Crítica | Game of Thrones 5X09: The Dance of Dragons

estrelas 2,5

Spoilers

Após um episódio que nos encheu de esperanças – ainda que tardiamente – para um satisfatório término de uma fraquíssima temporada, Game of Thrones consegue acabar com todas as nossas expectativas e volta à qualidade mediana que governou este ano. The Dance of Dragons, nono capítulo da temporada, usualmente onde encontramos o clímax, é marcado pela falta de progressão narrativas, nos trazendo apenas eventos isolados preenchidos pelo não caminhar de uma trama que transborda personagens.

A maior evidência do estático estado que encontramos a história é a cena do retorno de Jon Snow para a Muralha. Apenas uma curtíssima sequência dá continuação aos marcantes eventos da semana anterior e logo após nada mais vemos do comandante da Patrulha da Noite. Não poderiam simplesmente ter deixado esse vislumbre para o season finale, de forma que viesse acompanhado de algo mais significativo? A sensação deixada é de um eterno suspense que jamais se concretiza e estamos falando de uma das melhores subtramas da temporada em termos de ritmo, se entrarmos em alguns outros personagens o quadro se torna um verdadeiro show de horrores.

E por falar em show de horrores, entremos na subtrama de Stannis Baratheon. Com a semente plantada alguns episódios atrás vemos o fim da princesa Shireen – que fora trabalhada como personagem desde a segunda temporada. A pergunta que permanece é: a série foi longe demais? Certamente um dos momentos que mais paralisou a audiência desde a primeira temporada, talvez rivalizada apenas pela morte de Ned Stark e o casamento vermelho, a morte da criança funciona para simbolizar a completa queda do honrado Stannis, naturalmente catalisada pelo gélido tempo que o cerca, uma loucura que simplesmente não foi construída, apenas jogada nos espectadores. Apenas aqui em The Dance of Dragons percebemos o impacto de sua iminente inevitável derrota, algo que poderia ter sido melhor trabalhado ao longo da temporada, se essa não tivesse investido na pura enrolação.

Abrimos, então a pergunta: não seria Game of Thrones apenas um espetáculo descerebrado disfarçado de um intrincado e inteligente drama? Se Benioff e Weiss precisam se apoiar em chocantes mortes para manter sua fiel audiência, ao invés de uma satisfatória progressão narrativa, não seria esse o caso? Ouso dizer que foi isso o que a série lentamente se tornou, abandonando a interessante politicagem presente nas primeiras temporadas e tendo de trazer uma quantidade mínima de sangue.

E o auge desse espetáculo é a sequência final envolvendo Daenerys Targaryen, certamente uma das mais esperadas pelos fãs pela chegada de Drogon para salvar sua “mãe”. A cena é bem construída, trazendo uma nítida tensão com as lutas na arena e a posterior aparição dos praticamente infinitos Filhos da Harpia. Vemos aqui um relance de clímax com a construção crescente da sensação de perigo, podendo significar o fim da querida personagem. Além disso a redenção de Jorah é, enfim, concretizada. A chegada do dragão em si, porém, deixa a desejar. É claro que a intenção era mostrar a fragilidade das criaturas em contraponto com seu poder e a necessidade mútua dele pela Targaryen, mas isso veio a custo de uma efetivação das expectativas da audiência, que esperavam algo mais memorável para este penúltimo capítulo. Se levarmos em conta, então, o realismo, o quadro piora, especialmente observando como a Rainha parece ser imune às lanças dos Filhos da Harpia. O que permanece, no fim, é o puro espetáculo em CGI que não convence.

The Dance of Dragons é a marca definitiva da queda de Game of Thrones, que abriu com uma primeira temporada simplesmente arrebatadora e que, aos poucos foi decaindo em uma constante mesmice marcada por singulares eventos marcantes. Agora sentimos uma dupla falta de Ned Stark – primeiro pelo personagem em si e depois pela ótima história que o acompanhava. Ainda temos um episódio nesta temporada, mas não há mais tempo para ela ser salva, finalizando o ano mais fraco do seriado até então.

Game of Thrones 5X09: The Dance with Dragons (Idem, EUA – 2015)
Showrunner: 
David Benioff e D.B. Weiss
Direção: 
David Nutter
Roteiro: 
David Benioff e D.B. Weiss
Elenco: 
Peter Dinklage, Kit Harington, Emilia Clarke, Nikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Jonathan Pryce, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Stephen Dillane, Liam Cunningham,  Rory McCann.
Duração: 
55 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.