Crítica | Game of Thrones 5X08: Hardhome

estrelas 4,5

Spoilers

À beira do término de sua quinta temporada, Game of Thrones, enfim, mostra sua verdadeira face, nos fazendo lembrar, de uma vez por todas, por que continuamos a assistir a série. Se despindo das constante enrolação que marcou o ano inteiro e oferecendo material que vai além dos livros, Hardhome faz uso de grande parte de seu orçamento para nos trazer algo que parece ter sido tirado direto das páginas de The Walking Dead, a presença de uma legião de mortos-vivos, que no universo criado por George R.R. Martin são conhecidos como os outros. Limitar a pertinência do capítulo somente à subtrama de Jon Snow, contudo, seria um equívoco, já que há alguns outros pontos dignos de nota.

Comecemos com aquela que abre o episódio. Tyrion Lannister e Jorah frente à Mãe dos Dragões, que agora se pergunta por que deve mantê-los vivos. Após sete capítulos que vemos o anão fazendo praticamente nada, sua marcante personalidade, enfim, faz um retorno triunfal e um esperado diálogo que rapidamente se define como um dos melhores da série, preenchido por uma nítida sensação de perigo sendo segurado apenas pela lábia do personagem. Naturalmente Peter Dinklage não deixa a desejar e não só convence Daenerys, como a nós espectador: ele realmente pode ser um poderoso aliado da Targaryen e consegue demonstrar isso nos trazendo alguns sorrisos no rosto. Somos cativados já desde a cena de abertura.

Mas nem tudo são flores para os personagens da série e partimos para King’s Landing, onde Cersei está aprisionada pelo High Sparrow, acusada de uma série de crimes contra a fé (os “valores familiares” e os “bons costumes”?). Lena Headey, mesmo na sarjeta e caracterizada em situações precárias consegue demonstrar todo o poder de sua personagem, suas ameaças não soam vazias, criando uma amargura no espectador que consegue até sentir pena pela criatura que tanto mal já causou (inclusive o próprio). A direção de Miguel Sapochnik, contudo, deixa claro a inconstância do poder nesse universo, o quão frágil ele é, nos trazendo o marcante quadro da personagem tentando beber água do chão – um close que a reduz como a simples humana que ela é, vulnerável e desamparada. O roteiro, que opta por não mostrar a capital fora da escura cela traz um grande acerto, nos colocando nos pés da encarcerada, sem nos deixar ver a luz do dia e o que ocorre sob ela.

Já do outro lado do mar temos as aventuras de Arya Stark que, finalmente, inicia sua trajetória como serva do Deus de Muitas Faces. Ainda não nos trazendo grandes acontecimentos, sua subtrama, ao menos dá início ao trajeto de assassina da personagem, demonstrando como ele irá proceder. Infelizmente, por não avançar muito em questões narrativas, as sequências soam perdidas dentro do capítulo, que, embora esteja muito acima dos outros da temporada, não é ausente de defeitos. O mesmo ocorre com Sansa, que conta com apenas um momento no qual descobre que seus irmãos ainda estão vivos, algo que funcionaria melhor junto de uma sequência mais extensa.

Felizmente Jon Snow está presente para nos fazer esquecer desses deslizes. Vejam como a narrativa aqui se estabelece em ritmo adequado. No mesmo dia que ele chega em Hardhome já consegue convencer grande parte dos selvagens e acaba tendo de se defender contra um ataque dos outros, que culmina em sua fuga de volta para a Muralha. Mais importante, porém, é a forma como alguns pontos são marcados dentro da série. Primeiro temos a confirmação de um vilão (no sentido pleno da palavra), o rei da noite – ele já havia aparecido na temporada anterior, mas não sabíamos, efetivamente, se ele era uma espécie de líder. Segundo a revelação de que aço Valyriano pode ser usado não só para bloquear os ataques das lâminas dos White Walkers, como para matá-los. Em terceiro lugar a efetivação de uma ameaça – todos estão mais cientes que nunca de que o Inverno está chegando. Certamente a melhor sequência do capítulo, ela traz uma ação que faltava durante o restante da temporada, resta saber se os dois episódios finais irão nos trazer uma boa continuidade.

Hardhome é, certamente, o melhor episódio da quinta temporada de Game of Thrones. Não é perfeito, mas consegue genuinamente prender nossa atenção e fisgar novamente nosso interesse pela série. O término do ano se aproxima e, finalmente, somos deixados com boas expectativas para o que está por vir. The Dance of Dragons chega na semana que vem com um título que promete.

Game of Thrones 5X08: Hardhome (Idem, EUA – 2015)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss
Direção: Miguel Sapochnik
Roteiro: David Benioff e D.B. Weiss
Elenco: Peter DinklageKit Harington, Emilia Clarke, Nikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Jonathan Pryce, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Stephen Dillane, Liam Cunningham,  Rory McCann.
Duração: 55 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.