Crítica | Glee – 5X09: Frenemies

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estrelas 3,5Nunca um hiatus tão longo foi tão necessário para Glee. Após sei lá quanto tempo fora das telas (e com alguns problemas de audiência), o seriado retornou após divulgar diversas novidades sobre o futuro da série, indo desde algumas surpresas sobre o episódio 100 até a mudança de foco que a série irá sofrer em sua metade, tendo como único cenário a cidade de NY.

São notícias que animam, de fato, mas do jeito que Glee está desde o início desta temporada, é preciso deixar de prometer tanto e cumprir logo. Mas como foi dito, este foi um hiatus necessário, dando tempo e espaço para que os roteiristas refletissem sobre o que os episódios deverão mostrar daqui para a frente, uma vez que até agora já vimos episódios fraquíssimos como A Katy or a Gaga ou Puppet Master, apenas para citar exemplos.

O problema de Frenemies é que, ao menos por enquanto, ele nos deixa apenas promessas. Não, o episódio não é nada ruim, e em relação ao que já foi visto até agora, consegue se destacar sem esforço. O problema é que Glee insiste em repetir seus plots sobre uma aparente nova roupagem para mascarar o óbvio: Frenemies é sobre o confronto que nasce entre personagens inicialmente amigos, mas basta mais uma olhada para notar que o episódio é apenas uma variação de Feud, episódio da temporada passada cujo tema era sobre rixas. Ou seja, é Glee sendo Glee sem fazer questão de esconder isto de forma mais sutil.

Entretanto, o que mais interessa é o que o episódio possui a oferecer, e neste sentido, é um dos mais divertidos desta temporada. Comecemos por Tina e Artie, dois personagens que durante estes anos de seriado, foram aproveitados de maneira insatisfatória pelos roteiristas, mas que sempre conseguiam roubar a cena quando recebia algum destaque. Acompanhados por novas e geniais tiradas de Sue Sylvester, os dois amigos rivalizam pela posição de orador oficial para a formatura, e os números musicais que surgiram a partir disto não decepcionaram, destacando a contagiante My Lovin’ (You’re Never Gonna Get It).

Em NY, uma situação parecida também ocorre (porque é assim, se alguém em Ohio se jogar de uma ponte, alguém em NY também se joga): Rachel e Santana, cheias de amores uma pela outra no início do episódio, brigam diante da atitude de Santana em fazer uma audição para substituta de Rachel no musical Funny Girl. Deixando de lado a performance de Santana para Don’t Rain On My Parade (que não me agradou muito, diga-se de passagem, ainda prefiro o classicismo da versão de Rachel), não existe nada mais agradável do que ver Rachel e Santana sendo Rachel e Santana: a primeira volta a ser uma menina mimada, egoísta e paranoica sobre seu futuro e aqueles que, aparentemente, entram em seu caminho, enquanto que a segunda volta a ser aquela bitch pé-no-saco que aprendemos a amar. E o mais curioso é notarmos que, apesar destas características que, inicialmente, a tornariam insuportáveis, amamos as personagens independente de suas negatividades, o que deixa realmente difícil escolher um lado. O confronto entre as duas é intenso, com direito a gritos, tapas e fotos picotadas.

Kurt e Elliott (interpretado por um Adam Lambert cada vez mais divo, lindo, irresistível, gostoso… ok, deixa eu me controlar aqui…), a cada nova aparição juntos, me deixam cada vez mais fascinado e animado ao pensar nos dois como um casal. Impossível negar a química entre Adam Lambert e Chris Colfer, e titia parece saber disso, aproveitando a deixa para dar alfinetadas no ciúme de Blainezzzzzzzz…., um plot que, pelo jeito, terá continuidade quando a falsa diva Queen do Glee Club (vulgo Blaine) se mudar para NY. I Believe In a Thing Called Love foi de arrancar suspiros.

Bom atestar que Glee retornou com um episódio digno para a série, cheio de momentos divertidos, engraçados e esbofeteadores (literalmente), apesar da extrema falta de originalidade. Mas se titia cumprir o que anda prometendo, podemos nos deixar animar cada vez mais com o futuro da série.

Glee – 5X09: Frenemies
Showrunner: Ryan Murphy
Roteiro: Ned Martel
Direção: Bradley Buecker
Elenco: Lea Michele, Naya Rivera, Chris Colfer, Jenna Ushkowtiz, Kevin McHale, Matthew Morrison, Jane Lynch, Chord Overstreet, Darren Criss, Alex Newell, Melissa Benoist, Jacob Artist, Blake Jenner, Becca Tobin, Iqbal Theba, Lauren Potter, Dot-Marie Jones, Peter Facinelli, Adam Lambert
Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.