Crítica | Girls – 3ª Temporada

estrelas 5

Briga de mulher. Clichê?! Não em Girls. As brigas que ocorrem nessa temporada são o ponto de calefação para impulsionar as variáveis que vem por aí. A lavação de roupa suja entre as quatro amigas põe os pingos nos “is” e mostra até onde elas se afastaram uma da outra e da versão inicial delas mesmas, como uma certa forma de catarse grupal. Hanna apostava em ser a voz de uma geração; Marnie era a que tinha tudo planejado e todos os passos orquestrados; Shoshanna era a virgem meiga com gosto excêntrico para penteados; Jessa era a problemática que não aceitava imposições sociais.

Daí pra cá elas reviraram tudo. Hanna passou a trabalhar como redatora em uma empresa publicitária e perde cada vez mais a voz singular como escritora; Marnie está arrasada por ter sido abandonada por Charlie e não conseguir encontrar o emprego certo para os planos dela; Shoshanna se tornou promíscua e faz um malabarismo para tentar conciliar essa nova experiência com a dedicação aos estudos; Jessa passa pela reabilitação e tenta encarar uma vida mais careta.

É claro que isso é apenas um começo. As brigas continuam e vão marcando as transformações na trajetória das personagens. Elas vão brigando até sua destinação no episódio final da temporada, minado por embates.

A irmã de Adam entra em cena trazendo muita irreverência. Talvez para suprir o vácuo deixado por Jessa enquanto ela passa por essa fase de transição. No entanto, a participação efusiva da irmã não consegue engatar e perde fôlego depois de alguns episódios. Nada de potencialmente profundo sai dessa hospede sem limites.

Adam finalmente está conseguindo se erguer como figura sensata e razoável. Em um episódio ele resume o relacionamento dele com Hanna: antes de eles terem se apaixonado ele agia esquisito e explorava coisas mais ousadas sexualmente para poder se distrair do vício da bebida e agora ele só quer ser normal. Mas a questão é, Hanna consegue ser normal?

A briga entre Hanna e a prima serve como pretexto para a protagonista se olhar no espelho e rever suas prioridades, ela quer um futuro concreto com Adam?! Eles estão prontos para um próximo passo no relacionamento?! São perguntas que nem de longe podem ser repondidas depois do último episódio. A briga deles abre espaço para a possibilidade de Hanna aceitar a nova oportunidade de estudar em uma escola de escritores prestigiosa em Iowa.

Marnie perde totalmente a perspectiva e acaba se desenvolvendo um caso com Ray, algo que não leva a maiores repercussões que a briga final entre Marnie e Shosh. Existe uma luz no final do túnel para o sonho de Marnie ser cantora e ela agora arranjou um emprego como assistente em uma galeria, só que tudo pode virar fumaça se depender da namorada do cara com quem Marnie está trabalhando. Tudo por conta da paixão que ela nutre pelo ator/cantor (que trabalha com Adam na peça da Broadway).

Enquanto isso, Jessa está trabalhando para uma artista paralítica que faz um pedido fora dos padrões, o que testa a noção de vida e morte da personagem e dá chance para enfatizar a maneira peculiar como ela lida com questões morais.

Bem longe de onde começaram, as personagens encaram a outra face da moeda quando o assunto é problema. Algumas tiveram sorte no amor por algum tempo, mas todas terminam a temporada com incertezas e muitas possibilidades de novos rumos a seguir. Além disso, Girls atinge uma maturidade estilística da narrativa bem como a direção de Lena, entregando episódios como Two Plane Rides e Flo.

Girls 3ª temporada (EUA, 2014)
Direção: Lena Dunham
Roteiro: Lena Dunham
Elenco: Lena Dunham, Allison Williams, Jemima Kirke, Zosia Mamet, Adam Driver, Christopher Abbott
Duração: 30 min. (cada episódio)

GABRIELA MIRANDA . . . Cinéfila inveterada, sigo a estrada de ladrilhos amarelos ao som de Jazz dos anos 20 enquanto escrevo meu caminho entre as estrelas. Com os diálogos de Woody Allen correndo soltos na minha cabeça, me pego debatendo entre gostar mais do estilo trapalhão ou de um tipo canalha de personagem. Acima de tudo, acredito que tenho direito de permanecer com minha opinião. Mas acredite, nada do que eu disser poderá ser usado contra os filmes.