Crítica | Gotham 1X03: The Balloonman

estrelas 4

Após o morno episódio Selina Kyle, Gotham retoma a qualidade apresentada em seu piloto. Ainda que dê alguns deslizes, a série nos traz elementos interessantes e uma trama melhor trabalhada que a corriqueira vista no capítulo passado.

Dessa vez começamos de imediato com Oswald Cobblepot retornando a Gotham – algo que parece apressado à primeira instância, considerando que ele acabou de partir, mas que, ao longo do episódio, traz ótimos frutos. De fato, a linha narrativa estabelecida para o personagem desde o princípio se demonstrou interessante e em The Balloonman temos o seu auge até então. O Pinguim se prova um verdadeiro psicopata com sonhos de grandeza (que irá atingir eventualmente) e a dinâmica envolvendo sua atuação às escondidas é um dos pontos altos do capítulo. Como não nos empolgarmos com as cômicas possibilidades dele trabalhando em um restaurante?

Nessa via do humor negro este episódio se sustenta e garante risadas constantes, ao mesmo tempo que mantém o clima sombrio e decadente da cidade. A dinâmica entre Harvey e Gordon continua a funcionar e melhor do que nunca – já à vontade em seus papeis, Ben McKenzie e Donal Logue, trazem uma relação que nos prende a cada minuto, em especial pelos comentários irônicos dados voz por Logue. O interessante é que, por mais que seus métodos sejam completamente distintos, podemos sentir um certo respeito mútuo – são os dois opostos que se complementam e muitas vezes nos vemos concordando com ambos os lados.

O senso de justiça de Gordon ainda é contestado pela detetive Renee Montoya (Victoria Cartagena), criando uma engajante subtrama de fazer qualquer espectador odiar sua personagem. Mas trata-se de um ótimo sentimento em séries como essa, algo como o que sentíamos por Joffrey Baratheon em Game of Thrones, em menor escala, é claro. Dessa forma Gotham mantém sua estrutura de caso da semana, mas oferecendo elementos o suficiente para nos manter assistindo – quebrando nosso temor deixado claro em minha crítica do episódio anterior.

Já falando sobre o caso da semana, o Balloonman foi algo realmente divertido de se acompanhar. Além de criar um interessante diálogo envolvendo o surgimento de vigilantes na cidade, vimos o tipo de loucura esperada em Gotham. Afinal, onde mais veríamos um assassino que prende suas vítimas em balões meteorológicos? Realmente inesperado e criativo! A resolução ainda se demonstra superior à de Selina Kyle, ao passo que o capítulo utiliza mais de seu tempo para compor a ameaça em questão.

Mas, como nem tudo são flores, Gotham continua nos trazendo alguns deslizes. O primeiro deles é a teatralidade de Fish Mooney, que totalmente se destaca do cenário geral, como dito sobre o episódio passado. O segundo é o excesso de Bruce Wayne, que já chega a incomodar. Sabemos que ele irá se tornar o Batman e os roteiristas parecem querer esfregar tal fato em nossas caras a cada minuto. Ainda que a cena da luta de espadas entre o jovem e Alfred tenha sido interessante, não podemos deixar de sentir como se todo esse foco da narrativa fosse desnecessário ou exagerado.

Por fim, a construção de Gotham como essa grande cidade decadente acaba parecendo exagerada demais, ao ponto que começamos a concordar com a ideia de Ra’s Al Ghul, em Batman Begins, de destruir a metrópole por completo. Afinal, ninguém ali (exceto Gordon, Bruce e Alfred) parece se salvar! Seria interessante enxergar uma gradação maior da desgraça, culminando no surgimento do Morcego, que resolveria a situação. É claro que, como dito anteriormente, essa negatividade é utilizada para construir o humor negro vigente no capítulo (a cena da chegada do Pinguim é a prova disso), mas algo mais controlado trabalharia a favor do episódio.

Esses defeitos, contudo, não conseguem nos distanciar dos elementos positivos de The Baloonman, que acabam constituindo este como o melhor episódio da temporada (até então). Os problemas apresentados anteriormente começam a diminuir, restando somente alguns que podem ser facilmente consertados.

Gotham 1X03: The Balloonman (EUA, 2014)
Showrunner:
Bruno Heller
Direção:
 Dermott Downs
Roteiro: 
John Stephens
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Zabryna Guevara, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Camren Bicondova, Victoria Cartagena, Andrew Stewart-Jones, John Doman, Jada Pinkett Smith, David Zayas
Duração:
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.