Crítica | Glee – 5X19: Old Dogs, New Tricks

estrelas 3,5Muitos dizem que Glee, atualmente, já não é o mesmo seriado que fora lá no início. O que não deixa de ser uma verdade. Com o tempo, Glee foi perdendo sua magia e seu encanto, algo que pôde ser visto e sentido na irregular quarta temporada e nos tenebrosos primeiros episódios de sua atual temporada, que deu uma guinada de qualidade quando passou a se ambientar somente na cidade de NY, reduzindo significativamente o número de personagens.

É fato que a ausência de boa parte dos personagens antigos ainda é algo a se lamentar, e até mesmo nos faz estranhar quando assistimos aos episódios e não os vemos em cena, mas Glee, como já dito, hoje em dia é outra série e possui uma outra identidade. Chega de conflitos típicos do colegial, é hora de os personagens aprenderem a viver no mundo de fora, naquele em que eles precisam encontrar uma nova forma de se adaptar.

Neste sentido, a série tem se saído bem em seus últimos episódios.  Os roteiros tem encaminhado seus personagens para acontecimentos mais coerentes (com exceção de um ou outro plot pouco significativo), e o desenvolvimento dos mesmo tem sido mais satisfatório, sem que aquele excesso de personagens obrigue os roteiristas a trabalhar as histórias de forma apressada.

E por falar em roteiristas, é impossível assistir Old Dogs, New Tricks e não pensar: “Esse episódio é a cara do Chris Colfer”. Primeiro episódio da série escrito pelo intérprete de Kurt (boatos de que um segundo episódio escrito por ele virá por aí), Old Dogs, New Tricks é um episódio irresistível justamente por ser recheado de detalhes fofos. Ora, um episódio que aborda a adoção de animais e um grupo de idosos encenando sua própria versão da história de Peter Pan? Como resistir?!

De início, parece que estamos diante de mais um daqueles episódios bobos, que não nos levarão a lugar nenhum, mas conforme as coisas vão acontecendo, vamos nos entregando ao clima do episódio em meio a cenas lotadas de cães adoráveis e velhinhos fofos. Por mais que o plano de Rachel em tentar recuperar sua boa imagem (prejudicada após seu ato irresponsável para com Funny Girl no episódio anterior), com a ajuda de sua nova agente de relações públicas, Santana (“Se eu sou capaz de fazer Rachel Berry funcionar, eu posso fazer qualquer coisa”), irrite um tanto de início, é impossível não se divertir em seguida com as tentativas frustradas de Rachel em recuperar sua boa imagem. Da mesma forma, o envolvimento de Kurt com os idosos de um asilo (é extremamente prazeroso ver June Squibb, do recente Nebraska, aparecer em um episódio da série) pode parecer um tanto bobo de início, mas aos poucos também vai nos envolvendo, culminando em um ou dois momentos que são capazes de levar algumas lágrimas aos olhos.

Sobre Samcedes? Bem, acredito que há pouco o que comentar, pois mesmo que eu adore o casal, ambos foram um tanto desagradáveis neste episódio, especialmente Mercedes, que parece ter se tornado uma personagem extremamente moralista e cheia de si, mostrando que ainda enxerga Sam não como um homem, mas como um garoto, daqueles que não conseguem cuidar nem ao menos de si. Gostei muito do banho de realidade que Sam jogou em cima de Mercedes, mas realmente espero que o casal vá além destas brigas e conflitos, pois de brigas, já basta as mil e uma brigas de Klaine por episódio.

De qualquer forma, Old Dogs, New Tricks, apesar de não ser um episódio ambicioso ou grandioso, é bonito, singelo e simples, e estes são seus principais trunfos. E agora só nos resta a season finale da temporada, The Untitled Rachel Berry Project, que promete encerrar a temporada com boas surpresas.

Músicas e Performances

I Melt With You (Rachel, Sam e Mercedes) – Música fraca, mas salva por uma performance que inunda a tela com a presença irresistível de cachorros fofos e carismáticos.

Memory (Kurt e Maggie) – Talvez um dos momentos mais lacrimosos do episódio. Adorei a simplicidade da performance, com os velhinhos do asilo relembrando seus tempos joviais, ao mesmo tempo em que estes buscam resgatar esta mesma jovialidade de outrora. É lindo, e a presença de June Squibb na performance é uma adição maravilhosa.

Werewolves of London (Sam e Artie) – Mais uma música OK acompanhada por uma performance OK.

Lucky Star (Kurt e Maggie) – Irresistível e impagável! Como não se divertir com os velhinhos e Kurt, com aqueles óculos descolados, dançando ao som de uma música da Madonna enquanto encenam Peter Pan?

Take Me Home Tonight (Artie, Kurt, Rachel, Blaine, Maggie, Sam, Santana e Mercedes) – Performance que encerra bem o episódio, de maneira simples, mas bem adequada.

Glee – 5X19: Old Dogs, New Tricks
Showrunner: Ryan Murphy
Roteiro: Chris Colfer
Direção: Bradley Buecker
Elenco: Lea Michele, Darren Criss, Naya Rivera, Chris Colfer, Amber Riley, Kevin McHale, Chord Overstreet, June Squibb
Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.