Crítica | Gotham 1X11: Rogue’s Gallery

estrelas 3

Após seu midseason finale, Gotham retorna tentando nos tirar de seu lugar comum e acaba nos deixando exatamente…em seu lugar comum. Não, o episódio está longe de ser algo mal-executado e trabalha em cima de alguns interessantes aspectos (ao mesmo tempo que dá ênfase desnecessária a alguns). Ainda assim, não tenho como não sentir aquela velha estrutura vigente na primeira metade da temporada segurando todo o potencial da série, fragmentando sua narrativa a tal ponto que certos personagens soam desconexos de qualquer ponto da trama.

O que mais evidentemente sofreu com isso foi o Pinguim. Suas breves aparições em Rogue’s Gallery são um desserviço do personagem como um todo, que recebeu um gigantesco e bem-vindo enfoque na primeira metade, apenas para sofrer com uma evidente freada de sua história. É claro que o roteiro de Sue Chung procurava brincar com o espectador – passamos por uma notável elipse desde LoveCraft e esse tempo não mostrado poderia ter significado a ascensão d’O Pinguim. Obviamente não é o caso, mas por alguns instantes somos deixados na dúvida. O problema de tal brincadeira está na forma como foi inserida no episódio, quase burocraticamente a fim de nos dizer “não esquecemos do personagem”, ao invés de simplesmente inseri-lo com um foco maior no capítulo posterior.

Por outro lado, acompanhamos Jim Gordon agora em suas peripécias pelo asilo Arkham, onde está “de castigo” por querer derrubar o corrupto prefeito de Gotham. A já citada velha estrutura dá as caras aqui e mais uma vez nos vemos diante de um vilão da semana, com uma série de quase-assassinatos acontecendo bem dentro do asilo. Apesar de, inicialmente, ser dificil de acreditar que tão cedo algo assim aconteceria, nossa descrença vai desaparecendo com a forma orgânica como tal subtrama é levada. A investigação em questão não mais parece ser finalizada de uma hora para a outra e, surpreendentemente, não significa o fim do antagonista apresentado. Embora alguns pontos tenham sido óbvios dentro da progressão apresentada, tivemos alguns momentos de destaque, em especial o reencontro entre Harvey e Jim, que trouxe certeiros momentos de alívio cômico, ao mesmo tempo que mostrou como a relação entre os dois atingiu um alto grau de cumplicidade.

Ainda em Gordon, temos a subtrama ligada à sua namorada (ou ex), Barbara, que definitivamente já cansou. A ênfase na personagem, que nada acrescenta à trama a não ser alguns detalhes novelescos e uma personagem para servir como a princesa a ser resgatada, quebra completamente o ritmo do episódio e, assim como o caso mencionado do Pinguim, não se encaixa dentro da narrativa apresentada. Do mesmo problema sofre Selina Kyle, que também é apresentada burocraticamente, como se fôssemos esquecer da personagem por completo.

Fugindo de tais focos desnecessários temos os desenvolvimentos dos planos de Fish Mooney em uma pequena história envolvendo seu segundo em comando. Apesar de, possivelmente, não acrescentar nada para a linha geral da temporada, tais cenas ajudam a construir um personagem que, até então, era tido somente como um capanga qualquer. É interessante ver uma ênfase em seu lado humano em uma cena notavelmente dramática (quase estragada pelo curto plano mostrando a arma sendo apontada para o amigo). Gotham se beneficiaria com narrativas como essa, ao invés de nos trazer os cansativos casos da semana.

Rogue’s Gallery está longe de ser o melhor episódio de Gotham. É uma colcha de retalhos repleta de seus altos e baixos, que evidencia o quanto a emissora não confia em seus espectadores. Ainda assim, pode significar um interessante desenrolar para a narrativa central do restante da temporada, introduzindo um vilão que pode retornar e um divertido enfoque em Gordon enquanto no Asilo Arkham. Resta saber se os outros personagens serão bem aproveitados ou somente farão pontas a cada capítulo.

Gotham 1X11: Rogue’s Gallery (EUA, 2015)
Showrunner:
 Bruno Heller
Direção: Oz Scott
Roteiro: Sue Chung
Elenco: Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Zabryna Guevara, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Camren Bicondova, Cory Michael Smith, Victoria Cartagena, Andrew Stewart-Jones, Jada Pinkett Smith, Nicholas D’Agosto, Richard Kind
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.