Crítica | Gotham 1X17/18: Red Hood e Everyone Has a Cobblepot

estrelas 4

Spoilers

Red HoodEveryone Has a Cobblepot nos trouxe duas interessantes histórias que, ao mesmo tempo que dão continuidade a narrativas deixadas aberto, trazem para o palco central elementos marcantes do universo do Morcego. Embora mantenham a mesma estrutura dos capítulos anteriores da temporada, ambos sabem mesclar organicamente as subtramas neles conduzidas, eliminando quase que por completo o problema de quebra de ritmo tão presente em séries que seguem o mesmo estilo de histórias.

Red Hood foca em um grupo de assaltantes de banco, cujo líder utiliza um capuz vermelho (vide o nome), que rapidamente e obviamente chamará a atenção de qualquer leitor dos quadrinhos. O twist do vilão, porém, se encontra no fato que este é como um símbolo, o capuz define quem ele é, traçando, naturalmente, um paralelo com o próprio Batman. Surpreendentemente, o episódio demonstrou um grau de violência gráfica mais alto que o comum – estamos, é claro, em um seriado adulto, mas as mortes (e mutilações) retratadas foram verdadeiramente inesperadas. Pode isso significar um amadurecimento da série, que, enfim, procura mostrar um lado mais sombrio da cidade que retrata? Ainda é cedo para dizer, mas foi dada uma pitada de esperança para aqueles que, como eu, não aguentavam a mesmice.

Paralelamente ao caso dos ladrões, temos a progressão das maquinações de Fish naquele complexo macabro, onde procura barganhar pela sobrevivência própria e de seus companheiros de cela. Como dito acima, tal subtrama assume um tom visivelmente mais pesado, ainda que continue em um ritmo acelerado quando comparado ao restante da série. Essa aceleração se torna ainda mais evidente quando o fato da personagem, que perdeu o olho no fim do capítulo, já aparece com um novo no início do próximo – não poderiam ter deixado ela caolha por um período maior a fim de intensificar não só a dor de Mooney, como sua ousadia? A sensação de que Gotham simplesmente “enrolou” na primeira metade do ano fica praticamente palpável diante desse fato.

Fish, porém, não é a única que conta com uma subtrama paralela aos eventos centrais de Red Hood, talvez de forma ainda mais significativa conhecemos um pouco do passado de Alfred com a reaparição de um velho companheiro de exército, o que acaba nos levando para um avanço da história ligada ao assassinato dos Wayne, algo que, sabiamente, fora deixado em segundo plano por um bom tempo. Em termos narrativos, todavia, o capítulo apenas funcionou para reiterar o que já sabíamos: há uma grande teoria da conspiração por trás da morte dos milionários e, obviamente, as indústrias Wayne estão envolvidas.

Já partindo para Everyone Has a Cobblepot, somos apresentados a um enredo mais ligado ao próprio Jim Gordon, que dá prosseguimento à sua ascensão dentro do GCPD. Agindo contra o Comissário Loeb, que esconde segredos do passado de cada um do departamento, Jim procura acabar com o poder de chantagem do corrupto policial, ao mesmo tempo que busca colocar Flass novamente diante do juiz. A presença de Flass é, naturalmente, sentida pelos leitores de Ano Um, onde o policial também se apresenta como uma pedra no sapato de Gordon. A trama segue de forma fluida e apenas peca por exigir muita suspensão de descrença com a aparição dos velhinhos assassinos, algo, porém, menor dentro do cenário geral. O twist final também é apresentado de forma interessante, criando uma personalidade levemente mais complexa para Loeb, que não mais se resume ao corrputo chefe da polícia.

A presença do Pinguim, que no anterior apenas fizera curtas pontas, também foi sentida e já dá inicio a uma possível interessante subtrama envolvendo-o junto com Gordon e, é claro, Maroni. Estamos nos aproximando do season finale, eu não duvidaria que isso, mais o atentado contra Bruce seja deixado para o capítulo final – apenas suposições, é claro.

Dois sólidos capítulos tornam ainda mais nítida a melhoria de qualidade em Gotham, que partiu de uma série policial sem sal para algo além. Sua identidade, ainda que não esteja totalmente formada, começa a dar as caras e o showrunner Bruno Heller parece ter encontrado a linguagem correta para desenvolver esse prelúdio do Morcego, resta saber se a qualidade se manterá nos episódios finais da temporada.

Gotham 1X17/18: Red Hood e Everyone Has a Cobblepot (EUA, 2015)
Showrunner:
Bruno Heller
Direção: 
Nathan Hope (Red Hood), Bill Eagles (Everyone Has a Cobblepot)
Roteiro: 
Danny Cannon (Red Hood), Megan Mostyn-Brown (Everyone Has a Cobblepot)
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Zabryna Guevara, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Camren Bicondova, Cory Michael Smith, Jada Pinkett Smith, Drew Powell, Morena Baccarin
Duração:
45 min. cada episódio

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.