance, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Rory McCann.
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.