Crítica | Game of Thrones 6X07: The Broken Man

estrelas 2

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Somente mais três episódios à frente na sexta temporada de Game of Thrones e os passos continuam tão lentos quanto foram desde o início do ano. Não posso deixar de sentir, não somente um grande receio, como uma tristeza ao olhar para trás e lembrar o que o seriado fora no passado, com ações e diálogos que efetivamente acrescentavam em algo e não somente mostras soltas de honra, virilidade, lealdade e etc, que já sabíamos que existiam. É evidente que, sumarizando a temporada como um todo, daqui a alguns capítulos, pincelaremos apenas alguns pontos que verdadeiramente acrescentem para a progressão narrativa e antes que pensem “mas GoT sempre foi assim, lento” permitam-me discordar, ela é sim uma série dramática, não de ação, mas com uma história que sempre caminhava e não somente trazia pequenos inserts de personagens em subtramas excessivamente picotadas – o que vemos agora poderia ser exibido, cada sequência, entre a programação da HBO, cinco minutos de cada foco, ao menos assim chegaríamos a algum lugar mais rapidamente. Gostaria de dizer que se trata apenas de um problema da montagem, mas cometeria uma injustiça.

Basta observar como o roteiro desperdiça momentos preciosos com um diálogo que em nada acrescenta entre o Blackfish e Jaime. Temos completa ciência que o Tully não irá se render e tal cena poderia ser utilizada a fim de nos oferecer um olhar maior sobre o Lannister, que regredira a um lacaio de sua irmã-amante. Palavras vazias é o que recebemos, pura e completa enrolação a fim de postergar o inevitável combate, tiramos a informação de que o castelo conta com provisões para durar dois anos, portanto um cerco prolongado está fora de questão, mas não sentem uma ausência de riqueza narrativa na conversa? Algo que mostre mais do que o raso da personalidade dos dois personagens? Pergunto-me se este é um fator provocado pela falta de George Martin ou se é, como dito antes, apenas truque barato para nos enrolar.

A mesma sensação é tida nas negociações envolvendo Sansa, Jon, Davos e as famílias do Norte. Naturalmente assistimos representações do sim e do não dentre as casas leais aos Stark, mas um roteiro mais conciso aliado de uma montagem mais ágil poderia ter encurtado ditas sequências, adiantando, portanto, a vindoura batalha por Winterfell. Mais notável ainda é como Jon e Sansa soam como crianças grandes dentro da instável política do Norte, ao contrário de Davos. Para não dizer que Snow nada fez, ele convenceu os selvagens a lutarem, mas já não sabíamos que isso ocorreria? Falho em enxergar a necessidade de cena tão prolongada para constatar o óbvio, tudo o que ele disse nós já sabemos e os personagens para qual seu discurso é destinado também sabem – temos, portanto, uma mera repetição do que já fora exibido e repetido antes mais de uma vez, quase como uma tentativa de fazer o espectador não esquecer dos eventos passados.

A exata mesma situação temos na sequência envolvendo Theon e sua irmã, que parece estar presente apenas para suprir a cota de nudez de cada episódio. O que assistimos aqui somente nos traz uma informação efetivamente importante: eles navegam em direção a Meereen, tentando conseguir a aliança de Daenerys antes de seu tio. É praticamente gritante como toda essa questão poderia ter sido revelada e resolvida na chegada dos Ironborn na cidade da rainha dos dragões. Ao invés disso perdemos longos minutos em mais uma cena que apenas repete o que já fora apresentado. Theon é leal à sua irmã e ele é agora um eunuco.

Ora, para não ser completamente injusto (eu tento gostar desta temporada, realmente tento!) o arco em King’s Landing traz momentos de verdadeira relevância. Aprendemos que Margaery apenas finge ter sido tocada pela luz dos Sete e que ainda zela pelo bem-estar de sua família. Em paralelo, o Pardal se demonstra ser uma incógnita tão grande quanto sempre fora – suas palavras contam com um sutil tom de ameaça, não sabemos se ele sabe do fingimento da rainha, se ele a manipulou para se livrar da rainha dos espinhos e se ele é, de fato, um homem de fé ou apenas um manipulador à altura de Littlefinger. Há verdadeira profundidade no personagem e muito devemos à formidável atuação do experiente Jonathan Pryce. Ao mesmo tempo, Cersei cada vez mais isolada, prepara o terreno para o que veremos nos próximos capítulos, que trarão, esperamos, uma resolução para tal arco, que, de uma forma ou de outra, irá moldar o destino de todo o seriado.

Chegamos agora aos dois momentos perdidos dentro de The Broken Man. O primeiro, que abre o episódio, gira em torno de Sandor Clegane, que obviamente está vivo. A importância de sua sobrevivência ainda não sabemos, mas já caminhamos para o fim da temporada, esse era o momento certo para nos mostrar isso? O “suspense”, se é que podemos chamar disso, já durou mais de um ano, por que somente agora? Mais gritante é a necessidade de incluir a velha história do homem que tenta mudar, mas não consegue fugir dos horrores de seu passado – no caso, a violência que sempre o rodeou. Será que isso é realmente necessário aqui? Não poderíamos simplesmente ver ele se aliando a alguma das peças centrais do tabuleiro de Westeros em um momento posterior? O que ganhamos aqui é mais uma fragmentação na narrativa da série, enquanto outros personagens são deixados de lado.

O segundo momento fora de lugar pertence a Arya, que conta com um único trecho dentro do episódio, que nos revela suas intenções de retornar a Westeros. Evidentemente não seria tão fácil assim voltar à sua terra natal, mas não posso deixar de temer um longo enfoque na recuperação da personagem esfaqueada. Evidentemente ela não irá morrer, construíram muito ela em paralelo à toda a história para cometerem esse absurdo, ainda assim o que veremos a seguir permanece uma incógnita, que provavelmente terminará com a Stark em um navio de volta aos sete reinos. O maior problema aqui é causado justamente pelos outros defeitos do capítulo – uma sequência maior em torno da personagem iria conferir maior relevância a seu arco, tirando o caráter de mero insight na vida da menina.

The Broken Man se constitui como um episódio tão ineficaz quanto o anterior e quase a totalidade desta temporada. Marcado por um ritmo demasiadamente lento, que pouco, quase nada, acrescenta, trata-se de um capítulo sem fluidez que nos faz olhar no relógio a cada instante, rezando para que algo de importante aconteça nessa série que, evidentemente, se encontra fora de rumo. Espero, sinceramente, que Game of Thrones seja salva, agora nos minutos finais do segundo tempo, caso contrário teremos mais uma temporada muito aquém do que o seriado já fora antes, uma verdadeira tristeza para aqueles que, como eu, foram cativados pelo mundo criado por George R.R. Martin.

Game of Thrones 6X07: The Broken Man (EUA, 05 de junho de 2016)
Showrunner:
 David Benioff, D.B. Weiss
Direção: Mark Mylod
Roteiro: Bryan Cogman
Elenco: Peter Dinklage, Nikolaj Coster-Waldau, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington, Liam Cunningham, Carice van Houten, Natalie Dormer, Natalie Dormer, Indira Varma, Sophie Turner,  Maisie Williams, Conleth Hill, Alfie Allen, Gwendoline Christie, Jonathan Pryce.
Produtora: HBO
Disponibilidade no Brasil (na data de elaboração da crítica): HBO
Duração: 56 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.