Crítica | Game of Thrones 5X04: Sons of the Harpy

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estrelas 4,5

Spoilers

A quinta temporada volta a oferecer o que garantiu tanto sucesso a Game of Thrones. Embora ainda tenhamos evidentes pontos de lentidão, que tanto marcaram o principio desse ano, a série atingiu um ritmo ideal, sabendo deixar de lado alguns personagens enquanto traz maiores progressões para algumas subtramas. Sons of the Harpy, também dirigido por Mark Mylod – que encabeçou o capítulo anterior – é o primeiro da temporada a não ser escrito pelos showrunners Benioff e Weiss e a mudança na tonalidade da linguagem é evidente.

Iniciamos onde fomos deixados na semana anterior, Jorah tenta levar Tyrion até a rainha e, ao longo dos cinquenta e cinco minutos de duração descobrimos que ele se refere a Daenerys, através de mais um diálogo mais bem humorado por parte do Lannister. Infelizmente, temos nesse foco o ponto baixo do capítulo – já beiramos a metade da temporada e um dos personagens mais fortes da série apenas viajou de um lado para o outro, com poucos avanços significativos em termos de narrativa, muito similar ao que tivemos com Daenerys por boa parte da segunda temporada. O medo, naturalmente, cresce no espectador que espera somente ver isso de Tyrion durante todo o ano.

As viagens, porém, não param por aí e logo em seguida somos oferecidos cenas focadas em Jaime e Bronn, essas, porém, trazem melhorias nítidas para o ritmo do capítulo ao explorar a relação dos dois personagens e trazer à tona a amargura do Lannister em relação a seu irmão pelo assassinato de seu pai. Nikolaj, a esse ponto perfeitamente encarnando Jaime, consegue nos passar todo o ressentimento e arrependimento por ter confiado no irmão. Percebam como, também, a travessia do mar é curta e logo já estamos em Dorne, denotando uma aceleração narrativa ausente na subtrama de Tyrion.

Através de uma montagem coesa que evita a fragmentação excessiva, o capítulo já passa para Ellaria, não muito longe dali. A missão de Jaime, então, ganha um diferente escopo, se torna uma corrida contra o tempo que pode, sob diversos aspectos, iniciar uma guerra, abrindo possibilidade para um intrincado season finale com combates em diferentes frontes. Ao mesmo tempo é notável como, através de uma curta sequência, o roteiro de Dave Hill – que até então fora somente assistente de roteirista – consegue melhorar o ritmo da série colocando eventos em movimento sem muitos floreios.

Naturalmente não temos como nos apoiar somente em um encadeamento coeso das cenas e pulamos para o norte de Westeros, onde sutis acontecimentos podem trazer grandes repercussões, especialmente para Jon. Ele assina um documento que permite o envio de tropas à Muralha por Roose Bolton, dessa forma o Lord Commander se cerca de inimigos de sua família, evidenciando um possível perigo iminente, em construção narrativa similar ao que vimos na terceira temporada, que culminou no casamento vermelho. Resta saber se mais um querido personagem irá ser descartado pelas impiedosas mãos da HBO, naturalmente apoiadas nos livros de George Martin.

Embora o episódio tenha sido repleto de bons momentos, fica fácil identificar aqueles que mais nos trouxeram angústia e engajamento. O primeiro deles, em King’s Landing, traz à série um interessante paralelo à santa Inquisição, investindo de uma vez por todas no fanatismo religioso, já presente desde que Melisandre deu as caras na segunda temporada. Agora, porém, temos um enfoque ainda mais aterrador e, curiosamente, tamanha agressividade vem de um homem que serve os pobres e menos afortunados. Obviamente se trata de uma tentativa de Cersei em manter o poder, mas fica a questão: ela realmente pode controlar o que ela liberou nas ruas da capital? Em paralelo chega a ser triste testemunhar a impotência do novo rei em uma cena importante e bem dirigida, que mostra completamente tudo que há de errado com Westeros.

Voltamos para o outro lado do mar no segundo ponto alto do capítulo e que garante o título Sons of the Harpy. Em um curto enfoque, deixado para o fim, o reinado de Daenerys atinge uma gigantesca barreira. O assassinato de diversos homens de sua tropa certamente trará grandes repercussões no próximo capítulo e, talvez, acabe se unindo com a subtrama dos dragões, afinal, de que outra maneira a Targaryen vai reassumir o controle? Certamente esperamos vê-la de novo no comando e mais próxima de seus objetivos ao fim da temporada, mas, para isso, é preciso sairmos do vai e vem em Meereen, e os eventos dessa semana parecem ter, enfim, colocado sua trama em movimento.

Aqui preciso abrir um parênteses sobre a cena final e a suposta inabilidade dos Unsullied e de Barristan em relação aos Filhos da Harpia. Percebam como a cena é construída – os assassinos, sempre em maior número, pegam as tropas da rainha de surpresa e pouco a pouco mais se juntam ao combate, sempre do lado dos mascarados. Já ouvi comentários sobre por que os Unsullied não montaram uma falange, algo completamente impossível em tal situação, por simples razões: haviam inimigos de todos os lados e um número insuficiente de pessoas para montar a falange, isso sem falar que foram pegos de surpresa, como já dito anteriormente. Barristan, por sua vez, não deixa a desejar e leva praticamente todos os Filhos que combateu antes de cair – vale reiterar que esse não é o mesmo homem que lutou com Ned Stark e sim um senhor, anos mais velho e já fora de prática.

Dito isso, Sons of the Harpy é um episódio que somente os fanáticos pelo livro irão reclamar, mas reitero aqui nesta crítica que adaptação não é o mesmo que transcrição, uma série ou filme não tem a menor obrigação de seguir o material original, apenas de se manter coesa em relação ao que foi apresentado nos episódios e temporadas anteriores. Se algum evento não condiz com a realidade do livro não há o menor problema, para isso existe o livro, para ser lido e apreciado como uma obra a parte e não como um manual de instruções a ser seguido à risca. Se não gostaram porque está diferente do original, simplesmente leiam as páginas de George Martin novamente.

Game of Thrones 5X04: Sons of the Harpy (Idem, EUA – 2015)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Dave Hill
Elenco: Peter DinklageKit Harington, Emilia Clarke, Nikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Jonathan Pryce, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Stephen Dillane, Liam Cunningham,  Rory McCann.
Duração: 55 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.