Crítica | Gotham 1X12: What the Little Bird Told Him

estrelas 3

Atenção: contém spoilers do episódio

Com uma curta estadia no Asilo Arkham, Gordon já é trazido de volta para a GCPD – infelizmente o único que vimos do famoso local foi em Rogue’s Gallery e o roteiro mal soube aproveitar esse twist na trama geral da temporada, demonstrando que a série não sabe onde deve acelerar determinados eventos, algo que reflete, também, no personagem Jack Gruber. Por outro lado, finalmente contemplamos um avanço na narrativa envolvendo Fish, o Pinguim e Falcone – algo que se mantinha na imobilidade desde o princípio da série.

Com a fuga do psicopata Jack Gruber no episódio anterior, Jim Gordon volta à GCPD a fim de capturar o criminoso, alegando que se trata de um caso seu. Peitando o comissário Loeb, que dá a ele o limite de um dia para capturar o ex-detento, Gordon e Bullock iniciam mais uma de suas costumeiras investigações. A estrutura caso da semana é mascarado em What the Little Bird Told Him, que assume um tom de continuação, algo não visto até então na série. A busca pelo assassino fugitivo funciona como os casos anteriores, com a diferença que, aqui, sabemos quem está por trás das mortes. Gruber é um personagem fascinante e Christopher Heyerdahl dá um toque verdadeiramente assustador – ainda que caricato – ao indivíduo. Ao término do capítulo permanece em nossa mente uma noção de subutilização do personagem, que poderia aparecer mais vezes ao longo da temporada, sem ser capturado. Ao contrário disso, porém, ele foi descartado como mais um vilão qualquer dentro de Gotham, não mais importante que o Balloonman.

O que verdadeiramente chama a atenção no capítulo, porém, é a forma como a trama envolvendo o Pinguin, Fish e Falcone foi conduzida. Como de costume temos aqui o ponto alto da série e finalmente pudemos ver o desenrolar dos planos da gangster sedenta por poder. Temos aqui o lado da série que funciona de forma não procedural, permitindo uma construção mais orgânica dos eventos, trazendo um escopo muito mais dramático (especialmente na cena final). O que soa desconexo de toda a narrativa é o respeito de Fish por Carmine, que aparece de forma súbita, sem antes ter aparecido dentro da série, quase como uma tentativa de dar profundidade a uma personagem firmada como rasa. Oswald quase se entregando para Maroni também soou desconexo dentro do capítulo, embora deva apresentar algumas repercussões no restante do ano.

Dentre tais momentos perdidos nada se destaca mais que a sequência envolvendo Barbara e seus pais. Uma cena completamente desnecessária, que somente aumenta nossa percepção de quão dispensável é a personagem. Barbara, de fato, não acrescenta em nada à série – percebam como o protagonista sequer parece sentir sua falta na maior parte do tempo (neste episódio em nenhuma ocasião). O romance de Gordon com a média de Arkham certamente entrará em conflito com toda a subtrama de Barbara, já nos deixando com um significativo medo do que está por vir – que menos minutos sejam investidos nessa novela!

Dito isso, What the Little Bird Told Him é um episódio repleto de seus (consideráveis) altos e baixos. Trouxe alguns avanços narrativos muito bem vindos ao mesmo tempo que desperdiçou inúmeras possíveis subtramas. Ainda assim é bom ver Harvey e Jim juntos novamente, por mais que tenha sido cedo demais. De qualquer forma, o Pinguim continua sendo o grande atrativo do show e provavelmente continuará sendo por bastante tempo, considerando a volta ao status quo que a série aparenta ter tomado.

Gotham 1X12: What the Little Bird Told Him (EUA, 2015)
Showrunner:
 Bruno Heller
Direção: Eagle Egilsson
Roteiro: Ben Edlund
Elenco: Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Zabryna Guevara, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Camren Bicondova, Cory Michael Smith, Victoria Cartagena, Andrew Stewart-Jones, Jada Pinkett Smith, Nicholas D’Agosto, Richard Kind
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.