Crítica | Glee – 5X13: New Directions

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estrelas 4Não sei se é uma simples coincidência ou ironia do destino, mas esta temporada de Glee já nos fez dizer muitos “adeus” para uma temporada só, não acham? Lá no início, a série prestou seu tributo definitivo para o finado Cory Monteith, vítima de overdose. E agora, somos obrigados a encarar a despedida definitiva do New Directions após sua derrota nas Nacionais. Por mais que o cenário do McKinley High estivesse cambaleando desde a temporada anterior, insistindo em repetir fórmulas e plots em cima de personagens sem muita personalidade, vai ser difícil e estranho continuar acompanhando a série sem vermos novamente a sala do coral. Por mais que isto represente o início de um novo processo para a série, que recebe aqui a chance de se reencontrar, é triste saber que não mais veremos aquele local que já funcionou como refúgio, em diversos sentidos, para os personagens da série, um local onde cada um poderia ser o que é de fato, por mais estranhos ou deslocados que pudessem parecer. A sala do coral sempre foi um símbolo do “não sonhe, apenas seja”, e dar adeus a um símbolo como este não foi nada fácil.

Anunciado como a segunda parte do centésimo episódio da série, New Directions funciona ainda melhor se visto isoladamente, uma vez que enquanto o episódio anterior funcionava mais pelo lado nostálgico, este aqui leva a coisa mais adiante, finaliza alguns plots, abre brechas para outros e nos permite encarar o fato inevitável de que o Glee Club, de fato, já não possui mais salvação.

Sem grandes arroubos ou enrolações, Ryan Murphy nos traz um episódio de seguimento bem simples e direto, o que é seu maior acerto. Claro, há algumas tentativas de salvar o clube do esquecimento por parte de Holly e April, mas sem muito sucesso. Por mais que a ideia de espalhar a música pelos corredores do McKinley não tenha seguido em frente (e convenhamos, somente alguém como Holly Hollyday para ter uma ideia dessas), valeu simplesmente pelo número de Party All the Time, que inclusive causa uma certa menção ao episódio Saturday Night Glee-ver da terceira temporada, quando o clube reproduziu apenas músicas de discotecas.

Entretanto, ainda me sinto extremamente intrigado com o destino de alguns personagens. Por mais que Tina não esteja entre as personagens mais queridas da série (me irrita o costume dos roteiristas em trata-la de maneira tão tosca), é difícil imaginar a série seguindo sem a presença constante da nossa Asiática N° 1, que apesar do pouco destaque que recebeu durante seu tempo na série, provou que é tão essencial para a mesma como qualquer outro. Da mesma força, fica difícil imaginar a série sem Becky (que descobrimos se chamar Rebecca) e seus insultos pra lá de ofensivos. O momento em que a guria recebe seu diploma é de marejar os olhos.

Rachel e Santana. Apesar de todos já sabermos que, em algum momento, as duas voltaria a ser amigas novamente (e obviamente, tudo precisa se acertar com uma música), impossível não abrir um sorriso com a interação das duas personagens, que merecidamente, estão entre as mais queridas da série. Be Okay foi de arrancar suspiros.

O momento máximo, entretanto, foi justamente nos momentos finais, com o clube inteiro gravando aquele vídeo para o filho vindouro de Will, cada um relatando o quanto a presença de Schue foi importante e complementar na vida de cada um. E ao performarem Don’t Stop Believing pela enésima vez, nada mais justo do que finalmente permitir que outras vozes completem a música, como Kurt, Artie, Tina e o próprio Will.

Mesmo o new cast, pouco carismático e dispensáveis para a série, teve seu momento no episódio, e por mais que seja fato que a maioria deles não fará falta, nada mais digno do que o episódio fechar o arco dos personagens de maneira conjunta, deixando claro ao espectador que a vida deles seguirá normalmente no McKinley High.

Assim, Glee começa uma nova fase em jornada. Daqui por diante teremos apenas o cenário de NY para acompanhar, e embora isto represente uma decisão acertada em termos de roteiro, sempre teremos conosco a saudade da sala do coral e todas as brigas, intrigas e paixões que já nasceram ali.

Tal qual Will, tudo o que nos resta é curvar-nos para a sala vazia e dizer: obrigado por tudo.

Glee – 5X13: New Directions
Showrunner: Ryan Murphy
Roteiro: Brad Falchuk
Direção: Brad Falchulk
Elenco: Lea Michele, Darren Criss, Naya Rivera, Chris Colfer, Amber Riley, Mark Sailling, Heather Morris, Harry Shum Jr., Jenna Ushkowitz, Kevin McHale, Matthew Morrison, Dianna Agron, Jane Lynch, Chord Overstreet, Alex Newell, Melissa Benoist, Jacob Artist, Blake Jenner, Becca Tobin, Lauren Potter
Duração: 43 min

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.