Crítica | Game of Thrones 5X07: The Gift

got5x07

estrelas 3

Spoilers

O tabuleiro começa, enfim, a ser arrumado, neste sétimo episódio, para o clímax da temporada. The Gift é marcado por uma série de acontecimentos significativos, demonstrando uma sutil aceleração na trama da temporada, ainda que o ritmo já tenha sido perdido, considerando que já estamos à beira de seu término. O quinto ano de Game of Thrones será, sem dúvidas, lembrado apenas pelos seus acontecimentos finais, já que o restante demonstrou ser uma pura perda de tempo, com apenas uma ou outra subtrama se destacando ao ponto de oferecer efetivos avanços em termos de narrativa. O que vemos aqui é uma melhoria, mas não a necessária para se atingir o grau ideal que ofereça um satisfatório retorno para as audiências.

Comecemos, ao menos, pelos pontos positivos. Na Muralha, Jon Snow – que nos traz o melhor enfoque da série por enquanto – sai em sua missão para conseguir a paz com o selvagens. O clima de instabilidade, tanto para ele quanto para seus aliados é evidente, demonstrando que ainda veremos muitos conflitos pela frente, tendo em vista a decisão divisora de águas do comandante. Algo a se notar, que é explorado ao longo do capítulo, é a neve que cai sem piedade sobre a Patrulha da Noite – estará o inverno, enfim, chegando?

O foco, então, não se distancia do norte e já começamos a ver as consequências das decisões de Snow. Um embate entre Sam e outros patrulheiros traz uma interessante aparição, Ghost, o lobo de Jon, finalmente, dá as caras na temporada, após fazer jus a seu nome e simplesmente sumir – talvez uma forma da produção economizar no CGI, ao mesmo tempo que reitera os problemas do roteiro até então, que simplesmente esquecem alguns personagens (ou criaturas) em detrimento de outros. Vale ressaltar que não me refiro a Bran Stark aqui, ele foi sabiamente deixado de lado durante a temporada a fim de: criar uma maior elipse temporal em sua subtrama e desafogar a série que já conta com uma quantidade inacreditável de personagens (alguns simplesmente desnecessários).

Já nos arredores de Meereen, a jornada de Tyrion chega ao fim, ao passo que ele e Jorah encontram a rainha. Percebam como sua captura como escravos foi inteiramente desnecessária, possivelmente um artifício para acelerar essa demasiadamente lenta subtrama. Benioff e Weiss precisavam oferecer algo de significativo aqui e, por fim, reuniram os personagens, trazendo algo para se esperar no próximo capítulo. Vale lembrar que o penúltimo episódio, que geralmente guarda o clímax da temporada, tem como título The Dance of Dragons, então não é arriscado dizer que ele será focado em Daenerys. Resta saber se os showrunners terão a coragem de fazer como na temporada anterior, em The Watchers on the Wall, focando exclusivamente nesse ponto.

Em King’s Landing a situação se complica para Cersei, que também é acusada, na cena de encerramento do capítulo, pelo Alto Septão de ter cometido crimes contra a fé. É interessante notar como esse acontecimento pode ter gigantescas repercussões nos episódios a seguir. Sem qualquer um para governar (Tommen sequer governa sua própria vida), a capital certamente passará por uma crise, abrindo uma miríade de possibilidades, que vão desde um golpe de Estado (seria interessante, não?) até uma ação violenta pelo rei bastardo. Como dito anteriormente, o final da temporada será lembrado já o que veio antes, totalmente descartado.

Entremos, portanto, nos pontos negativos. A começar pela aparição desnecessária de Jaime no capítulo. O diálogo entre o personagem e sua filha (ou sobrinha, dependendo do ponto de vista) é mal localizado, poderia ter sido deixado para depois ao ser encadeado com uma sequência que realmente ofereça algum avanço em sua subtrama. Um diálogo entre ele e governante de Dorne, por exemplo. Ao invés disso, tivemos uma junção com uma cena meramente expositiva entre Bronn e Tyene Sand, mas que serve para apresentar o famoso veneno que até agora estivera ausente na série.

A mesma enrolação se mantém em Winterfell. Após a polêmica sequência final do capítulo anterior, Sansa se vê novamente em submissão, repleta de marcas pelo corpo e impossibilitada de pedir ajuda a qualquer um. A queda de Theon é novamente reiterada, representando uma nítida estagnação narrativa das subtramas aqui envolvidas. Mesmo Brienne permanece imóvel, claramente sem saber, claramente se inspirando na imobilidade dos roteiristas da série que, também, não sabem o que fazer.

The Gift traz alguns acontecimentos de destaque, mas já parece tarde para salvar essa temporada em que nada acontece. Resta saber se seremos recompensados com três episódios magníficos nas semanas seguintes, algo que faça jus à fama da série. Eu arriscaria dizer que o ritmo irá se acelerar e que pelo menos ficaremos satisfeitos com o que veremos. Há muita coisa interessante a ser mostrada a dúvida que permanece é se os roteiristas irão fazer bom uso do material à sua disposição.

Game of Thrones 5X07: The Gift (Idem, EUA – 2015)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss
Direção: Miguel Sapochnik
Roteiro: David Benioff e D.B. Weiss
Elenco: Peter DinklageKit Harington, Emilia Clarke, Nikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Jonathan Pryce, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Stephen Dillane, Liam Cunningham,  Rory McCann.
Duração: 55 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.