Crítica | Glee – 5X14: New New York

estrelas 4Ao assistir este New New York, nota-se o objetivo dos roteiristas em trazer uma espécie de novo piloto para Glee. O que não é pra menos: com a mudança definitiva para o cenário de NY, tudo deverá tomar novos rumos, novos ares, novos horizontes. Em algum momento, bate aquela saudade do cenário do McKinley High e da sala do coral, por mais que estes já não rendessem mais nada de novo ou especial. A mudança de foco sugere um amadurecimento para a série, uma necessidade há muito desejada de levar os personagens mais adiante, para enfrentarem o cotidiano do mundo real, fora da proteção que usufruíam no colégio.

E posso dizer, sem dúvidas, que New New York é um dos episódios mais deliciosos e agradáveis da série em muito tempo. Não apenas, por finalmente, vermos a cidade de NY sendo mais explorada (seria patético permanecermos apenas naquele apartamento, que a cada dia parece mais apertado), mas também pelo frescor que o episódio traz, apresentando storylines divertidas, naturais e com os dois pés no chão. Históricas típicas de pessoas recém-saídas de sua juventude tendo que encarar a chegada da vida adulta e a conquista de sua independência.

Com a redução do número de personagens, o roteiro pode trabalhar, de maneira mais objetiva e sem correrias, a interação entre os personagens, os plots mais adultos, as tentativas dos novatos na cidade em conseguir se adapatarem. Foi tudo bem gostoso e divertido de se assistir, com o drama e a comédia sendo inseridos na dosagem certa.

Comecemos por Kurt e Blaine. Quem me conhece sabe o quanto já gritei aos quatro ventos o quanto o casal não me agrada. O relacionamento do casal sempre recebeu um tratamento muito fantasioso, meloso e apelativo, além de que ainda me parece faltar química entre Darren Criss e Chris Colfer, algo que não acontece quanto este segundo aparece em cena ao lado de Adam Lambert. E Ryan Murphy parece saber desse fato. Embora a crise de ciúmes de Blaine seja pra lá de irritante e descabida (a reação calma e compreensiva de Elliot foi bastante digna), não houve como não sentir uma certa identificação com o casal ao tentar começar, definitivamente, uma vida juntos. Tal qual Blaine, que nunca esteve tão grudento em Kurt, uma vida à dois sempre gera um desconforto no início, uma sensação de claustrofobia, de perda de espaço, já que dividir a vida com alguém requer um processo de adaptação, requer um sacrifício de ambas as partes, algo que Kurt e Blaine ainda não podem oferecer um ao outro. O plot se desenvolveu de maneira bem natural e realista, e não deixa de ser louvável a decisão final do casal em relação a este problema.

Sam é outro personagem que, apesar de me causar certo desgosto (especialmente nesta temporada), conseguiu me agradar pela maneira simples, porém direta com que seu lado na história foi desenvolvido. Afinal, quem nunca teve um amigo “peso morto”? Como Blaine e Sam se tornaram BFFs desde a temporada passada, nada mais justo que o garoto com excesso de gel no cabelo interceda pelo amigo e o tire da inércia. E Sam teve ganho duplo: além de finalmente cortar o cabelo (glorifiquei de pé), ainda ganhou a oportunidade de dividir o mesmo teto com Mercedes, que irá passar um tempo em NY.

Mas a melhor surpresa foi a interação entre Rachel e Artie. Os dois personagens havia trocado pouquíssimas palavras ao longo das temporadas, e me surpreendi pela forma com que os dois funcionam bem juntos, especialmente por suas personalidades opostas que se complementam: Artie é bastante sincero e realista, enquanto que Rachel adora sonhar e se colocar num pedestal. O trabalho do roteiro em cima da amizade entre os dois foi ótimo, e realmente espero que essa nova amizade renda mais até o fim da série.

Com um episódio tão gostoso e tão divertido, fica difícil não se animar com o futuro de Glee, que finalmente, parece estar entrando nos eixos novamente. Que nosso querido Ryan Murphy continue assim.

Músicas e Performances

Best Day of My Life (Blaine e Sam) – Fico impressionado em como Blaine e Sam, personagens que nunca me agradaram, conseguem funcionar tão bem juntos. Mesmo já estando cansado do vocal de Darren Criss, difícil não conter um sorriso com a gostosa interação entre os dois no meio de uma música tão “delicinha” como essa.

Don’t Sleep In the Subway (Artie e Rachel) – Ainda estou com as imagens de Rachel e Artie (Archel?) dançando alegremente no metrô de NY na minha mente. Música agradabilíssima, com uma performance que explora o cenário de maneira bem correta.

Dowtown (Rachel, Blaine, Kurt, Sam e Artie) – Melhor do que a música foi a forma com que os personagens foram sendo apresentados durante a performance. Glee, quando quer, consegue ser bem criativa.

People (Rachel) – Rachel cantando mais uma música do repertório de Funny Girl dispensa elogios. Bela canção com uma letra lindíssima e bastante significativa para o momento.

Rockstar (Kurt e Elliot) – Que bom que Kurt e Elliot mudaram um pouco seu repertório de rock pesado (lembram de I Believe in a Thing Called Love?) para cantarem uma música mais leve e agradável de se ouvir. E a química entre ambos continua a me fazer morrer de amores.

You Make Feel So Young (Blaine e Kurt) – Mais um dueto Klaine? Sim, mas dessa vez acertarem em cheio no dueto. A música é pra lá de contagiante e tem um ritmo bastante divertido.

Glee – 5X14: New New York
Showrunner: Ryan Murphy
Roteiro: Ryan Murphy
Direção: Sanaa Hamri
Elenco: Lea Michele, Darren Criss, Chris Colfer, Amber Riley, Kevin McHale, Chord Overstreet, Adam Lambert
Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.