Crítica | Game of Thrones 6X01: The Red Woman

estrelas 1,5

Atenção: contém spoilers. Leia as críticas das demais temporadas, games e livros de Game of Thrones, aqui

A quinta temporada de Game of Thrones foi, indubitavelmente, sua pior. Composta por uma narrativa dilatada, com um excesso de personagens e subtramas que simplesmente pareciam não andar adiante, tivemos um puro e simples desperdício de ano, com poucos acontecimentos que, de fato, chegaram a levar a história adiante de alguma forma e que poderiam ter sido apresentados com uma agilidade muito maior. Era de se esperar, após as críticas negativas, que Benioff e Weiss, showrunners da série, aprendessem algo com seus erros. Aparentemente, contudo, pautaram-se unicamente na indicação ao Emmy e mantiveram a mesma estrutura aqui em The Red Woman, um capítulo que nada mais soa que um filler de cinquenta e quatro minutos torturantes.

Nesse tempo todo, que poderia ter sido muito melhor aproveitado, assistimos as consequências, o fallout, dos eventos vistos no finale da quinta temporada. Vamos de personagem em personagem, assistindo poucos minutos de cada um, como uma espécie de previously prolongado, a fim de nos fazer lembrar onde cada um estava ao término do ano passado. Naturalmente, essa escolha narrativa trouxe uma exagerada dilatação da trama, nos garantindo um amontoado de cenas sem qualquer desenvolvimento – basta pegar o exemplo de Davos, que finaliza o capítulo da mesma forma como iniciara, o rapaz da guarda da noite foi buscar ajuda, não voltou e ficamos com as mãos abanando, esperando algo acontecer em um seriado que passou a sobreviver pelas mortes e cliffhangers.

E já entrando nas mortes não poderia deixar de comentar a banalidade de cada uma delas, fruto, obviamente, da preguiça do roteiro que iniciou uma temporada com um episódio que estaria muito melhor inserido na anterior, visto que tenta (e ainda não consegue) concluir os eventos vistos anteriormente. Todo o trecho em Dorne é uma prova clara disso, deveria ter ocorrido lá atrás, visto que mudou o status quo do reino em questão, podendo usar a atual temporada para explorar as mudanças proporcionadas por tais acontecimentos. O que tivemos foi um adendo, um p.s. do desfecho do arco iniciado com a partida de Jaime de King’s Landing.

De todos os pontos simplesmente perdidos dentro de The Red Woman aquele que mais soa desconexo é justamente o que garante título ao capítulo. A “grande” revelação final não acrescenta absolutamente nada, se confirma teorias dos leitores dos livros isso não importa – livro é livro e adaptação é adaptação, são obras independentes uma da outra e devem se sustentar por conta própria. De fato, o único choque proveniente da mostra da real aparência da feiticeira é que todos esses anos estivemos admirando uma mulher que, na realidade, deve ter visto Aegon de fraldas. Tudo o que tiramos dessa cena é uma verdadeira pena de Stannis Baratheon que, provavelmente, não sabia de tal fato.

Evidentemente toda a ênfase em Melisandre pode significar a volta de Jon Snow, visto que a ressuscitação já fora realizada por outro seguidor do senhor da luz. Entramos, portanto, no mesmo problema da primeira metade da sexta temporada de The Walking Deadque procurou criar um suspense acerca da morte ou não morte de Glenn, uma pura e simples enrolação nos dois lados, tática suja para os produtores ganharem mais dinheiro com a série, prolongando ao máximo cada uma das subtramas e não irei sequer gastar muitas palavras com Daenerys que só vai conseguir voltar para Westeros quando todos os outros reis tiverem morrido de velhice, em um foco narrativo que vai, vem e não leva a lugar algum, criando um ar cíclico através da conexão com a primeira temporada, que acaba soando como uma volta desnecessária às origens da personagem, que cada vez mais a afasta de seu real objetivo.

Felizmente algumas coisas ainda podem ser salvas dessa provação de cinquenta e quatro minutos. O episódio consegue criar uma forte sensação de solidão, nos trazendo a maior parte de suas ambientações ausentes de figurantes, personagens que não aqueles ativos dentro das cenas. Temos a percepção de que os reinos estão vazios, preenchidos apenas por aqueles que lutam por algo e esses combatentes são mostrados praticamente sozinhos, solitários em suas lutas. Aliado a isso, temos a percepção de que o mundo em si está abalado com tudo o que já aconteceu e o silêncio facilmente percebido atua como os famosos cinco minutos de silêncio para Jon de Schrödinger, nas palavras do nosso Luiz Santiago. Naturalmente a quietude pode também representar nosso luto por esse seriado que morre aos poucos, ao menos em qualidade.

The Red Woman mantém o péssimo padrão da quinta temporada de Game of Thrones, nos trazendo uma narrativa dilatada, que nada acrescenta e que pode simplesmente ser pulado, basta assistir o previously do próximo capítulo que seremos poupados dessa tortura, que traz cada um dos personagens em pequenas pontas, sem criar qualquer espaço para desenvolvimento ou até mesmo abrindo caminho para uma atuação digna de nota. Benioff e Weiss precisam, urgentemente, adotar um novo modelo narrativo que traga, ao menos, uma história divertida de se assistir e não apenas acontecimentos isolados e sem propósito aparente. Esperemos que os próximos episódios retomem a qualidade observada nos primeiros anos, ou até mesmo do quarto, que considero o melhor até agora.

Game of Thrones 6X01: The Red Woman (EUA, 2016)
Showrunner:
David Benioff, D.B. Weiss
Direção: Jeremy Podeswa
Roteiro: David Benioff, D.B. Weiss
Elenco: Peter Dinklage, Nikolaj Coster-Waldau, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington,  Liam Cunningham, Carice van Houten, Natalie Dormer, Natalie Dormer, Indira Varma, Sophie Turner,  Maisie Williams, Conleth Hill, Alfie Allen, Gwendoline Christie, Jonathan Pryce.
Duração: 54 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.