Crítica | Glee – 5X10: Trio

estrelas 2Desde o anúncio de que Glee, em breve, voltará seu foco apenas para o núcleo que se encontra na cidade de NY, muitos (inclusive este que vos escreve) tem nutrido a esperança de que a série poderá se reencontrar novamente e trilhar por caminhos mais coerentes. E é algo que os roteiristas precisam levar a sério, uma vez que a má qualidade de alguns episódios foram refletidos até mesmo na baixa audiência dos mesmos, o que poderia levar a série, definitivamente, ao fundo do poço.

No episódio anterior, Frenemies, tivemos um bom vislumbre do que Glee já fora anteriormente, com alguns conflitos intensos entre os personagens, um deles mal resolvido, é verdade, mas ainda assim, tivemos um episódio divertido que, ao lado do hilário Previously Unaired Christmas, foi um dos mais agradáveis dessa temporada.

Mas continuidade nunca fui um dos pontos fortes de Glee, e Trio, apesar de também ter sido um episódio divertido (com restrições), nada mais foi do que uma mera encheção de lingüiça, que ao contrário de um plot que será comentado mais adiante, pouco adicionou ao seguimento da série.

Não sei de onde veio a ideia de transformar Blaine, Sam e Tina numa espécie de “trio ternura” engraçadinho, com direito a chiliques de Tina, frases idiotas sendo proferidas por Sam e Blaine fazendo expressão de nojo ao se deparar com o shipp mais WTF dos últimos tempos. Os três até poderiam ter funcionado juntos (Sam e Blaine, que são dois personagens com os quais não simpatizo, funcionam muito bem juntos), mas faltou tato aos roteiristas para conseguir trabalhar este trio de maneira menos forçada, até porque esse ménage à trois em forma de amizade parece ter surgido muito de repente. Não nego que gostei da performance de Jumpin’ Jumpin, mas o que acabou salvado foi a intromissão de Becky nesse trio com suas investidas nada menos que impagáveis.

Em NY, a briga entre Rachel e Santana continua, e desta vez sobre até pra Elliott (o queridinho Adam Lambert), que ao hospedar Rachel em sua casa, acaba servindo de arma para que as duas continuem se atacando. Gostei do início da rivalidade entre as duas, uma vez que além de remeter às temporadas anteriores, os roteiristas capricharam na intensidade dos diálogos, além das ótimas performances de Lea Michele e Naya Rivera, que contribuem de maneira indispensável para tal. Mas neste episódio, a coisa ficou meio rasa, com a banda de Kurt, agora apenas composta por ele, Elliott e Dani (Demi canta neste episódio, glorifiquemos de pé), que fazem uma performance bem agradável de The Happening, música que funciona também como um aviso sobre as oportunidades que Rachel e Santana estão perdendo com esta rivalidade.

Falemos agora da parte do episódio que, de fato, valeu à pena: Wemma ainda existe! Neste ponto, os roteiristas estiveram inspirados, especialmente com Becky flagrando o casal fazendo coisas indevidas no banheiro do colégio. O casal andava bastante sumido e já pouco animava, mas o episódio conseguiu retomar o interesse em ambos diante das tentativas do casal em ter um filho. É um passo importante e essencial para os personagens, uma vez que devido a futura mudança de foco da série, teremos poucos (ou nenhum) vislumbre do casal pelo resto da temporada. Danny’s Song foi extremamente fofa, e foi impossível não abrir um sorriso quando Emma revelou para Will sua gravidez.

Apesar de fraco, Trio não é capaz de tirar a animação para o futuro da série. Há boas performances e bons momentos, mas no geral, é mais um episódio feito para esticar a extensão da série, sem ter muito o que dizer ou acrescentar.

Glee – 5X10: Trio
Showrunner: Ryan Murphy
Roteiro: Rikva Sophia
Direção: Ian Brennan
Elenco: Lea Michele, Naya Rivera, Chris Colfer, Jayma Mays, Kevin McHale, Jenna Ushkowitz, Matthew Morrisson, Jane Lynch, Chord Overstreet, Darren Criss, Alex Newell, Melissa Benoist, Jacob Artist, Blake Jenner, Becca Tobin, Dot-Marie Jones, Demi Lovato, Adam Lambert, Lauren Potter

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.