Crítica | Gemma Bovery – A Vida Imita A Arte

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estrelas 3Bem antes de existir o cinema a literatura era a principal responsável por inundar a cabeça de homens e mulheres com aventuras, dramas, suspense e romances. Alguns séculos atrás, não ficava bem para uma mulher se afundar em livros e deixar a vida social de lado, enquanto homens pouco se preocupavam com isso. Sorte que os tempos mudaram e homens podem se entregar ao prazer da leitura tanto quanto as mulheres.

Martin Joubert é um padeiro que possui poucos ou quase nenhum prazer na sua vida pacata e interiorana na França. Porém, tudo muda quando a casa a frente da sua é comprada por um casal de ingleses com o sobrenome Bovery. Martin fica encantado, já que o autor Flaubert passeou por aquela área para escrever o clássico Madame Bovary e, agora, ele passa a observar com extrema curiosidade as idas e vindas do casal, principalmente da Gemma, uma jovem londrina que faz esforço tremendo para se comunicar no idioma local, mas que apresenta a mesma placidez e tédio que a personagem que tanto fascina Martin. Será que há mais similaridades entre as duas além do sobrenome?

Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte tem roteiro baseado em uma graphic novel que narra as desventuras de uma senhora provinciana que está cansada da vida no campo. Tal narrativa é feita através dos olhos de um homem, Martin, que fica fascinado com as semelhanças entre a Madame de Flaubert e sua vizinha. E tal fascínio passa longe de ser algo sexual. Na verdade, Martin está é desfrutando do poder de saber qual será o decorrer da história, ainda que ele não queira que aconteça.

E aqui o olhar da diretora Anne Fontaine faz com que o longa possua essa fluidez cálida e tranquila, transformando por completo a vida desse homem que encontra refúgio em seus heróis literários para fugir da mesmice da vida no campo. O personagem de Martin demonstra que homens podem ser tão sonhadores quanto mulheres, principalmente se tratando de livros. Madame Bovary, mesmo tendo sido escrito por um homem, é um livro mais voltado para o público feminino e aqui existe essa desconstrução de estereótipo, apontando que Martin pode ser tão fascinado pela história quanto sua esposa, por exemplo, ou qualquer outra mulher. E não há nada de lascivo em sua curiosidade para com a vizinha, mas existe sim uma magia de não acreditar que aquilo seja de verdade e, por isso, essa insistência em seguir os passos de Gemma a fim de descobrir se ela cairá nas mesmas armadilhas que a outra Bovary.

Acaba sendo uma jornada bem interessante e que enaltece que romance é para todos.

Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte (Gemma Bovery – FRA 2014)
Direção: Anne Fontaine
Roteiro: Pascal Bonitzer, Anne Fontaine
Elenco: Fabrice Luchini, Gemma Arterton, Jason Flemyng, Isabelle Candelier, Niels Schneider, Mel Raido, Elsa Zylberstein, Pip Torrens, Kacey Mottet Klein, Edith Scob, Phillipe Uchan, Pascale Arbillot, Marie-Bénédicte Roy, Christian Sinniger, Pierre Allogia
Duração: 99 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.