Crítica | Game Of Thrones – Episódio 3: The Sword In The Darkness

game of The Sword In The Darkness

estrelas 4

O nome desse terceiro episódio já dá o tom do principal acontecimento que vemos ocorrer nessa complexa e interessante história da Casa Forrester. Mas a Telltale soube dosar bem as quatro locações que vemos de Westeros nesse capítulo que é, até agora, o mais fraco da série, em comparação com os excelentes primeiros capítulos.

Se o segundo episódio aumentou as expectativas com a chegada de Rodrik e Asher, o terceiro os coloca praticamente nas mesmas situações de antes, um pouco mais agravadas. Asher, o Forrester exilado em Essos, se vê em um beco sem saída um pouco forçado com seu tio e Beskha, sua companheira de guerra. Tudo para nos levar à um encontro fantástico com Drogon, que faz um inesperado e muitíssimo bem-vindo aparecimento. O problema é que o jogo nos coloca em uma situação aparentemente clássica de salvar um ou outro companheiro, mas não tem a coragem de matar algum deles e deixar na mão do jogador essa escolha que seria realmente decisiva. Afinal, o que esperamos de Game Of Thrones é a morte dos personagens mais queridos!

Já Rodrik tem o maior peso dos personagens até agora. Como líder da Casa Forrester, cada vez mais encurralada na política dos Bolton no Norte, cabe ao jogador se humilhar ou desafiar Gryff Whitehill, um personagem desprezível ao melhor estilo Martiniano que chega em Ironrath para complicar ainda mais um cenário já desesperador. Constantemente sendo lembrado como “Rodrik, o Arruinado”, cada decisão, seja a de salvar o irmão das mãos da casa rival, ou de planejar um ataque a longo termo, acaba tendo maior tensão dramática e gera nesse núcleo a maior qualidade no enredo de toda a obra. Principalmente após a descoberta de um traidor no conselho de Rodrik.

rodrik

A mesma qualidade não é possível de ser vista em Porto Real, onde Mira Forrester se vê no meio do jogo de poder de Tyrion, Cersei e Margeary. O nervosismo de esconder os acontecimentos do episódio passado e a relação com o garoto Tom vem em conjunto com a necessidade de ajudar a própria família. Tal necessidade vem com uma crescente urgência, graças à boa intercalação feita pela Telltale entre Ironrath e a capital. Mas o melhor aqui é “presenciar” o casamento de Joffrey que, sob outro ponto de vista calmamente construído, nos faz esquecer, por pelo menos um momento, do aconteceria ali e do quanto isso poderia ser prejudicial à personagem que planejamos as ações.

Mas o verdadeiro ponto alto ao chegarmos na metade da história é Gared Tuttle, com ressalvas.

De um lado, juramos, ajoelhados na frente da mesma árvore em que Jon e Sam se ajoelharam, nossos votos para servir à Patrulha, em um dos momentos de maior imersão da série. De outro, o problema aparece pela rapidez com que a Telltale nos coloca em uma situação possível de ser prevista: Duncan, tio de Gared, logo chega na Muralha e pede sua ajuda para salvar Ironrath, desafiando o jogador a cumprir ou não seus votos que acabaram de ser feitos. Essa temática de lealdade percorre todo o capítulo, onde vemos uma maior interação com Jon Snow, o que é ótimo, mas também vemos uma tentativa de simular com Cotter e Finn, dois patrulheiros, a amizade conturbada que Jon teve no início com Grenn e Pyp, ainda que com particularidades que podem render frutos em episódios futuros.

O final de cada personagem continua aumentando a expectativa, principalmente em relação à Gared e Asher. As nossas escolhas parecem surtir mais efeito, por enquanto, nos outros dois, Rodrik e Mira. Mas só o tempo – e a Telltale – dirá o quanto do destino de Ironrath está nas mãos dos jogadores. De qualquer modo, a narrativa continua se encaixando no universo da série de tv perfeitamente, colocando o jogo como obrigatório para qualquer fã de Westeros.

Game Of Thrones – A Telltale Games Series
Desenvolvedor: Telltale Games
Lançamento: 25 de março de 2015
Gênero: Aventura interativa
Disponível para: PC, PS4, PS3, XBOX 360, XBOX ONE, IOS

ANTHONIO DELBON . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.