Crítica | Gotham 1X13-16: Welcome Back, Jim Gordon/ The Fearsome Dr. Crane/ The Scarecrow/ The Blind Fortune Teller

estrelas 3,5

A volta de Gotham de seu breve hiato foi marcada por boas ideias atrapalhadas por um ritmo inconstante, em geral provocado pelo que há muito já critico na série, sua estrutura “caso da semana”, algo que não canso de não perdoar, considerando as ótimas subtramas que o seriado poderia investir mais tempo, ao invés de gastar seus minutos com assassinos atrás de assassinos. Tal defeito constante, porém, não consegue nos afastar de alguns pontos positivos evidentes que irei contemplar nesta crítica.

O primeiro deles é a retratação de cada personagem. Embora Fish (interpretada pela talentosa Jada Pinkett Smith) mantenha um notável ar de teatralidade – algo, sim, intencional por parte da direção, mas que ainda não desce da maneira que deveria – é notável como sua persona já se encaixa dentro da premissa estabelecida. Sua subtrama, por outro lado, deixa a desejar pela forma acelerada como foi construída nesses quatro capítulos. Vejam: Gotham manteve a personagem apenas planejando durante toda a primeira metade de seu ano para, em um curto período de tempo, mudar completamente o lugar comum de Mooney, somente para, em seguida, a estabelecer como líder de uma espécie de prisão. A ascensão à liderança se dá em apenas um episódio e todos passam a defendê-la em uma mudança menos sutil que da água para o vinho – algo, no mínimo, forçado, que poderia se desenrolar durante uma parcela maior da temporada.

Jim e Harvey, do outro lado, são o que mantém o “vilão da semana” e dessa vez investigam dois inimigos centrais dentro da mitologia do Morcego. O primeiro, o Espantalho, é visto ainda como criança, experimentado pelo seu problemático pai que dá nome ao episódio catorze, The Fearsome Dr. Crane (e de fato ele é assustador). Ao contrário de outros personagens dos quadrinhos, como Nygma, Ivy e Selina, contudo, os Crane são apresentados de forma bastante orgânica e mesmo o soro aterrorizante, comumente usado pelo vilão, dá as caras de forma criativa, solidificando a narrativa de um interessante duplo episódio, cuja trama finaliza em The Scarecrow (1×15), que em paralelo ainda nos traz um dos melhores twists da subtrama do Pinguim, que fora esquecido por alguns episódios.

De espião para dono do clube de Fish, Cobblepot retoma o palco central da série, fazendo a velha dúvida retomar em nossas mentes: por que não mudam o nome da série para Pinguim (ou similares)? Certamente o personagem mais engajante, sua história muitas vezes parece percorrer um caminho paralelo, à parte da narrativa central. Embora muitas vezes os caminhos se entrelacem, a fragmentação dos episódios acaba gerando um problema de ritmo, algo já mencionado aqui e nas críticas dos episódios anteriores. Há uma nítida sensação de estarmos mudando de capítulo a cada mudança de perspectiva, gerando uma fragmentação narrativa indesejada, que dificulta a coesão da série como um todo. Pode-se argumentar que Gotham, como o nome sugere, é a história da cidade, mas aí entraríamos em conflito com os casos de família de Jim Gordon.

Refiro-me, é claro, ao seu vai e volta com Barbara e o mais recente relacionamento com a Dra. Leslie (Morena Baccarin). Esse segundo conta com um ar de artificialidade extremo, mas que, felizmente vai diminuindo de intensidade com o passar dos episódios. Em The Blind Fortune Teller conseguimos aceitar melhor a relação dos dois, sem parecer algo sem a menor química e simplesmente colocado ali para gerar um intriga em relação à Barbara – que novamente dá as caras aqui para nosso desagrado.

Mas, já falando sobre o capítulo 1×16, eu não poderia deixar de abordar o caso do suposto futuro-Coringa. Cameron Monaghan, interpretando o psicótico Jerome nos oferece uma interessante transformação, indo do adolescente fragilizado para um verdadeiro maníaco. Naturalmente não há como dizer se esse de fato é um Coringa-mirim, mas, se for nos vemos diante de um problema: não haverá a menor evolução de personagem. Vejam, Jerome já é, no mínimo, louco, contando até mesmo com a característica risada do palhaço, então não haverá qualquer transformação o que limita qualquer história de origem, especialmente alguma que siga um caminho similar àquele de A Piada Mortal (que pessoalmente acho a mais interessante dentro das inúmeras já contempladas). Mas, como disse não há como ter certeza se o verdadeiro vilão ainda irá aparecer – se aparecer.

Em linhas gerais, apesar dos costumeiros problemas de ritmo, os episódios de treze a dezesseis de Gotham nos trouxeram subtramas interessantes e envolventes progressões dentro das histórias particulares de cada personagem. Ainda estamos longe do ideal que uma série de tal porte merece, mas, felizmente, podemos identificar uma melhoria na narrativa se compararmos com os primórdios do seriado.

Gotham 1X13-16: Welcome Back, Jim Gordon/ The Fearsome Dr. Crane/ The Scarecrow/ The Blind Fortune Teller (EUA, 2015)
Showrunner:
Bruno Heller
Direção: Vários
Roteiro: Vários
Elenco: Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Zabryna Guevara, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Camren Bicondova, Cory Michael Smith, Jada Pinkett Smith, Drew Powell, Morena Baccarin
Duração: 45 min. cada episódio

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.