Crítica | Goosebumps: Monstros e Arrepios

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Goosebumps – Monstros e Arrepios (2015) começa com o adolescente Zachary “Zach” Cooper (Dylan Minnette) e sua mãe Gale (Amy Ryan) tendo acabado de se mudar para a pequena cidade de Madison, Delaware, onde Gale iniciará seu novo trabalho como vice-diretora da escola local. Zach é rapidamente atraído pela sua nova vizinha. A adolescente Hannah tem um pai muito misterioso, ele conhecido pelos moradores como “Mr. Shivers”, este que é um leitor voraz e ama um livro de monstros chamado Goosebumps.

Intrigada, mas também preocupada com Hannah – que parece estar tendo problemas com seu pai – Zach investiga a família e descobre um segredo surpreendente: todos os monstros nas histórias existem, mas são mantidos longe do mundo real, dentro dos manuscritos originais do livro. Quando esses são abertas acidentalmente, as criaturas são liberadas na cidade, e cabe a Zach, Hannah e seu pai levá-los de volta para onde eles pertencem.

Dirigido por Rob Letterman, cujas colaborações anteriores com o ator Jack Black incluem a animação O Espanta Tubarões e o live-action As Viagens de Gulliver, Goosebumps é uma aventura divertida, embora frenética e assustadora, para crianças, que captura o espírito dos livros originais de R.L. Stine. O filme tem alguns apelos para adultos nostálgicos que cresceram lendo romances e quadrinhos de terror sobrenaturais. Mas deve-se ficar claro que o longa é, em primeiro lugar, destinado ao público infantil e aos jovens adultos.

Há momentos em que o roteiro de Darren Lemke, Scott Alexander e Larry Karaszewski aborda temas e idéias com um claro subtexto (por exemplo, como Stine passou tanto tempo imaginando monstros – para combater sua solidão), mas essa procura por profundidade não dura muito tempo. Muito rapidamente, o filme recua para uma narrativa mais segura e previsível. Goosebumps tem um ritmo hiperativo, combinando uma variedade de monstros amigáveis ​​para crianças, com piadas intencionalmente “ruins” e humor brega.

Elementos como a trilha sonora de Danny Elfman funcionam bem em infundir o filme com um espírito brincalhão, assim como um elenco e, é claro, Jack Black. Os efeitos visuais das criaturas conseguem ser ameaçadores, ainda que caricaturais. Letterman e seu diretor de fotografia, Javier Aguirresarobe, também montam os vários conjuntos de cenas e sequências de ação de maneira não chamativa, mas satisfatória, mantendo assim o foco nas palhaçadas dos monstros coloridos de Goosebumps em vez do trabalho de câmera, ou qualquer floreio estilístico.

Jack Black evita seu já famosos traquejos, o que é um ponto fraco para o filme. A figura de Balck está tão ligada às suas caras e bocas que, quando tenta ser sério, acabamos por não levá-lo a sério. Em comparação, Dylan Minnette, Odeya Rush e Ryan Lee interpretam arquétipos de filmes infantis, mas trazem personalidade e charme para a narrativa, fazendo de seus personagens serem agradáveis. Da mesma forma, atrizes talentosas como Amy Ryan e Jillian Bell são subutilizadas, mas quando estão em cena, aproveitam ao máximo seus pequenos papéis.

Goosebumps não fornece uma visão subversiva do terror sobrenaturais estabelecidos há muito tempo; em vez disso, dá-lhes um toque amigável para crianças que ilustra a diversão de contar histórias – e fornece substância suficiente para ser mais do que uma boa distração.

Não acredito que sua equipe de produção imaginou nada além disso enquanto produziam o longa. O filme não é dirigido para aqueles que cresceram lendo romances de Goosebumps nos anos 90, mas algumas “crianças dos anos 90” podem aproveitar a chance de revisitar a série da mesma forma; e quem sabe, o filme pode até inspirar uma nova geração a conferir os livros originais de Stine.

Goosebumps – EUA, Austrália, 2015
Direção: Rob Letterman
Roteiro: Darren Lemke, Scott Alexander, Larry Karaszewski
Elenco: Jack Black, Dylan Minnette, Odeya Rush, Ryan Lee, Amy Ryan, Jillian Bell, Halston Sage, Steven Krueger, Keith Arthur Bolden, Amanda Lund, Timothy Simons, Ken Marino, Karan Soni, R.L. Stine, Caleb Emery
Duração: 103 min.

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".