Crítica | Game of Thrones 5X01: The Wars to Come

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estrelas 2,5

Atenção: Contém spoilers deste episódio e dos anteriores. Leia a crítica das temporadas anteriores aqui.

The Wars to Come, mais que a grande maioria dos episódios de Game of Thrones conta com uma gigantesca responsabilidade – além de ser um season première, ele precisa dar uma digna continuidade ao inesquecível The Children, capítulo que, por sua vez, fugiu da estrutura básica da série ao trazer eventos de grande repercussão, estendendo o clímax que geralmente ocorria no penúltimo episódio das temporadas. A ansiedade dos fãs em verem a continuidade das lutas de Tyrion, Arya, Daenerys e até mesmo Sansa precisava ser sanada, trazendo um sentimento de que muito podemos esperar para essa quinta temporada.

O capítulo, porém, assume um tom evidente de aftermatch, mostrando-nos as consequências das ações vistas no ano anterior, assume um tom mais calmo e falha primariamente em nos entregar elementos que nos prendam para a semana posterior. Com uma estrutura burocrática o roteiro de Benioff e Weiss, showrunners da série, procuram nos mostrar o máximo possível de personagens em um curto período de tempo e, com isso, acabam dilatando ações e transformando cinquenta e cinco minutos em quase uma totalidade de pura enrolação. Efetivamente quase nada de significativo ocorre e somente presenciamos alguns pontos de real novidade fora do que já vimos anteriormente.

Posso limitar esses momentos naqueles focados em Cersei, Daenerys e Jon Snow. No primeiro, contemplamos a fragilidade dos Lannister após a morte do chefe da família, Tywin. Com um diálogo emblemático, Jaime e sua irmã se preparam para o que está por vir, uma horda de usurpadores que tentarão, certamente, tirar a herança dos dois filhos. O funeral é surpreendentemente curto e enfatiza mais as relações interpessoais como é o costume da série e, desde já, abre caminho para uma possível mudança de postura de Jaime em relação a seu irmão mais novo. Como muitos outros aspectos do episódio, contudo, esse ponto de vista é logo esquecido, na tentativa de mostrar mais lugares e pessoas.

Um ponto bastante nítido nesse problema de construção narrativa é a cena entre Brienne e Podrick, que parece estar presente somente para preencher um buraco. O diálogo entre os dois não oferece nada que já não tenhamos visto na temporada anterior e não desempenha qualquer papel narrativo dentro do capítulo, somente faz uma irônica brincadeira com a disposição da guerreira em relação à sua missão e a proximidade que está de Sansa Stark, que passa praticamente ao lado de carruagem com Littlefinger. Essa, por sua vez, embora vejamos que está mais adepta à política, diferentemente do que vimos nos primeiros anos, também não nos mostra qualquer aspecto novo – a construção de personagem é, naturalmente, importante, mas poderia vir em conjunto de ações mais significativas, especialmente considerando a curta duração da temporada de apenas dez episódios.

Do outro lado do mar estreito o mesmo problema se estende para o foco em Tyrion Lannister, de onde tiramos apenas a importante informação de seu atual paradeiro. O restante do diálogo com Varys é, infelizmente, novamente uma repetição do que já escutamos repetidas vezes após Blackwater, na segunda temporada, e a ênfase no personagem aqui em The Wars to Come somente abre caminho para seu novo objetivo: encontrar Daenerys, um twist significativo, obviamente, mas que, mais uma vez, poderia ter sido melhor trabalhado – a impressão que temos é que Varys, de uma hora para outra, mudou seus planos sem mais nem menos.

A Targaryen, por sua vez, consegue retomar nossa atenção com uma crise dupla em seu reinado: os seguidores das antigas tradições e os dragões. Através desse ponto de vista o episódio se firma solidamente como uma reles introdução, como o primeiro capítulo de um gigantesco livro que deve ser resumido em dez episódios de cinquenta e cinco minutos e que, nitidamente, precisará correr para cumprir tal missão. A calma vigente no capítulo, porém, se transforma em pressa em algumas transições, a mais evidente delas é a mudança da sala do trono de Daenerys para seu quarto, que traz um corte brusco, soando como uma edição apressada.

Com isso em mente, fica claro que os verdadeiros pontos chave de The Wars to Come se resumiram aos minutos finais em qualquer um dos pontos de vista apresentados, inclusive o de Jon Snow, que nos mostrou a morte de Mance Rayder. Reparem como o foco em Snow foi conciso, nos mostrando somente o necessário ao mesmo tempo que sua personalidade foi bem abordada – esse, de fato, teria sido um ótimo caminho que o episódio poderia ter seguido, mas preferiu oferecer relances de cada um dos outros elementos do palco.

Como abertura de temporada, portanto, o episódio acerta e falha repetidas vezes. Olhando-se por cima, não traz quase nada de novo e não nos puxa para a imersão necessária de uma série de tal porte. Alguns detalhes aguçam nossa curiosidade, mas nada que poderíamos esperar de Game of Thrones e sua grande responsabilidade de uma das séries mais assistidas de todos os tempos. Não concordam com minhas palavras? Então reflitam: o que os deixou mais curiosos para o que está por vir, a construção narrativa do capítulo ou o sneak peek da semana que vem? Se a resposta for o segundo, então claramente temos um problema.

Game of Thrones 5X01: The Wars to Come (Idem, EUA – 2015)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss
Direção: Michael Slovis
Roteiro: David Benioff, D.B. Weiss (baseado na obra de George R. R. Martin)
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Kit Harington, Michelle Fairley, Lena Headey, Emilia Clarke, Charles Dance, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Rory McCann.
Duração: 55 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.