Crítica | Game of Thrones – Episódio 1: Iron From Ice

estrelas 4,5

Depois de sucessos como The Walking Dead e The Wolf Among Us, a Telltale Games resolveu apostar em uma marca extremamente forte e com uma base de fãs cada vez maior e mais fanática: Game Of Thrones. Depois de anunciado o acordo, muitos esperaram pelo primeiro episódio dessa nova franquia ansiosamente. Felizmente, a espera valeu a pena.

Baseado inteiramente na série da HBO – e não nos livros de G.R.R.Martin – este primeiro capítulo da nova série da Telltale segue a fórmula do sucesso de games anteriores da desenvolvedora. O point and click permeia toda a pequena jornada de 2 horas, que mais serve de apresentação dos personagens jogáveis e da história a ser desenvolvida nos demais episódios.

Nessa primeira parte, intitulada “Iron from Ice”, somos apresentados a casa Forrester, vassala dos Stark, em meio ao Casamento Vermelho. É bom alertar, antes de tudo, que se trata de um jogo para fãs, cheio de spoilers e referências que qualquer um que tenha caído sem querer no universo de Martin não vai entender e nem aproveitar.

Controlando Garred Tuttle, escudeiro de Lorde Forrester, Ethan Forrester, pequeno príncipe da casa, e Mira Forrester, irmã mais velha de Ethan, passeamos por Westeros e descobrimos toda uma nova dinâmica que é perfeitamente explicada por meio dos diálogos e das ações das personagens, tudo sob controle do jogador. Todas as relações entre os membros da Casa Forrester, assim como os problemas políticos do Norte após o Casamento Vermelho, são colocadas pela Telltale de forma perfeita, combinando com a temática vista em Game Of Thrones.

A própria mecânica do jogo encaixa muitíssimo bem com toda a política do jogo dos tronos. As decisões que devem ser feitas, por menos relevantes que sejam nesse primeiro capítulo, possuem grande peso no desenvolvimento de cada personagem, que cresce em afeto e importância nas complicadas situações apresentadas durante o jogo.

Os diálogos ficam ainda mais interessantes devido às aparições essenciais de personagens da série. Margeary Tyrell, Cersei e Tyrion Lannister, e o cada vez mais odioso Ramsay Snow dão as caras e interagem com os Forrester. A diversidade de cenários também dá ao game uma boa variedade, que promete aumentar nos demais jogos. As Gêmeas e Porto Real alternam o protagonismo com Ironrath, onde residem os Forrester.

Como cada protagonista está um local de Westeros, a maneira como uma decisão poderá interferir na vida dos outros e as diferentes possibilidades passam uma tensão característica de Game Of Thrones, o que demonstra como a Telltale não só acertou na escolha da série da HBO para fazer um jogo, como bolou um enredo interessantíssimo, fazendo um ótimo jogo para fãs, apresentando cuidadosamente novos personagens com profundidade psicológica, do jeito que Martin gostaria.

Os gráficos, não sendo a prioridade da Telltale, continuam fracos, mas dado o modo como o jogo é, são bastante satisfatórios. A expressão dos personagens passa bem o que eles sentem e ainda é possível identificar o sarcasmo de Ramsay, a sobrancelha levantada de Cersei, ou ainda o calculismo de Margeary. Isso somado à dublagem de Lena Headey, Peter Dinklage e companhia, atores da série, confirma o cuidado com o material que temos em mãos.

Desenvolvida em paralelo ao enredo da série, a história que nos é apresentada vale a pena ser experimentada. Cativante do início ao fim – e que fim! –  a promessa para os próximos capítulos é enorme, pois já fica claro que se sabe explorar bem as diversas tramas existentes no complexo mundo de Game Of Thrones. A nova franquia, mesmo com uma única parte, já se tornou a favorita dos fãs, do mesmo modo que ocorreu com The Walking Dead. Graças, felizmente, ao esmero e audácia empregados pela Telltale.

Game Of Thrones –  A Telltale Games Series – Episódio 1: Iron From Ice
Desenvolvedor: Telltale Games
Lançamento: 2 de dezembro de 2014
Gênero: Aventura
Disponível para: PC, PS4, PS3, XBOX 360, XBOX ONE, IOS

ANTHONIO DELBON . . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.