Crítica | Girls – 1ª Temporada

estrelas 4

A série se destaca pela irreverência em tratar de temas que, para alguns, ainda são tabu. No primeiro episódio, Hannah Horvath se apresenta ao espectador como uma garota que está em fase de transição entre a vida de estudante e a vida adulta, o que significa: #desempregada. A partir dessa introdução, é possível contextualizar o universo de Girls.

Jovens mulheres que tem muitas interrogações e nenhuma resposta concreta sobre o que querem, quem são e pra onde estão indo. Não é à toa que a série conquistou a atenção e a devoção de fãs. O sentimento em relação ao programa varia entre extremos, ou o espectador ama ou odeia. Lena Dunham (Hannah) aparece como diretora, escritora e Produtora Executiva da série.

Nesse começo do seriado, o romance gira em torno da relação de amizade e cumplicidade entre Hanna e Marnie, sua colega de apartamento. Ambas estão em relacionamentos que não as satisfaz plenamente. Adam e Hannah tem encontros sexuais bizarros, mas nenhuma intimidade. Charlie e Marnie estão estagnados no cotidiano insosso.

Entre as personagens que compõem o grupo de estrelas de Girls está Jessa, que vai na contracorrente do politicamente correto, e ela se esforça bastante para isso. A outra é Shoshanna, a única que ainda está na faculdade e ainda é virgem. Cada uma tem conflitos internos e personalidades bem definidas e distintas. E esse combo abre infinitas possibilidades para o roteiro e o desenvolvimento dos personagens.

Uma coisa que a série herdou de Sex and The City foi a facilidade com que as cenas de nu e sexo são introduzidas no roteiro escrito para o canal de televisão HBO sem maiores problemas. No entanto, acaba aí o paralelo. Girls foge do glamour e da atmosfera cosmopolita de NY. O poder aquisitivo dos personagens é bem reduzido. As cenas de sexo são bem mais próximas da realidade, muito menos atraente e chegam a ser até mesmo repulsivas em alguns momentos.

Hannah foge dos padrões de protagonista, tanto fisicamente quanto atributos psicológicos. Ela retém muitos aspectos que aparecem em comédias, mas também possuí conflitos bastante provocativos e dramáticos. No segundo episódio, The Vagina Panic, o roteiro abarca os temas como aborto, doenças sexualmente transmissíveis, virgindade e maternidade com um fluxo e uma intensidade que mostram com todas as cores as nuances e diferenças entre as personagens, sem diminuir em momento algum a contrariedade e problemáticas em volta desses temas. A maneira como Hannah aceita conselhos inadvertidamente, seja de quem for, também chama a atenção para o lado da garota não crescida, sem ser ainda dona de si.

Vários momentos constrangedores, humilhantes e desastrosos se tornam desafiadores para cada um dos personagens e se somam no decorrer da temporada. Hannah, em certa altura, diz aos pais que acredita que pode ser a voz da geração dela ou uma voz de uma geração. E é isso exatamente que Girls se tornou a partir dessa temporada de estreia. Uma voz da geração dos jovens de 23 a 27 anos.

Girls 1ª temporada (EUA, 2012)
Direção: Lena Dunham
Roteiro: Lena Dunham
Elenco: Lena Dunham, Allison Williams, Jemima Kirke, Zosia Mamet, Adam Driver, Christopher Abbott
Duração: 30 min. (cada episódio)

GABRIELA MIRANDA . . . Cinéfila inveterada, sigo a estrada de ladrilhos amarelos ao som de Jazz dos anos 20 enquanto escrevo meu caminho entre as estrelas. Com os diálogos de Woody Allen correndo soltos na minha cabeça, me pego debatendo entre gostar mais do estilo trapalhão ou de um tipo canalha de personagem. Acima de tudo, acredito que tenho direito de permanecer com minha opinião. Mas acredite, nada do que eu disser poderá ser usado contra os filmes.