Crítica | Game of Thrones 5X05: Kill the Boy

got5x05pc

estrelas 3

Spoilers

A quinta temporada de Game of Thrones claramente está tendo dificuldades em estabelecer um ritmo adequado. Já na metade do ano, a série permanece em um vai e vem, sem nos trazer grandes avanços nas diversas subtramas apresentadas, evidentemente consequência da imensa quantidade de personagens, por mais que alguns – vide Bran Stark – tenham sido deixados de lado. Kill the Boy retoma a passada mais lenta dos dois capítulos iniciais e, embora traga eventos de grande importância, não consegue nos passar a impressão de não ser nada além de pura e simples enrolação, especialmente quando um dos personagens mais trabalhados das últimas temporadas sofre uma nítida regressão.

Refiro-me, naturalmente, a Sansa Stark que agora, cercado pelos Boltons, assume uma posição mais que familiar sob a sola de Ramsay. O roteiro de Bryan Cogman procura traçar um paralelo com o falecido Joffrey, mas a referência se torna uma simples cópia, jogando fora o avanço que a garota Stark passou no último ano. De aprendiz de Littlefinger ela volta a sofrer indignidades perante a crueldade de seu futuro esposo, como se os showrunners Benioff e Weiss temessem que a ausência de Joffrey gere uma queda de audiência – claramente eles querem que o espectador odeie alguém, não confiando simplesmente na condução de subtramas mais engajantes. É claro que, ainda nesse lado, temos momentos interessantes, especialmente envolvendo a amante de Ramsay e sua relação com seu pai, mas cairmos de volta no sofrimento de Sansa provoca um sentimento de pouca progressão narrativa. Por que não investir mais na dinâmica dos nortenhos com os Bolton, trazendo mais de Brienne para o centro do palco? Ao invés disso, o show opta por uma trama inchada e exaustiva.

Felizmente nem tudo são percalços nesse caminho para o trono. Iniciando de onde fomos deixados na semana anterior, Daenerys traz uma forte retaliação aos ataques dos Filhos da Harpia no capítulo passado. A morte de Barristan, ainda que prematura e inusitada, afunila os dois lados da subtrama da personagem, unindo os dragões aos outros problemas de seu governo. Infelizmente o roteiro é cauteloso demais e a aparição das criaturas soa como um mero fan-service ao invés de evidenciar um cuidado melhor da Targaryen em relação a seu legado. Ainda assim, um punho forte domina suas proximas ações e temos aqui a primeira fala de Missandei em toda a temporada, personagem que evidentemente fora largada de lado, por mais que tenha desempenhado importante papel no passado, a saída de Barristan talvez signifique uma maior presença da conselheira da rainha.

Já entrando no assunto de fan-service, não muito longe dali Tyrion continua sua eterna jornada ao lado de Jorah e avistam Drogon em alguns poucos planos. A aparição dos stone men e a infecção de Mormont pode criar interessantes repercussões no futuro, mas a curta cena envolvendo o embate com os infectados soa perdida dentro do roteiro e se beneficiaria com uma maior duração, ao mesmo tempo que poderia nos mostrar mais das ruínas de Valyria, trazendo um espetáculo à parte para a série que, portanto, investiria mais na mitologia já apresentada aqui e lá.

O ponto alto de Kill the Boy, contudo, é aquele que dá nome ao episódio. O foco em Jon Snow tem se mostrado um dos lados mais engajantes da temporada e a possível paz que ele deseja instaurar traz gigantescas repercussões para a série, além de finalmente trazer um tom maior de urgência à frase winter is coming. A chegada dos White Walkers aos poucos assume o centro do palco, trazendo uma necessária progressão narrativa para a série – olhando de longe tal subtrama é uma das poucas que demonstra claros sinais de avanço, vejam como a posição de Jon se alterou nos últimos capítulos, nunca permanecendo a mesma. Evidentemente ele está em perigo maior, o que também ajuda na construção da tensão no espectador.

Kill the Boy está longe de ser um bom episódio de Game of Thrones, como a grande maioria das séries da HBO, ela atingiu um alto nível e esperamos sempre ver uma maior qualidade em sua construção narrativa. Ainda assim, o capítulo consegue nos oferecer relances daquela tensão exibida nos primeiros anos do show e movimenta as peças para um explosivo clímax, que, como de costume, deve acontecer no penúltimo episódio. Agora passamos da metade, vamos ver se o ritmo, enfim, se acelera.

Game of Thrones 5X05: Kill the Boy (Idem, EUA – 2015)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss
Direção: Jeremy Podeswa
Roteiro: Bryan Cogman
Elenco: Peter DinklageKit Harington, Emilia Clarke, Nikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Jonathan Pryce, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Stephen Dillane, Liam Cunningham,  Rory McCann.
Duração: 55 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.