Crítica | Game of Thrones 6X05: The Door

estrelas 3,5

Atenção: contém spoilers. Leia as críticas das demais temporadas, games e livros de Game of Thrones, aqui.

The Book of the Stranger, episódio da semana anterior de Game of Thrones, conseguiu nos apresentar uma narrativa mais ágil do que vimos nos três primeiros capítulos desta quinta temporada, dando a impressão e deixando esperanças de que a série, enfim, iria fazer jus à sua fama novamente. The Door, contudo, representou mais um banho de água fria, ao passo que voltamos a fórmula que nos traz apenas um choque rodeado por subtramas que simplesmente andam a passos de tartaruga, muitos trechos soltos que praticamente obrigam o espectador a binge-watch o ao invés de assistir semanalmente.

A exibição é iniciada com Sansa costurando um traje, até receber uma carta de Littlefinger que a leva até a Vila da Toupeira. A direção de Jack Bender, já com história na HBO, tendo dirigido episódios de A Família Soprano, não nos apresenta nada fora do comum aqui –  utiliza exclusivamente planos e contra-planos enquadrando quase sempre Brienne junto de Sansa a fim de construir a tensão de Petyr. O foco é a dor de Sansa relembrando as ações de Ramsay contra ela, o infame estupro da temporada anterior ressurge e somos deixados na dúvida se Baelish está efetivamente arrependido ou tudo faz parte de seus planos. O interessante é observar o amadurecimento de Sansa, algo já observado no capítulo anterior.

Em seguida somos levados a Arya em seu treinamento. O uso das silhuetas para compor alguns quadros da luta, aproveitando a pouca luminosidade da sala dá um toque a mais à cena, a câmera sutilmente instável, que não peca pelo excesso de tremedeira que vemos nos filmes de ação modernos, consegue nos deixar a par de toda a movimentação dos personagens, ao mesmo tempo que cria uma sensação de adrenalina em Arya. Então descobrimos um pouco da história dos homens sem face e da cidade de Braavos, recebendo uma segunda chance que nos leva à próxima sequência.

O vulgar teatro de comédia naturalmente funciona a fim de testar Arya através do confronto com seu passado, saber se ela está efetivamente pronta para se tornar uma ninguém. O close no pênis é uma jogada corajosa da HBO, mas tão desnecessária quanto os muitos dos seios que vemos na série – inclusive os dessa mesma cena. A subtrama de Arya, porém, é colocada em pausa após um pequeno questionamento, que mostra a incerteza da personagem. No fim, tudo é deixado para depois, quando poderíamos ter visto mais, ao menos a tentativa de assassinato em si.

Vamos, então, para Bran, o personagem de maior destaque do episódio e que traz um verdadeiro avanço para a trama geral da série. A origem dos caminhantes-brancos é o primeiro dos choques de The Door, deixando o espectador com um verdadeiro frio na espinha. Não sabemos ainda, contudo, o que os transformou no que eles são hoje em dia – muitas respostas ainda virão.

Mais uma ruptura narrativa ocorre conforme somos levados para as Ilhas de Ferro, onde o novo rei (ou rainha) está prestes a ser escolhido. O discurso de Yara constantemente  nos traz o rosto de Theon em quadro, já denotando que ela irá necessitar de seu irmão para apoiá-la. Tudo, naturalmente, vai por água abaixo com a aparição de Euron Greyjoy, que, consigo, traz o vínculo desta subtrama com a de Daenerys, apresentando mais um importante ponto para o capítulo, que nos mostra uma centelha de esperança do retorno da Targaryen para Westeros. A fuga de Theon e sua irmã é deixada em aberto, mais uma coisa a ser continuada no que veremos posteriormente, a dúvida em relação a seu destino é deixada no ar. Mais uma vez a guerra parece se aproximar, dessa vez de um diferente lado do campo de batalha.

O trecho que soa mais desconexo dessa vez pertence a Daenerys, conforme a assistimos descobrir da doença que aflige Jorah, é um momento de revelações, conforme o personagem demonstra seu amor pela rainha, o que preocupa é o possível surgimento de uma nova subtrama, mais um foco que pode deixar a série mais fragmentada do que já é. Por outro lado descobrimos que, dessa vez, o khalasar da Targaryen não a abandona dessa vez, seguindo à em direção a Meereen.

A subtrama de Tyrion é outra que parece perdida no meio do capítulo, trazendo à tona mais uma sacerdotisa vermelha, uma nova Melisandre que, inclusive, fala da mesma maneira e utiliza as mesmas técnicas de persuasão, o conhecimento de fatos, os quais não poderia saber, somente através de uma espécie de magia – até mesmo a trilha musical utiliza a mesma melodia, sutilmente. A tensão é criada pelo ceticismo de Varys e o medo de Tyrion de seu companheiro espantar a feiticeira.

O segundo choque vem então, com a ação impensada de um Bran entediado, que revela sua posição para os caminhantes-brancos. É interessante notar como os outros parecem apenas tomar conhecimento do Stark após esse ser visualizado pelo Rei da Noite – que, posso estar enganado, mas não teria como Bran saber o título desse personagem. A assustadora cena coloca em movimento a subtrama em questão, ao mesmo tempo que a memória de Ned lutando episódios atrás soa esquecida.

Voltamos, então, para a Muralha e as peças do tabuleiro são novamente movimentadas e descobrimos que Davos está, de fato, do lado de Sansa e Jon. O que é deixado no ar é a dúvida de Brienne, leal a Sansa, mas incerta em relação aqueles que a rodeiam. Descobrimos, em seguida, o que a Stark costurava no início do episódio, que leva Jon ainda mais perto de se tornar o novo Eddard Stark. Não há um avanço grande deste lado da história, mas, ao menos sabemos que veremos algo de diferente nas semanas posteriores.

O impactante desfecho, enfim, chega. Memórias imediatas de Hardhome são trazidas, conforme o exército dos mortos se aproxima da árvore que abriga Bran. Há uma forte sensação de claustrofobia na sequência, com uma tensão crescente conforme o Stark permanece em transe, preso no passado. A triste revelação de Hodor ocorre – não acrescenta muito em termos de trama geral, mas com certeza representa um grande choque, o terceiro de The Door, para aqueles que acompanharam a série desde o princípio e finalizamos o capítulo com hold the door na mente.

Esse quinto episódio definitivamente não apresentou a mesma qualidade do anterior, mas certamente está acima do que vimos nos três primeiros. Com um final de tirar lágrimas, The Door já deixou tudo preparado para os personagens realizarem ações verdadeiramente significativas nos capítulos que estão por vir. Resta esperar que essas pontas soltas sejam efetivamente utilizadas e não com pequenos trechos que caminham a passos de tartaruga.

Game of Thrones 6X05: The Door (EUA, 2016)
Showrunner:
David Benioff, D.B. Weiss
Direção: Jack Bender
Roteiro: David Benioff e D.B. Weiss
Elenco: Peter Dinklage, Nikolaj Coster-Waldau, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington, Liam Cunningham, Carice van Houten, Natalie Dormer, Natalie Dormer, Indira Varma, Sophie Turner,  Maisie Williams, Conleth Hill, Alfie Allen, Gwendoline Christie, Jonathan Pryce.
Duração: 54 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.