Crítica | God Help The Girl

estrelas 2,5

Sabemos como são filmes musicais pelo ponto de vista de um cineasta-cineasta ou um cineasta-fotógrafo. Mas, raramente vemos um filme musical do ponto de vista de um músico de verdade. Alguém acostumado à vida nos palcos, em estúdios e tudo mais que engloba esse universo.

Talvez por isso God Help The Girl, primeiro trabalho do músico Stuart Murdoch integrante do Belle & Sebastian, possua uma linguagem bem mais sonora e fale quase que unicamente ao espectador através das canções do que utilizando os diálogos em si. Além do mais, o visual imerso nos anos 70, com uma fotografia mais amarelada, por vezes até um tanto estourada e figurinos da época contribuem bastante para um melhor entendimento da história.

Eve é uma garota problemática e apaixonada por música que encontra no ato de escrever e cantar suas próprias canções uma válvula de escape. Tentando mudar sua vida, acaba cruzando com James outro aspirante a músico que também está tentando se encontrar nesse meio. Uma cumplicidade surge entre os dois e juntamente com Cassie, que se une a eles depois, o trio se aventura pelas ruas de Glasgow e acabam formando uma banda. No entanto, Eve ainda precisa lidar com os fantasmas no armário antes de tomar qualquer decisão sobre seu futuro.

Apesar do longa possuir um enredo frágil, consegue se sustentar nas canções idílicas e de fácil identificação. Além do mais, o trio de atores principais possui um carisma incrível que funciona muito bem em cena.

Emily Browning se empenha com esmero na personagem e carrega todas as emoções, seja angústia, tristeza, medo ou alegria em seu olhar. A atriz não é dada a grandes arroubos de atuação e tampouco lhe foram oferecidas oportunidades para tal. Enquanto isso cabe a Browning escolher papéis mais suaves como esse, onde ela consiga realmente atuar. Olly Alexander funciona de forma perfeita como seu contraponto, já que seu personagem quer e gosta de tudo o que Eve procura fugir, tornando-o a pessoa certa no momento errado, mas que foge do clichê do conceito. Já Hannah Murray é apenas ok. Seu papel é um tanto menor do que os outros e talvez por isso, tenha ficado encarregada da veia cômica no filme. Felizmente as tiradas, ainda que poucas são inteligentes e não agridem ao espectador.

Por fim, God Help The Girl é tecnicamente correto e deveras agradável, mas passa longe de ser bom exemplo de filme musical, ainda que as canções sejam interessantes, principalmente se o espectador gostar do estilo mais indie pop.

God Help The Girl (God Help The Girl – UK 2014)
Direção: Stuart Murdoch
Roteiro: Stuart Murdoch
Elenco: Emily Browning, Olly Alexander, Hannah Murray, Pierre Boulanger, Mark Radcliffe, Stuart Maconie, Ann Scott-Jones, Paul Flanagan, Michael Drum, Josie Long
Duração: 111 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.