Crítica | Game of Thrones 5X02: The House of Black and White

estrelas 3

Atenção: Contém spoilers deste episódio e dos anteriores. Leia a crítica das temporadas anteriores aqui.

Após um episódio insosso, Game of Thrones, enfim, nos oferece alguns pontos chave para que possamos, verdadeiramente, ter nossa atenção fisgada, por mais que isso não constitua um melhoramento gigantesco para o ritmo de uma série que conta com apenas dez capítulos. The House of Black and White, se mesclado com elementos de The Wars to Come é, essencialmente, o que o season première deveria ter sido, mas não foi.

Deixar a primeira aparição de Arya para o segundo episódio do ano foi claramente um erro, afinal temos nela um dos maiores pontos de identificação com o público, uma das personagens mais carismáticas com uma subtrama engajante e coesa (sem tantos vai e vem como outras) desde a primeira temporada. Não é a toa que o desenrolar desse lado da narrativa garante o nome do episódio, ainda que pouquíssimo se adiante por esse lado, afinal, só a vimos entrar na chamada House of Black and White (que de preto e branco só tem o portão, por enquanto). A presença de Braavos dentro da série, porém, traz mais que essa enigmática seita de assassinos e sim uma interessante coesão narrativa, ao passo que a cidade também possui o famoso banco a quem a coroa de Westeros deve fortunas. A união desses elementos, outrora espaçados, lentamente vai montando um intrincado quebra-cabeças que parecia completamente desconexo nos primórdios de Game of Thrones.

Pensando por esse lado, infelizmente, a única coisa que efetivamente parece andar é o plano geral da história, já que individualmente ela é composta de importantes acontecimentos perdidos em uma construção eterna de personagens. Não que a ênfase nos pequenos detalhes com possíveis grandes repercussões não seja importante, muito pelo contrário, mas não poderiam adiantar ou utilizar maiores elipses em determinados pontos, como na viagem de Tyrion? Um dos personagens mais fascinantes de George Martin acaba caindo em uma mesmice narrativa, preso a eventos que demoram a se desvelar, a relevância de suas conversas com Varys não se manteria enquanto mais coisa acontece? Ou eles precisam estar parados para dialogarem?

Já em King’s Landing (que detesto chamar de Porto Real, tendo em vista que landing pode significar tanto um atracamento quanto pouso, vide os dragões!) a mobilidade é maior. Temos o início de uma nova jornada para Jaime, o que evidencia o esforço dos roteiristas em garantir uma ainda maior construção desse fascinante personagem e, paralelamente, o reinado de Cersei, que começa já a abertamente, manipular seu filho, se colocando no lugar dele em todas as importantes decisões. Lena Headey, como sempre, suga a atenção do espectador, fazendo-nos entender seu lado por mais repulsiva que a personagem em si possa ser. Ainda que seja somente politicagem (a base de toda a série) vemos aqui avanços ausentes nas outras subtramas.

E quando digo isso refiro-me, inclusive, a Jon Snow, cujo ponto de vista somente nos trouxe sua nomeação para Comandante da Patrulha da Noite. Reitero a postura da série em relação a pontos chave perdido na mesmice narrativa. Em muitos aspectos não vemos o caminhar de uma série de acontecimentos, eles simplesmente aparecem no meio do episódio – a Muralha já está sem um comandante há tempos, por que nenhum diálogo trouxe isso à tona anteriormente? A cena em si da nomeação, com um suspense espertamente deixado para o fim é muito bem construída, com uma tensão pairando sobre o ar, mas por que ela sequer foi mencionada em The Wars to Come? Claramente uma inversão das prioridades dos roteiristas.

Algo similar ocorre em relação ao foco em Daenerys Targaryen. Percebam como seus dragões foram completamente esquecidos – salvo pela cena final, que ainda assim parece ter sido inserida somente para dar um gostinho na boca dos fãs – coloco minha mão no fogo se a aparição surpresa de Drogon causar alguma repercussão no próximo capítulo. Evidentemente a rainha tem sua mente ocupada pelos fanáticos de sua cidade, mas onde está a complexidade narrativa digna de uma série de tal porte? Não conseguem trabalhar duas subtramas ao mesmo tempo? Ou é a personagem que não sabe administrar nem um pouco seu novo governo?

Essa péssima construção fica ainda mais evidente quando levamos em conta Missandei, que passou de conselheira da rainha para uma mera figurante, sem sequer dizer uma palavra em qualquer cena, embora esteja presente nelas. Os diálogos assumem um caráter forçado, ao passo que são reduzidos a apenas duas opiniões contrárias, como uma bifurcação que a personagem deve escolher o caminho certo. Temos aqui uma nítida consequência da gigantesca quantidade de personagens e uma má administração de tempo dos showrunners Benioff e Weiss, que certamente procuram construir um ritmo fluido sem conseguir.

The House of Black and White reitera os aspectos negativos ressaltados na crítica de The Wars to Come. A quinta temporada ainda não encontrou seu ritmo adequado e já percorreu vinte por cento de seu caminho total. Há uma evidente melhoria em relação ao episódio de abertura, mas nada que faça jus ao status que a série já atingiu. Se a HBO não acelerar teremos um ano completamente insosso que não chega aos pés da qualidade que vemos em outras séries no mercado atualmente.

Game of Thrones 5X02: The House of Black and White (Idem, EUA – 2015)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss
Direção: Michael Slovis
Roteiro: David Benioff, D.B. Weiss (baseado na obra de George R. R. Martin)
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Kit Harington, Michelle Fairley, Lena Headey, Emilia Clarke, Charles Dance, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Rory McCann.
Duração: 55 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.