Crítica | Glee – 5X16: Tested

estrelas 2,5­Para quem está acompanhando esta nova fase de Glee, é uma afirmação quase unânime de que a série parece estar voltando à sua boa forma. Com o número de personagens bastante reduzido e centrada em apenas um único cenário, a série está aproveitando bem as oportunidades de trazer bons temas para serem trabalhados, ao mesmo tempo em que obriga seus personagens a encararem a realidade da vida fora do mundinho seguro do colegial.

Neste caso, Tested é um episódio que entra em contradição com a própria série, já que os plots vistos aqui, ou ao menos a maioria deles, beira o infantilóide. Que fique claro: está bem longe de ser um episódio ruim. Mas sempre há aquele momento em que os roteiristas enfrentam uma certa preguiça em trabalhar as histórias de maneira correta e apostam num tratamento simplista, que é o que acontece aqui.

A começar por Klaine. Depois de todo o dramalhão do episódio anterior, o casal novamente entra numa daquelas rixas dignas de crianças de 6 anos, que lá pelo fim do episódio, se resolve com alguns poucos diálogos. Boa parte disto se deve ao próprio personagem Blaine, que narcisista e mesquinho desde sempre (Rache também é assim, mas Darren Criss nunca teve o mesmo apelo ou carisma), mostra mais uma vez que, para se sentir bem, necessita que aqules mais próximos estejam um nível abaixo de si. Nunca entendi o objetivo em mostrar Blaine como um personagem tão inseguro, uma vez que nem os próprios roteiristas conseguem transformar isto numa característica marcante do personagem. Com Rachel, rimos e nos divertimos com seus momentos de puro egoísmo e egocentrismo. Com Blaine, o único sentimento que existe é de irritação. É uma trama digna dos tempos de colegial, que nada acrescenta e apenas faz os dois personagens retrocederem, o que é uma lástima, já que Kurt, como vimos nos últimos episódios, tem se tornado um personagem mais maduro, corajoso e consciente, o que é um salto e tanto se lembrarmos do Kurt cheio de frescuras que conhecíamos antes. NY fez Kurt crescer, algo que está fazendo falta para Blaine.

Samcedes. Sempre fiz questão de dizer o quanto sou fã do casal, e o quanto torço para que as coisas deem certo para ambos, mesmo que Sam também me pareça um personagem intragável. Mas o que os roteiristas querem trazendo esta história de “só quero dar quando casar” para Mercedes? Depois de tudo o que a personagem já passou, pra quê manter todo esse puritanismo? Além de ser uma trama antiquada e moralista, é também exageradamente irreal, uma vez que chega a ser absurdo que a personagem peça a um garoto de 19 anos para esperar até o casamento. Mais estranho ainda é ver uma trama como essa vinda da mente de titio Ryan, que a julgar por suas realizações, é o sujeito menos moralista e mais politicamente incorreto do mundo.

A trama de Artie chega para trazer, ao menos, um pouco de interesse pelo episódio. Obviamente, é um tanto estranho ver Artie agindo como um garanhão bad boy, uma vez que isto pouco condiz com o que o personagem é, de fato. Mas a abordagem sobre DSTs, embora merecesse uma abordagem mais séria (espero que isto aconteça mais adiante), é desenvolvida com muito bom humor, mas sem deixar de lado aquele tom de alerta sobre sua importância, com vários momentos hilários pontuando o nervosismo de Artie sua doença.

No mais, Tested surge como um retrocesso para o que a série havia se tornando desde sua mudança definitiva para NY, e a animação fica por conta do próximo episódio, onde Rachel irá, finalmente, estrear na Broadway no musical Funny Girl.

Músicas e Performances

Addicted to Love (Artie) – Como uma das melhores vozes masculinas do elenco, era quase impossível que um rock clássico desse errado no vocal de Kevin McHale. A música já pode figurar como um dos melhores solos do personagem. E méritos também para a performance, que em muito lembra o clipe original da música.

I Wanna Know What Love Is (Mercedes) – Como não amar esta nova fase de Mercedes, não é? Por mais que seu plot nesse episódio não seja dos melhores, é sempre maravilhoso quando Amber canta músicas que parecem ter sido compostas sobre calibre para se adequarem a sua voz. E a performance, simples, é perfeita para que nos deliciemos apenas com a voz de Amber.

Let’s Wait a While (Artie, Mercedes e Sam) – Música agradável aos ouvidos, boa de se ouvir. Mas a performance foi muito WTF?!, e sem muita criatividade, além de que as expressões perdidas de Julie incomodaram muito.

Love is a Battefield (Kurt e Blaine) – Por mais que o casal não me agrade, Kurt e Blaine sempre cantam músicas boas, e neste caso, esta é uma das melhores músicas já performadas pelo casal, especialmente pela performance, muito bem coreografada e bem enérgica.

Glee – 5X16: Tested
Showrunner: Ryan Murphy
Roteiro: Russell Friend, Garrett Lerner
Direção: Paul McCrane
Elenco: Lea Michele, Darren Criss, Chris Colfer, Amber Riley, Kevin McHale, Chord Overstreet
Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.