Crítica | Game of Thrones 5X06: Unbowed, Unbent, Unbroken

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estrelas 2

Spoilers

A quinta temporada de Game of Thrones nos oferece mais um episódio morno, marcado por alguns notáveis acontecimentos e preenchido pela velha e pura enrolação praticamente onipresente durante todo o ano. Roteirizado por Bryan Cogman, já veterano na série da HBO, Unbowed, Unbent, Unbroken é o primeiro passo da segunda metade do ano, revelando um grave problema que já percebemos nos capítulos anteriores: a ausência de uma progressão narrativa efetiva, o que possivelmente poderá acarretar em algo que um de nossos leitores deixou claro em um comentário – que poderemos simplesmente pular essa temporada, entendendo tudo perfeitamente no previously do sexto ano da série.

Evidentemente os pontos chave citados trazem um avanço em termos de trama, mas uma série deve ser aproveitada pela sua progressão – como chegamos ao casamento vermelho? Ou à morte de Ned Stark? Ou à batalha de King’s Landing? O que ocorre atualmente em Game of Thrones é justamente o contrário, apenas continuamos assistindo por esses relances de eventos significativos e não pelo andar da carruagem em si. Basta pegar Arya Stark como exemplo, desde os capítulos iniciais ela está na mesma situação, passando por um infindável teste na Casa do Preto e Branco e o episódio em questão nos traz novamente isso, para somente no final deixar um cliffhanger que, provavelmente, só sera efetivado daqui a duas semanas.

O mesmo ocorre com Tyrion Lannister, que se mantém na interminável jornada para Daenerys e mesmo sua captura, junto de Jorah não traz a recompensa audiovisual que poderíamos esperar. Naturalmente trata-se de um problema de termos uma quantidade excessiva de personagens e do próprio ritmo do material fonte, mas qual seria o problema de acelerar um pouco? Littlefinger viaja de Winterfell para King’s Landing em apenas um episódio enquanto o anão demora quase a temporada inteira para chegar em lugar algum. A relação entre ele e seu captor, sim, é importante, mas nada que não poderia ser trabalhado com uma maior velocidade, especialmente considerando a curta duração – dez capítulos – da série.

Como dito na crítica de Kill the Boy, a subtrama envolvendo Jon Snow é a única com uma progressão digna de nota, mas mesmo ele foi deixado de fora de Unbowed, Unbent, Unbroken para o desagrado dos espectadores. O que seria de se esperar, obviamente, é um foco maior em Dorne, mas mesmo isso não ocorre – as consequências do curto embate ocorrido são deixados para depois, característica que marca a temporada, como se Benioff e Weiss lutassem para ganhar o tempo para George Martin finalizar seu próximo livro. Seria preferível um hiato maior entre as temporadas, mas é claro que o dinheiro fala mais alto e a qualidade narrativa acaba ficando em segundo plano. Naturalmente é possível que tenhamos uma queda de audiência, mas nada brutal, considerando o status alcançado pela série.

A prova mais marcante dessa pura enrolação é Sansa Stark que desde o episódio passado regredira ao papel de simples sofredora. Alguns vultos de uma forte personalidade adquirida através de sua provação são demonstradas durante a cena do banho, mas tudo cai por terra após o casamento, onde a personagem novamente é vitimizada. Não seria melhor mostrá-la em uma posição de maior força, aguentando sua atual situação com forte compostura? Ramsay evidentemente substitui Joffrey e reitero o que já disse em crítica anteriores: os showrunners pensam que precisam dele para que as audiências tenham alguém para odiar.

Felizmente, em meio a esse desastre constante que marca a temporada, temos o julgamento de Loras Tyrell, uma sequência bem construída que nos deixa com nó no estômago pela submissão do rei à sua mãe. As repercussões, obviamente, são deixadas para depois, mas não podemos deixar de ser fisgados pela cena que mais uma vez traz uma evidente metáfora à Inquisição. Isso, contudo, não é o suficiente para nos tirar do tédio constante que Game of Thrones parece gerar nessas últimas semanas.

A pergunta que fica é: quantos de nós, efetivamente, ansiamos pela semana seguinte para descobrir o que irá ocorrer? Ligamos a televisão no horário preciso porque queremos acompanhar uma ótima série ou apenas por se tratar de uma espécie de ritual semanal? Pessoalmente somente acompanho a temporada para trazer as presentes críticas, como espectador não fui convencido e já teria deixado a série faz alguns episódios. Não se trata de algo terrível, é claro, é muito superior a muita coisa que assistimos por aí, mas não chega aos pés do que ela já foi antes e certamente está muito longe de nos manter engajados. Resta saber se o ritmo, enfim, se adequará nas próximas semanas.

 Game of Thrones 5X06: Unbowed, Unbent, Unbroken (Idem, EUA – 2015)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss
Direção: Jeremy Podeswa
Roteiro: Bryan Cogman
Elenco: Peter DinklageKit Harington, Emilia Clarke, Nikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Jonathan Pryce, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Stephen Dillane, Liam Cunningham,  Rory McCann.
Duração: 55 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.