Crítica | Game Of Thrones – Episódio 4: Sons of Winter

estrelas 4,5

Até aqui, o quarto episódio da série da Telltale sobre Game Of Thrones é, sem dúvida, o melhor em termos de história. Avançando cada núcleo em termos importantes, a situação da Casa Forrester se torna cada vez mais complexa e desesperadora, mas com alguns poucos fios de esperança que dão a deixa para os dois últimos e decisivos episódios a serem lançados ainda esse ano. O problema é que o game não flui como deveria devido à algumas escolhas dos desenvolvedores.

Em primeiro lugar, sobre o enredo, o que se vê é uma aceleração aos personagens que ficam fora de Ironrath. Asher finalmente entra em Meereen, Gared Tuttle deixa a Muralha e Mira Forrester busca na diplomacia sair da péssima situação gerada após o casamento de Joffrey. Já dentro de Ironrath, uma pequena reviravolta acontece e novas negociações parecem colocar toda a negociação com os Whitehill e os Bolton sob uma nova perspectiva. Pelos menos até o final desse episódio, quando um cliffhanger realmente assustador deixa o jogador querendo muito mais dessa bem-feita trama até agora.

“Sons of Winter” também contribui para o desenvolvimento de alguns coadjuvantes, como Beskha, companheira de Asher em Essos, e Cotter, parceiro de Gared no Norte. O foco principal, porém, acaba sendo em Rodrik e a sutil política que deve ser posta em prática por ele para não perder mais do que já perdeu em suas terras e em sua família. Sob a sombra de Ramsay Bolton, qualquer decisão parece realmente importar e ser essencial.

Daenerys faz participação especial com o pequeno Viseryon

Um dos problemas, porém, é que caso o jogador escolha determinada opção precipitada que cause a morte de um dos personagens, o jogo volta para a tela de decisões até a “correta” ser escolhida. Felizmente, as tramas da Telltale são ótimas, vide The Walking Dead e A Wolf Among Us, mas essa perda de autonomia em um jogo que preza exatamente tal mecânica é realmente uma pena. Esperava-se um pouco mais da atitude de Heavy Rain nesse sentido, com uma maior gama de opções de

Outra questão é a quantidade de partes de ação que o jogo insiste em colocar. Ficar minutos procurando como sair de uma cela, ou entrar em Meereen na surdina são momentos completamente enfadonhos e desperdícios de tempo, pois o foco, nesse tipo de experiência proposta, claramente não é a ação. Assim, corresponder aos quick-time events não só é chato como ainda tira a imersão da história que ali vinha sido contada. E quando se erra um comando, tem de se esperar todo o desenrolar de determinada cena já vista, apenas para tentar acertar o botão novamente. Tanto a parte stealth quanto os duelos são, na grande maioria dos casos, pobres e dispensáveis.

Os gráficos continuam fracos, mas a ambientação é bem-feita, ainda que a alternância de alguns núcleos não contribua muito para a constante imersão na história. Sair da tensão de Ironrath para o casamento de Tommen em Porto Real é um pouco decepcionante no início, mas nada que os bons personagens que a Telltale nos apresentou não consigam deixar agradável.

Aumenta-se a expectativa para os dois últimos capítulos e a resolução dos Forrester contra Ramsay e companhia.

Game Of Thrones – A Telltale Games Series
Desenvolvedor: Telltale Games
Lançamento: 26 de maio de 2015
Gênero: Aventura interativa
Disponível para: PC, PS4, PS3, XBOX 360, XBOX ONE, IOS

ANTHONIO DELBON . . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.