Crítica | Girls – 2ª Temporada

estrelas 4

Nessa segunda etapa de Girls a necessidade de discutir temáticas sociais diminui e o conflito interno das personagens ganha outra tonalidade. O interessante é que o espaço para personagens masculinos se expande. Isso pode muito bem ser explicado pelo fato de que eles fazem parte da neurose feminina e potencializam saltos interessantes na trama. De algum jeito a presença de um Adam stoker e decididamente apaixonado é uma reviravolta, assim como Charlie ter se apoderado de uma auto-confiança inabalável justo quando Marnie perde o rumo.

Todos se expõem de uma maneira bem intensa e de uma forma que surpreende o espectador. Já não há esconderijos para as personalidades deles. Em certo momento, Hanna experimenta uma nova versão de “what if“, dessa vez desbravando como seria a vida junto de uma pessoa organizada e bem de vida. A versão de “felicidade banal” acaba alcançando a protagonista e atropela tudo o que ela achava conhecer sobre si mesma.

Ela vê que é tão clichê quanto toda outra mulher. E essa descoberta de que ela secretamente tem a vontade de viver uma vida sem grandes complicações e ser feliz fica escondida atrás das provocações sarcásticas. Marnie que sempre encarnou o papel de alguém com um plano de vida, com metas e objetivos claros passa de controladora para alguém completamente sem rumo. Ela começa a questionar tudo na vida dela, inclusive sua escolha de carreira e o término com o Charlie.

Para começar, a amizade entre Hanna e Marnie estremece e, com isso, de certa forma elas rompem o relacionamento de confiança e estabilidade que havia entre as duas. E de fato todos os relacionamentos são postos em cheque. Como eles vão lidar com isso é que dá a nuance à trama, porque cada um tem uma maneira de se portar diante das situações de desprezo, humilhação, vingança e impulsos.

Jessa agora está casada e vive em um estado de felicidade constante, mas isso é só um indício da grande rasteira que virá a seguir. Ela é dona de uma personalidade impulsiva e fora dos padrões e quanto mais ela faz esse papel de não se importar com nada e com ninguém, mais ela entrega o quanto ela queria que a felicidade dela fosse de verdade.

O relacionamento de Shoshanna com Ray segue uma vertente paralela nessa história toda, porque eles são os únicos que em vez de se perder estão se achando, um no outro. Mas mais importante do que as situações que ocorrem com as garotas é ver como elas estão sempre passando por constantes mudanças que impactam na maneira de lidar com a vida.

Girls 2ª temporada (EUA, 2013)
Direção: Lena Dunham
Roteiro: Lena Dunham
Elenco: Lena Dunham, Allison Williams, Jemima Kirke, Zosia Mamet, Adam Driver, Christopher Abbott.
Duração: 30 min (cada episódio)

GABRIELA MIRANDA . . . Cinéfila inveterada, sigo a estrada de ladrilhos amarelos ao som de Jazz dos anos 20 enquanto escrevo meu caminho entre as estrelas. Com os diálogos de Woody Allen correndo soltos na minha cabeça, me pego debatendo entre gostar mais do estilo trapalhão ou de um tipo canalha de personagem. Acima de tudo, acredito que tenho direito de permanecer com minha opinião. Mas acredite, nada do que eu disser poderá ser usado contra os filmes.