Crítica | Gotham 1X05: Viper

estrelas 2,5

Já em seu quinto episódio da temporada, Gotham apresenta algumas saudáveis melhorias em seu roteiro, ao mesmo tempo que se aprofunda em alguns problemas mais graves de direção e caracterização de seus personagens. A estrutura “vilão da semana” se mantém, mas podemos observar uma maior união dessa subtrama com o cenário mais amplo que se desenvolve desde o primeiro capítulo.

Quando uma droga, denominada Viper, que dá nome ao episódio, se alastra pelas ruas de Gotham City, cabe aos detetives Gordon e Harvey descobrir quem está por trás da distribuição e feitura da substância. O único e grande porém é que ela garante uma temporária super-força a seus usuários, para depois leva-los a morte. Com essa premissa estabelecida (que logo se conecta ao vilão Bane dos quadrinhos originais), o roteiro de Rebecca Cutter nos aprofunda mais na corrupção das indústrias Wayne, se encaixando perfeitamente com o quadro que fomos deixados no capítulo anterior, Arkham.

Ao mesmo tempo observamos as crescentes jogadas de poder do Pinguim, que, surpreendentemente e de forma impetuosa, revela sua identidade para Maroni. Não podemos deixar de sentir uma certa pressa nesse desenvolvimento da história de Cobblepot, que a cada episódio parece mudar de posição hierárquica: um tempo maior para suas maquinações fluírem seria mais orgânico dentro da narrativa, garantindo uma maior credibilidade a este lado da história. Ainda assim, sua relação com Maroni, encarnado perfeitamente por David Zayas (o sargento Batista de Dexter), consegue prender nossa atenção, já nos deixando curiosos sobre o que está por vir.

A guerra, anunciada no primeiro episódio pelo próprio Oswald, está, aos poucos, se formando – resta saber se essa preparação não gastará um tempo insustentável em virtude do aumento da temporada. A inclusão de Gordon nesses esquemas certamente se encaixará com a desconfiança de Montoya em relação a ele. Toda essa linha narrativa de Viper funcionou de forma fluida e não teve trabalho em nos manter atentos.

Por outro lado, o “caso da semana”, ainda que tenha seu papel coesivo dentro da história, deixou claro um preocupante fator: o foco nas investigações de Harvey e Gordon já demonstra sinais de cansaço. O principal causador disso é a forma acelerada e pouco dramático que esse trabalho detetivesco ocorre, criando poucos vínculos com o público. Gotham precisa achar sua linguagem logo, sob o risco de entediar os espectadores logo antes da metade da temporada.

Felizmente, pela primeira vez na série, Bruce Wayne teve um papel não forçado na narrativa. Sua investigação da companhia de sua família se encaixou perfeitamente na trama e funcionou idealmente para aproximá-lo de Alfred, que, até então, tentava desencorajar sua obsessão em descobrir os culpados pelo assassinato de seus pais. Em certos pontos ainda temos a velha overdose de informação sobre seu futuro, mas podemos facilmente relevar em virtude de seu encaixe dentro do episódio. O mesmo, contudo, não pode ser dito em relação a Selina Kyle e Edward Nygma, que continuam soando como elementos estranhos ao capítulo.

Já falando na estranheza, Fish Mooney e Carmine Falcone se destoam ainda mais do restante dos personagens ao serem retratados da forma mais teatral possível. O problema que parecia se amenizar no episódio passado, voltou com todas as forças, tirando completamente nossa credibilidade acerca desses indivíduos, que mais parecem “brincar de gangsters”. Com diálogos forçados e uma movimentação excessivamente dramática, Fish nos distancia quase que totalmente do enredo, chegando a gerar um sentimento de vergonha alheia. Uma direção mais rigorosa faz falta, provocando um desequilíbrio na formação dos diferentes personagens.

Viper, portanto, se encerrou como um episódio repleto de altos e baixos, que gravemente prejudicaram seu ritmo. Nossa atenção vai sendo levemente perdida ao longo dos minutos, tornando clara a necessidade da série encontrar sua linguagem. A falta de um elemento dramático em certas cenas é sentida, nos deixando praticamente apáticos ao que se desenrola perante nossos olhos, podendo significar uma vertiginosa queda daqui adiante.

Gotham 1X05: Viper (EUA, 2014)
Showrunner:
Bruno Heller
Direção: Tim Hunter
Roteiro: Rebecca Perry Cutter
Elenco: Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Camren Bicondova, Cory Michael Smith, John Doman, Jada Pinkett Smith, David Zayas
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.