Crítica | Gotham 1X04: Arkham

estrelas 3,5

Atenção: Contém spoilers do episódio comentado.

Começamos Arkham exatamente onde The Balloonman nos deixou: com Gordon novamente cara a cara com Oswald Cobblepot. A escolha por tal começo foi esperada e ideal, nos jogou direto na problemática central do episódio sem perder tempo, já construindo uma interessante tensão que é cuidadosamente mantida ao longo da projeção. Neste quarto capítulo da série podemos observar alguns problemas desaparecendo, dando lugar para uma narrativa melhor estruturada e crível.

O Pinguim novamente retoma o assunto que deixara no ar pouco antes de sua “morte” – Gotham está à beira da guerra e cabe a Gordon impedir isso. Tal diálogo inicial abre uma engajante possibilidade para a série que já vemos se desenvolver nestes 41 minutos da obra. Refiro-me à cooperação entre o policial e Cobblepot, que passa a atuar como fonte primaria de Jim em relação a Maroni. Com isso, a constante mudança de foco, se alternando, principalmente, entre Gordon e Oswald se mantém de forma orgânica, solidificando uma boa coesão para o capítulo.

Para complementar esse avanço na narrativa, o caso desta semana ainda se conecta com essa suposta guerra e não soa somente como um preenchimento de espaço da projeção, como vimos em Selina Kyle. A parte investigativa da série continua muito bem trabalhada, especialmente pela relação entre Harvey e Gordon, que, cada vez mais, parecem se acostumar um com o outro. Infelizmente não tivemos uma troca de ironias, mas era de se esperar que não veríamos isso a cada episódio – cedo tal humor iria nos cansar e a escolha de Ken Woodruff, que assina o roteiro, foi precisa.

Do lado de Fish Mooney tivemos uma melhoria em sua retratação. Jada Pinkett Smith deixou de lado o exagero dramático que vimos nos episódios passados, dando lugar a uma personalidade mais contida. Seus planos para tomar controle continuam prendendo nossa atenção.

Das jogadas de poder, contudo, nada rouba mais nossa atenção que o foco no Pinguim. Não pudemos vê-lo em cômicas situações trabalhando no restaurante, mas sua ascensão para gerente foi perfeitamente arquitetada, gerando ainda indagações, por parte do espectador, quanto a suas intenções em relação a Jim. Afinal, ele próprio parece estar fomentando a guerra que tanto prega querer impedir. Retratado por Robin Lord Taylor, o personagem facilmente se constitui como um dos pontos altos da série.

Diante dessas qualidades, contudo, ainda encontramos alguns deslizes que prejudicam a fluidez do capítulo. A primeira delas é o foco em Barbara, que mais soa como uma drama adolescente e acaba nos cansando. O término de sua relação com Gordon não conta com a menor simpatia do espectador e já damos graças por uma possível diminuição, ao menos por enquanto, do tempo em tela dessa personagem mais do que rasa. Obviamente isso não significa o fim de Barbara, já que sabemos muito bem que James conta com dois filhos no tempo que Batman dá as caras.

O outro problema é mais uma recorrência da série: as cenas desnecessárias com Bruce Wayne. Tais sequências simplesmente em nada acrescentam à narrativa e a presença delas em todos os episódios mais do que cansa o espectador. Para piorar ainda temos uma evidente quebra de continuidade nos minutos finais do episódio, quando Gordon teletransporta da delegacia para a mansão Wayne.

O saldo de Arkham, todavia, é positivo e abre novas interessantes possibilidades para Gotham. Resta saber se esse potencial será utilizado, em especial agora que a duração da temporada foi estendida para longos 22 episódios, formato que já demonstramos nosso descontentamento no Plano Polêmico #2. Resta torcer para que não vejamos alguns fillers por aí.

Gotham 1X04: Arkham (EUA, 2014)
Showrunner:
Bruno Heller
Direção: T.J. Scott
Roteiro: Ken Woodruff
Elenco: Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Zabryna Guevara, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Cory Michael Smith, Jada Pinkett Smith
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.