Crítica | Game Of Thrones – Episódio 2: Lost Lords

estrelas 4,5

A qualidade continua. O segundo episódio da série de games da Telltale de Game Of Thrones cumpriu com a expectativa criada após a excelente primeira parte, que mais serviu de introdução à casa Forrester e aos seus problemas em Westeros. E aqui já fica o alerta: essa crítica contém spoilers do primeiro episódio!

Chegou a hora de conhecer os outros membros da família. Nessa continuação jogamos com Rodrik e Asher Forrester, dois dos filhos de Lord Gregor, morto durante o casamento vermelho no episódio passado. Há também a volta de Mira Forrester no núcleo de Porto Real e Gerrard Tuttle, agora já na Muralha.

A grande surpresa, entretanto, fica realmente com o aparecimento de Rodrik, supostamente assassinado logo no início da primeira parte. Não à toa o episódio se chama Lost Lords. Quase morto e completamente cansado e sem forças, é nele que reside a esperança de toda Ironrath, uma vez que seu irmão mais novo foi morto por Ramsay Snow e uma guerra se torna iminente. As decisões políticas em busca de um fio de esperança para manter sua casa minimamente intacta e protegida dão o tom de todo game. Sob pressão, alianças devem ser construídas por meio dos capciosos diálogos propostos e é com essa ideia que a Telltale consegue fazer com que o jogador se sinta na pele dos personagens, andando no limite das questões morais que possuem consequências cada vez mais palpáveis.

Da mesma forma, Mira deve escolher entre servir Margeary ou ajudar sua família, cada vez mais necessitada, deixando o núcleo da capital mais complexo, como prometido anteriormente. Já a participação de Tuttle, na Muralha, se isola um pouco dos problemas dos outros personagens, mas tem seu grau de curiosidade pelos coadjuvantes que aparecem e, principalmente, pela grata aparição de Jon Snow, que até lamenta a morte de seu irmão Robb pelas mãos dos Frey e faz com que o jogador lamente junto, lembrando de toda a tragédia.

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Já Asher promete roubar a cena. Exilado em Essos por ter amado uma garota da família rival dos Forrester, é a ele quem Ironrath recorre na busca por um exército e um homem forte para liderá-lo. Com a companhia de seu tio e sua amiga mercenária Beskha, é por ele que chegaremos, provavelmente, ao contato com o núcleo de Daenerys. De todas as opções, parece ser Asher, de alguma maneira ainda incerta, a que mais pode ajudar os Forrester a se salvar dos desmandos do bastardo de Roose Bolton no Norte. A questão é que, se tratando de Game Of Thrones, o destino dos personagens pode tomar um rumo completamente diferente do que se tem em mente, vide o próprio aparecimento de Rodrik.

Com pouco mais de duas horas de jogo, o segundo episódio de Game Of Thrones mantém e ainda melhora o ritmo e o enredo propostos inicialmente, com personagens novos cheios de personalidade bem definida, em contextos diferentes, rodeados de coadjuvantes que parecem desimportantes e com decisões complicadas a serem tomadas. Tudo se entrelaçando aos poucos. Ou seja: tudo que um fã da série televisiva e dos livros espera.

Game Of Thrones – A Telltale Games Series
Desenvolvedor: Telltale Games
Lançamento: 3 de fevereiro de 2015
Gênero: Aventura interativa
Disponível para: PC, PS4, PS3, XBOX 360, XBOX ONE, IOS

ANTHONIO DELBON . . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.