Crítica | Game of Thrones 6X02: Home

estrelas 3

Atenção: contém spoilers. Leia as críticas das demais temporadas, games e livros de Game of Thrones, aqui

Após um fraco início de temporada, Game of Thrones tenta retomar um ritmo menos arrastado com uma série de eventos importantes que moldarão o destino de seus personagens. Curiosamente, quase tudo o que vimos aqui em Home poderia ter sido realizado anteriormente, fosse adotada uma narrativa mais acelerada há alguns capítulos atrás (incluindo os da temporada passada). Ainda assim não é justo julgar o presente pelos erros do passado e Benioff e Weiss parecem querer consertar os deslizes do seriado, ainda que continuem com alguns deles no que vimos esta semana. De toda forma, o que poderia apenas vir no season finale acabou (felizmente) sendo apresentado logo agora.

 O episódio tem início com Bran, cuja história passou por uma elipse temporal ao não ter sido abordada na temporada passada. Seu treinamento como warg continua e descobrimos uma parte de seus poderes, conforme somos levados a uma jornada para o passado. Paralelamente temos os enfoques em Tyrion, Arya, Sansa, Theon, Davos e Cersei dividindo tempo em tela, continuando de onde fomos deixados na semana anterior. Os acontecimentos aqui são de grande repercussão e, de fato, impulsionam a história para a frente – o desfecho da quinta temporada foi concluído em The Red Woman, e o final continua soando perdido dentro da trama, ao passo que nada influenciou ainda. A feiticeira está, sim, abalada pela suposta falha de suas profecias, mas isso é abordado aqui de maneira convincente por Carice van Houten, que demonstra um olhar verdadeiramente desolado.

As passadas que se tornam maior com cada morte de personagem relevante (e alguns inteiramente desnecessários, somente para divertir, vide o soldado da besta e o que estava caluniando a rainha), movendo o seriado para uma direção que aparenta ser encerramento da série daqui a poucas temporadas – segundo os criadores estamos na reta final. Sabiamente Daenerys é deixada de fora aqui, mas sua ausência poderia ter sido acompanhada pela de Tyrion a fim de contribuir não só para a fluidez do capítulo, como de sua coesão. A sequência dos dragões foi, sim, muito bem vinda e somente reforça o que já sabíamos: Peter Dinklage é um dos melhores pontos de Game of Thrones. Dito isso, temos um aprofundamento na mitologia que não soa inteiramente solto dentro da narrativa, visto que o anão está de mãos parcialmente atadas com o sumiço da Targaryen.

Já no norte, Ramsay cada vez mais se molda como um dos principais antagonistas da série, juntamente de Littlefinger, que ainda não deu as caras nessa temporada. Visivelmente enxergamos um conflito se formando, com uma possível invasão a Castle Black. Dessa forma, Benioff e Weiss unem aos poucos linhas narrativas, o que já ocorrera anteriormente, no mesmo lugar, com Stannis na Muralha. Há um certo alívio quando nos livramos de alguns dos focos através de uma mescla, esperemos que isso ocorra novamente em breve, o que certamente irá influenciar positivamente o ritmo da série.

O que realmente tirou o coração do peito dos fãs, contudo, foi o desfecho do capítulo, que já era esperado, mas, como dito anteriormente, não suspeitávamos que aconteceria tão rápido. Jon Snow está de volta. Não sabemos se ele será o mesmo, mas uma incógnita deixada no fim da quinta temporada, ao menos, é resolvida. Como já cansei de dizer, o bastardo de Stark foi um dos personagens mais cuidadosamente construído ao longo dos anos, então seria praticamente inimaginável se livrar dele – não era o caso de Ned ou Rob, por exemplo, que já estavam estabelecidos, não passaram por metamorfoses ao longo do caminho. A cena em si foi muito bem construída, aproveitando-se da fé abalada de Melisandre para ampliar o suspense e dar um toque a mais na ressurreição – fora obra da fé, do “por favor” dito pela mulher ao término de suas preces? Ou seria uma habilidade inata da personagem desde o princípio? Com uma trilha, mais especificamente o tema da feiticeira vermelha, que se intensifica, somos deixados com a respiração presa e a cena atuou como o perfeito clímax para o capítulo, guardando a revelação até o derradeiro fim.

Apesar disso, Home está longe da qualidade que esperamos de Game of Thrones, mas, felizmente, representou uma possível retomada do que a série antes fora. Resta esperar que os eventos aqui ocorridos não sejam desperdiçados nos episódios vindouros. No fim temos, parcialmente, o que o season première deveria ter sido, com um desfecho que, agora sim, conseguiu nos deixar impactados e empolgados pelo  que está por vir.

Game of Thrones 6X02: Home (EUA, 2016)
Showrunner:
David Benioff, D.B. Weiss
Direção: Jeremy Podeswa
Roteiro: Dave Hill
Elenco: Peter Dinklage, Nikolaj Coster-Waldau, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington,  Liam Cunningham, Carice van Houten, Natalie Dormer, Natalie Dormer, Indira Varma, Sophie Turner,  Maisie Williams, Conleth Hill, Alfie Allen, Gwendoline Christie, Jonathan Pryce.
Duração: 51 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.