Crítica | Gavião Arqueiro, Vol. 2 – Little Hits

estrelas 5

Com os pés profundamente fincados em seu trabalho bem recebido pela crítica e pelo público em Gavião Arqueiro, Matt Fraction e David Aja escancaram as portas da experimentação e, no Volume 2, fazem um trabalho perfeito, ajudados ainda por Steve Lieber, Jesse Hamm e Francesco Francavilla na arte. Por alguns minutos, folheando o trabalho e vendo Aja dando espaço para outros artistas, temi pelo futuro da revista, mas o resultado faz sentido e é extremamente satisfatório.

Abrindo a experimentação, Fraction e Aja abordam, no primeiro número dessa coletânea (número 6 na continuidade), seis dias na vida do Gavião Arqueiro, começando com a complicada tarefa – junto com Tony Stark – de arrumar a fiarada na aparelhagem de vídeo e de som de Clint Barton. Segue daí uma narrativa não cronológica, de poucas páginas para cada dia, em que vemos Barton lidando com coisas básicas do dia-a-dia, iniciando os trabalhos de maneira leve e muito divertida, sempre com o fenomenal uso de quadros e paineis que caracteriza o trabalho de Aja.

O número seguinte foge da continuidade da narrativa de Fraction, mas por uma razão muito boa: ele seria publicado logo depois que o furacão Sandy destruiu a Costa Leste dos Estados Unidos. Correndo contra o tempo, Fraction adiou o que seria o número 7 normal e criou uma história nova, empregando dois artistas diferentes para trabalhar os desenhos: Steve Lieber e Jesse Hamm. Bipartindo o número em duas metades, uma com Clint Barton ajudando um amigo durante uma visita ao pai e outra com Kate Bishop em uma festa em New Jersey, ele conseguiu não só criar uma dinâmica excelente, como também permitiu que a revista saísse literalmente dias depois do furacão, demonstrando agilidade e inteligência. As duas histórias separadas, claro, tratam, cada uma de um jeito, dos efeitos devastadores da tragédia natural. E Fraction ainda é perspicaz o suficiente para reduzir quase a zero os aspectos “super-heroísticos” da história, para mostrar dramas verdadeiramente humanos.

Depois, Aja volta para a publicação e inicia um arco que provavelmente terá desdobramentos também no próximo volume, envolvendo a ruiva que Clint Barton salvou no Volume 1. Ela volta para a vida do herói em plena mansão dos Vingadores, colocando as mulheres de lá completamente de orelha em pé. Assim, se por um lado vemos Barton tentando lidar com a ruiva fatal, o que envolve o roubo de um inferninho (número 8), do outro vemos a Viúva Negra (antigo caso de Barton), Mockingbird (ex-mulher de Barton) e a Mulher-Aranha (atual caso de Barton) lidando com a situação (número 9). Mas, na abordagem das super-heroínas, não as esperem uniformizadas. Fraction mantém o low profile e aborda a reação de cada uma das mulheres e não de cada uma das super-heroínas. E Aja se diverte ao desenhar roupas civis para cada uma delas que claramente fazem referência aos seus uniformes.

Nesses mesmos números, a trama começa a se complicar e o Gavião Arqueiro passa a ficar na mira de todo o submundo de Nova Iorque, com direito a discurso de ódio do Rei do Crime. Tudo deságua, claro, em sua cabeça sendo posta a prêmio e a entrada, no número seguinte, de um assassino que acaba se envolvendo com Kate Bishop em uma história de origem pintada lindamente por Francesco Francavilla (número 10).

E, por último, mas longe de ser o menos importante – ao contrário, aliás – temos um número inteiro sob o ponto de vista de Lucky, mais conhecido como Pizza Dog, o cão que salva o Gavião Arqueiro no Volume 1 e que o Gavião acaba fazendo de tudo para  salvá-lo também, depois de um atropelamento. Não há diálogos, apenas a percepção canina do que os humanos falam. Tudo funciona com diagramas de associação. Pizza Dog passa por um apartamento e vemos pular logo acima da porta desenhos simples, interligados sobre quem mora lá e outros detalhes. Novamente, Aja está completamente à vontade para experimentar e expandir o conceito de quadrinhos. E olha que a história é 100% dentro da continuidade e não algo bobo e separado apenas para mostrar a habilidade de seus autores.

Ampliando os horizontes do que pode ser uma HQ de super-heróis, Fraction, Aja e os demais artistas desse volume presenteiam seus leitores com um absoluto triunfo da Nona Arte. Que venham mais Clint Barton, Kate Bishop e, especialmente, Pizza Dog!

Gavião Arqueiro, Vol. 2: Little Hits (Hawkeye # 6 a 11) 
Roteiro: Matt Fraction
Arte: David Aja, Steve Lieber, Jesse Hamm, Francesco Francavilla
Cores: Matt Hollingsworth
Editora (nos EUA): Marvel (Dezembro de 2012 a junho de 2013)
Editora (no Brasil): Panini Comics (em publicação)
Páginas: 140

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.