Crítica | Garota Infernal

estrelas 2

Banal aos extremos, Garota Infernal era para ser uma sátira de sucesso dos filmes de terror, mas naufragou nas intenções. O filme, que traz poucos momentos curiosos e engraçados, tornou-se um veículo para divulgação das curvas de Megan Fox, mostrando que a mesma talvez seja a gostosona do pedaço na América. Regado a sangue e piadas grosseiras, Garota Infernal é um misto de terror e comédia: nele, a garota vivida por Megan morre e renasce, comendo (literalmente) os seus novos parceiros sexuais.

O filme começa sendo narrado por uma presidiária aparentemente louca. Ao fazer um longo flashback, ela nos situa o enredo: Jennifer, uma popular líder-de-torcida sexy (Megan Fox), é sacrificada injustamente pelo líder de uma banda, que faz um pacto com diabo para conseguir lançar um CD. Eles pensavam que ela era virgem, mas erraram. Jennifer acaba sendo possuída por um demônio e acaba tendo que se alimentar de sangue humano, sacrificando garotos para se satisfazer.

O filme foi concebido pela produção de Juno, filme que ganhou a simpatia da crítica e do público por trazer ironia e certa acidez no roteiro: num determinado diálogo, as notícias alegam a presença de um estuprador gay na cidade, o que vai culminar numa intensa busca na Wikipédia sobre a origem do assassino, situação que ridiculariza e satiriza as pessoas que vivem e sabem apenas pesquisar algo pela internet.

Jennifer e sua amiga são os estereótipos deste tipo de película: uma é a loira nerd sem graça, a outra vive a morena estilosa e desejada por todos. A amizade das duas causa frisson e inveja de muitas outras, que fariam de tudo para andar com a devassa Jennifer. Eis a pergunta: você não já viu isso antes? Sim, várias vezes, em diversos filmes.

A música tema lembra a tensa trilha sonora do ótimo Extermínio: há referências aos “clássicos” A Criatura da Destruição (cena do banho no lago) e Evil Dead – A Morte do Demônio (pôster do filme colado na parede do quarto de Jennifer). Amanda Seyfriend vive Needy, a amiga sem graça de Jennifer. O filme faz sugestões de lesbianismo entre as duas em diversos momentos.

Com 102 minutos de duração, Garota Infernal traz a típica simbologia dos filmes de horror: ratos, corvos e sangue. Melhor que as continuações de Todo Mundo em Pânico, poderia ter sido mais irônico e menos sanguinolento.

Garota Infernal (Jennifer´s Body) – EUA /2009.
Direção: Karyn Kusama
Roteiro: Diablo Cody
Elenco: Megan Fox, Amanda Seyfried, Johnny Simmons, Adam Brody, Sal Cortez, Ryan Levine, Juan Riedinger, Colin Askey, Chris Pratt, Juno Ruddell, Kyle Gallner, Josh Emerson, J.K. Simmons, Amy Sedaris, Cynthia Stevenson
Duração: 99 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.