Crítica | Game of Thrones 4X09: The Watchers on the Wall

estrelas 3

Atenção: Contém spoilers deste episódio e dos anteriores

Como esperado, e já praticamente avisado através dos nomes nos créditos iniciais, o episódio desta semana de Game of Thrones utiliza sua duração reduzida de cinquenta minutos para nos mostrar exclusivamente os eventos na Muralha. Neil Marshall, responsável por Blackwater, retorna à direção na clara tentativa de retratar uma batalha diferente não só em suas condições quanto na própria dinâmica.

Iniciamos o capítulo com uma conversa de Jon e Sam sobre amor e sexo, traçando um paralelo com o grupo de Ygritte cujo tópico de conversação é similar, aproximando a visão dos dois lados do iminente combate. Os paralelismos se expandem quando tratamos do casal Sam/ Gilly e Jon/ Ygritte – tornando ainda mais óbvio que o além-Muralha não é composto apenas de bárbaros saqueadores.

A dor de Sam, contudo, continua devido à falta de esperança tida na sobrevivência de Gilly. O que nos leva à um momento chave do episódio: a conversa com Maester Aemon. A revelação que o homem é, de fato, um Targaryen veio na primeira temporada e esta relembrança pode significar uma possível nova subtrama, especialmente se levarmos em consideração sua paixão na juventude. Aqui, Benioff e Weiss já plantam sementes que podem trazer frutos na temporada seguinte – não acredito que sejam tão diretos e já nos tragam alguma revelação no próximo episódio.

Ao invés de manter as dúvidas de Tarly durante a batalha, o roteiro opta por torna-lo um dos alicerces da inspiração da Patrulha da Noite, juntamente de Snow e Ser Alliser. O aparecimento de Gilly e seu filho finalizam a transformação do Corvo em homem e logo sua coragem já seria colocada à prova. Enfim, iniciamos o combate com o maior fogo que o Norte já viu. As tropas de Mance se mobilizam em ambas as frontes, trazendo a expectativa do espectador ao máximo com a aparição de mamutes e gigantes. O que vemos a partir daqui, contudo, é uma constante quebra de ritmo e pouca criação de uma ameaça efetiva, que acabam por tirar grande parte da tensão do espectador.

A batalha da Muralha se limita a pontos de heroísmo ou barbárie em geral focados no ataque vindo do Sul. Mesmo com toda a magnitude do exército de Rayder, nos é passada a impressão que Castle Black está sendo invadido por um pequeno grupo, em poucos momentos sentimos o clima de guerra passado, por exemplo, em Blackwater. Tal defeito, contudo, não apaga os diversos méritos da equipe, que, mais uma vez consegue trazer cenas de ação noturnas completamente nítidas.

Neil Marshall conduz cada movimento dos atores com precisão, misturando a verossimilhança com o espetáculo organicamente, dando espaço para Katie Welland utilizar planos mais extensos em sua montagem, como é o caso do plano-sequência iniciado com Jon descendo a Castle Black para a luta. Ainda assim temos outras sequências entrecortadas que, pelo trabalho de fotografia de David Franco, ilustram com exatidão a barbaridade do momento, tornando este capítulo, apesar de gigantes, mamutes e foices gigantes, um capítulo incrivelmente realista.

The Watchers on the Wall é um episódio que se perde na divisão de sua narrativa em duas, quebrando grande parte da tensão esperada na batalha. Em poucos momentos sentimos um perigo efetivo para os personagens. Para o clímax da temporada é, definitivamente, regular, por mais que seus defeitos sejam minimizados pelo profissional trabalho da equipe técnica. Neil Marshall, após The Mountain and the Viper, teve o difícil trabalho de nos entregar um clímax tão grandioso quanto Blackwater e acabou falhando.

Game of Thrones 4X09: The Watchers on the Wall (Idem, EUA – 2014)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss
Direção: Neil Marshall
Roteiro: David Benioff, D.B. Weiss (baseado na obra de George R. R. Martin)
Elenco: Kit Harington, John Bradley, Hannah Murray, Rose Leslie, Kristofer Hivju, Peter Vaughan, Owen Teale, Dominic Carter, Mark Stanley, Ben Crompton, Yuriy Kolokolnikov
Duração: 50 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.