Crítica | “Gone Is Gone” – Gone Is Gone

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estrelas 4

O termo supergrupo não tem feito muito jus ao nome nos últimos anos, afinal, muitas bandas hypeadas com o termo se mostraram fracas, regulares ou decepcionantes. Não é bem o caso do Gone Is Gone. Através de ideias bastante interessantes e um nível de técnica absurdamente bem executado, o EP de estreia do grupo americano é um deleite em meio a um cenário “mainstream” de metal que não consegue surpreender tanto.

Tudo começou quando o multi-instrumentista Mark Zarin junto com Tony Hajjar, baterista do At The Drive In, trabalhavam em trilhas para games (mais precisamente Splinter Cell: Blacklist) e tiveram algumas ideias de canções que pudessem trazer um som pesado e ao mesmo tempo visual, contemplativo, quase unido a uma história. Para a empreitada, chamaram o guitarrista do Queens Of Stone Age, Troy Van Leeuwens, e o brilhante baixista/vocalista do Mastodon, Troy Sanders. Pronto, estava formado o Gone Is Gone.

O supergrupo executa  muito bem a ideia de um conjunto de canções de clima cinematográfico/teatral. Para isso, misturam um caldeirão de emoções diversas, passadas através de distorções pesadas, muito fuzz, sintetizadores barulhentos e letras bem escritas. A abertura furiosa com Violescent não economiza no peso, trazendo riffs de guitarras que aproximam a canção quase do thrash metal, mas sabendo passar um aspecto emotivo principalmente devido à interpretação de Troy Sanders (que, aliás, segue com interpretações impecáveis por todo o trabalho). Já Starlight mergulha forte no shoegaze com uma atmosfera melancólica e contemplativa. Se trata de um post metal de primeira, algo que lembra o caminho escolhido pelo Deftones também esse ano em Gore. Fechando a trinca de canções disponibilizadas anteriormente está Stolen From Me, faixa de linhas melódicas espetaculares que sabem transpor a angústia de uma canção que aborda o medo, a perda e a morte.

A competência de Tony Hajjar nas baquetas é um diferencial para o arranjo e letras não tão inspirados de One Divided, ainda que a agressividade com a qual o guitarrista Troy Van Leeuwens conduza a canção seja contagiante. O mesmo poderia ser dito quanto a Praying For The Dead, mas o problema aqui soa muito mais como um excesso de efeitos, o que gera exagerados “zunidos” que atrapalham no acabamento da faixa, mesmo que seus riffs esmagadores sejam extraordinários. Já This Chapter carrega com força a temática do projeto em sua letra, uma abordagem filosófica sobre as perdas da vida, o fim de um capítulo. Logo, o nome da banda passa a fazer todo o sentido. O disco ainda possui duas faixas narradas que aumentam a atmosfera cinematográfica, soando como monólogos depressivos e filosóficos vindos de um sábio sem esperanças.

Gone Is Gone é, por fim, um projeto que se mostra muito bem realizado, onde cada “supermembro” consegue trazer a bagagem que possui com stoner, progressivo, shoegaze e demais gêneros afim de gerar uma fórmula própria, que difere de tudo isso e ainda balanceia com primor o peso e a melodia.

Aumenta!: Starlight
Diminui!: One Divided
Minha canção preferida: Stolen From Me

Gone Is Gone
Artista: Gone Is Gone
País: Estados Unidos
Lançamento: 8 de julho de 2016
Gravadora: Black Dune/Rise
Estilo: Metal Alternativo

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.