Crítica | Game of Thrones 6X03: Oathbreaker

estrelas 3

Atenção: contém spoilers. Leia as críticas das demais temporadas, games e livros de Game of Thrones, aqui

Começando imediatamente após o grande, embora previsível, cliffhanger de HomeOathbreaker começa a tornar as coisas mais mornas em Game of Thrones. A imobilidade narrativa do princípio da temporada começa a ganhar velocidade, ao passo que as subtramas se desenrolam – dando continuidade ao primeiro passo dado no episódio anterior. A fluidez ideal – característica de outras temporadas (exceto a quinta) -, porém, ainda não foi atingida, ao passo que os showrunners precisam lidar com dezenas de personagens em uma trama que, ao exemplo de Lost, apenas ganha mais complexidade, sem aparentes soluções. Estamos, naturalmente, no primeiro terço do sexto ano e muito ainda há pela frente, mas certamente será preciso uma maior agilidade futuramente.

Esse pouco desenvolvimento pode muito bem ser exemplificado pelo trecho no qual retornamos a Samwell Tarly, que descobrimos estar a caminho das terras de sua família. A sequência, perdida dentro do episódio, é introdutória, representa um avanço em termos de trama geral, mas assistindo ao capítulo singularmente temos a nítida impressão de estarmos vendo algo que não coubera no season premiere. Trata-se verdadeiramente de uma cena necessária? Ou toda essa questão já poderia ser abordada quando chegassem em seu destino? Devemos problematizar essa possível irrelevância tendo em mente o tempo que outros personagens perdem nesse processo.

Não é o caso, por exemplo, do confronto do rei com o High Sparrow, temos aqui a continuação de algo já estabelecido. A história segue adiante e, felizmente, oferece mais que uma única sequência, mobilizando a narrativa em uma direção definida, criando dúvidas no espectador, mas oferecendo mais a ele que apenas perguntas soltas. O mesmo vale no foco em Jon Snow, ainda que esse seja um dos pontos de maior lentidão da temporada atual. Sua saída no desfecho de Oathbreaker, que garante título ao episódio, representa uma mudança gigantesca para o personagem, que acompanhamos desde a primeira temporada na Muralha, ainda assim não podemos deixar de ficar temerosos em relação a uma possível falta de progressão com uma das figuras de maior destaque de Game of Thrones, especialmente agora que, supostamente, entramos na reta final.

Arya é outro loose end, que soa tão desconexa dos eventos paralelos da série quanto Daenerys (no caso da Mãe dos Dragões essa percepção foi minimizada em virtude da presença de Tyrion e Varys ao seu lado, ou quase). O treinamento da Stark felizmente ganha um novo gás aqui e nossos temores surgidos em The Red Woman foram apagados, resta saber, porém, como esse spin-off vai fazer parte da trama central, como a garota irá se inserir de fato nesse guerra dos tronos, visto que, a cada temporada, ela apenas se distancia dela. Sem assistir ao restante da temporada, naturalmente, não temos como saber e o trecho de Arya aqui apresentou apenas acertos, não se qualificando (longe disso) como um deslize do episódio.

Bran, por outro lado, parece oferecer nada menos que fan-service, um grande, visto que a famosa batalha entre Ned e Arthur Dayne se trata de um dos maiores símbolos que formam a figura do falecido Stark. É evidente que respostas serão mostradas no interior da torre guardada pela kingsguard, mas não há como não sentir como se a narrativa estivesse dilatada – poderíamos ter tido essa resposta logo agora, talvez até como o cliffhanger do capítulo, fugindo  da estrutura que inicia em Jon e termina em Snow, utilizada desde o season premiere. Mais uma vez, resta a nós apenas esperar pelo que há pela frente. Sobre a luta em si, os coreógrafos, como de costume, não erraram a mão, transmitindo uma dose certa de realismo que apenas reafirma o título do guarda real. O ator escolhido para viver o jovem Ned, contudo, poderia contar com uma similaridade maior com Sean Bean além da mesma roupa que usara na primeira temporada –  Robert Aramayo não fora uma escolha tão eficaz assim.

Dito isso, a sexta temporada de Game of Thrones começa a ficar um tanto morna, ainda que esteja longe de como a série era em seu primor. Benioff e Weiss parecem querer levar a história adiante, mas a falta de um material base propriamente dito ainda afeta visivelmente o seriado. Com alguns cliffhangers deixados no ar, não tivemos um final tão explosivo quanto em Home, mas certamente esse foi imprevisível (finalmente!). Resta esperar e torcer para que a aceleração se mantenha e este ano nos traga mais coisas relevantes que não revertendo a situação de alguns personagens.

Game of Thrones 6X03: Oathbreaker (EUA, 2016)
Showrunner:
David Benioff, D.B. Weiss
Direção: Daniel Sackheim
Roteiro: David Benioff e D.B. Weiss
Elenco: Peter Dinklage, Nikolaj Coster-Waldau, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington,  Liam Cunningham, Carice van Houten, Natalie Dormer, Natalie Dormer, Indira Varma, Sophie Turner,  Maisie Williams, Conleth Hill, Alfie Allen, Gwendoline Christie, Jonathan Pryce.
Duração: 56 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.