Crítica | Game of Thrones – 6X09: Battle of the Bastards

batalha bastardos

estrelas 4,5

Obs: Contém spoilers. Leia as críticas das demais temporadas, games e livros de Game of Thrones, aqui.

Seguindo o costume de nos trazer o clímax da temporada no penúltimo episódio (ainda que na quinta isso tenha acontecido em Hardhome), Game of Thrones, com o capítulo Battle of the Bastards nos traz o ponto alto deste ano, ainda que conte com pequenos problemas e definitivamente não salve o restante da temporada, que basicamente enrolou o espectador por episódios a fio somente para resolver suas questões no trecho final.

Confesso que, ao início do capítulo, fiquei um tanto temeroso em virtude do início com Daenerys. Acreditava que veríamos apenas Jon, aos moldes do que aconteceu nos dois últimos anos, com a batalha na muralha e a posterior contra os white walkers. O que se sucedeu, contudo, me surpreendeu de forma bastante positiva. O arco dos antigos mestres de Meereen foi encerrado de maneira que sedimentou as intenções da Rainha dos Dragões e, pasmem, foi feito de forma rápida, fluida e sem a costumeira perda de tempo que marcou este ano. Para coroar, Daenerys ainda ganhou uma frota com os navios capturados que somente ganhou mais números com a chegada dos Greyjoy, em uma prova concreta de como elipses podem beneficiar a série significativamente.

Todas as sequências com a Stormborn, porém, representam um artifício muito bem empregado dentro do episódio, funciona a fim de movimentar o arco de Jon Snow, facilitar os cortes que nos adiantam a batalha e, é claro, aumentar o suspense em volta da batalha dos bastardos que dá título ao capítulo. É mais que evidente a estratégia utilizado pelos showrunners, especialmente quando levamos em consideração que os Snow ocupam, sem interrupção, a segunda metade de Battle of the Bastards, retomando, mesmo que não integralmente, o modelo já mencionado anteriormente. Obviamente, interromper a sequência da guerra seria um gigantesco equívoco, destruiria toda a tensão criada nesta que, sem dúvidas, é uma das melhores cenas de batalha da série.

Miguel Sapochnik, responsável também pela direção de Hardhome, ainda que esteja lidando um embate em campo aberto, opta por utilizar planos mais fechados, cria uma forte sensação de claustrofobia que cada vez mais preenche o espectador com angústia e nervosismo. Não sabemos que lado está ganhando, somos jogador dentro do campo de batalha, como se fizéssemos parte dele. Não há um teor épico de batalhas medievais romantizadas, apenas uma crueza assustadora, conforme as planícies formam pilhas de corpos e o rosto de Jon se enche mais de sangue – a guerra revertendo o homem ao seu estado mais primitivo.

O roteiro ainda brinca conosco ao colocar Snow em inúmeras situações que, por muito pouco, quase custam sua vida. Desde a dramática morte do menino Stark até o quase sufocamento de Jon, vemos ele escapar repetidas vezes de flechas, de cavaleiros vindo em sua direção em alguns momentos que soam como se o Senhor da Luz, de fato, estivesse ali presente ao seu lado. Aqui abro um adendo sobre a morte de Rickon. Evidentemente ela não poderia ser evitada, como a própria Sansa já prevera, mas Jon não é nenhum Blackfish, ele não iria somente olhar enquanto alguém que ele ama corre desamparado à sua frente, fazer isso acontecer seria fugir do personagem e isso foi deixado claro no diálogo entre ele e sua irmã. Além disso, nos privaria de uma dramática cena cujo mérito é quase todo da direção de Sapochnik, que chega a nos dar alguma esperança da sobrevivência do garoto.

A previsível chegada de Littlefinger e o exército do Vale não perde sua força em virtude dessa previsibilidade. O que veio antes foi construído de forma a tirar qualquer expectativa de vitória, muito similarmente ao que vimos em As Duas Torres e O Retorno do Rei, ao passo que chega a ser praticamente inevitável não criar esse vínculo mental. Naturalmente a batalha acaba com a chegada dos cavaleiros aliados e o que se segue é apenas um epílogo – nem em um milhão de anos veríamos um cerco a Winterfell. Restava apenas se livrar de Ramsay Bolton e a vingança dos Stark foi bem construída, sendo deixado o final para Sansa, que junto de Theon foi a que mais sofreu nas mãos do psicopata.

Dito isso, o episódio ainda nos deixa com um leve gosto amargo na boca. O crescimento de Jon como comandante não foi explorado em nenhum ponto aqui – nenhuma ordem é dada e mesmo durante a batalha, Snow não comanda seu exército. Ele é utilizado apenas para nos trazer os momentos mais dramáticos, mas nada vemos de seu crescimento como personagem. Mesmo Tormund controla as tropas e o líder ali presente apenas desfere golpe atrás de golpe, como um campeão e não estrategista. Em paralelo temos a presença de Littlefinger, que garante um tom duvidoso à vitória, ao passo que não sabemos se ele tentará usurpar o Norte para si.

Com isso, Battle of the Bastards nos traz um amargo triunfo, preenchido por poréns que certamente definirão o que está por vir em Game of Thrones. Temos aqui o melhor capítulo da temporada, que somente nos deixa ainda mais tristes por não termos assistido o mesmo grau de qualidade naqueles que o precederam. A série da HBO retoma, ainda que momentaneamente, a sua glória e mostra o que pode ser no seu auge, quando não preenchida por pura enrolação. Resta torcer para que o finale seja tão satisfatório quanto o que vimos aqui.

Game of Thrones 6X09: Battle of the Bastards (EUA, 19 de junho de 2016)
Showrunner
: David Benioff, D.B. Weiss
Direção: Miguel Sapochnik
Roteiro: David Benioff, D. B. Weiss
Elenco: Peter Dinklage, Nikolaj Coster-Waldau, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington, Liam Cunningham, Carice van Houten, Natalie Dormer, Natalie Dormer, Indira Varma, Sophie Turner, Maisie Williams, Conleth Hill, Alfie Allen, Gwendoline Christie, Jonathan Pryce
Produtora: HBO
Disponibilidade no Brasil (na data de elaboração da crítica): HBO
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.