Crítica | Gotham 1X22: All Happy Families Are Alike

estrelas 3

finale de Gotham certamente trouxe mais avanços em termos de narrativa que a grande maioria da temporada, colocando praticamente todos os aspectos da série em movimento e alterando essencialmente o status quo que se mantinha faz alguns episódios. Embora subtramas como de Fish nos trouxessem mudanças constantes a situação da cidade que garante o nome ao seriado não se alterava, permanecendo na eterna briga por controle entre Maroni, Falcone e, mais recentemente, o Pinguim. A aceleração de praticamente todos os lados da trama é, naturalmente, bem vinda, mas isso não quer dizer que traga alguns pontos negativos, especialmente se tratando de coesão e construção de personagem.

Comecemos por Cat, ou Selina Kyle, que no arco do Ogro assassinara o antigo companheiro de Alfred. Por mais que o ato em si não tenha me incomodado – inesperado, sim, mas não chegamos a conhecer as convicções da personagem a fundo – sua completa mudança e aliança com Fish soou inteiramente artificial, muito embora tenha sido fruto de um possível trauma não só em relação às suas ações como do tratamento da cidade em relação a ela (lembremos do episódio Selina Kyle, na primeira metade da temporada, quando ela é enviada para um pequeno circo de horrores com outras crianças). A garota tem aqui, em All Happy Families Are Alike, uma completa mudança de disposição, mesmo quando se trata de Gordon, que já a ajudara no passado.

Algo similar ocorre com Edward Nygma, mas em menor escala. Sabíamos que ele não é exatamente normal desde os primeiros episódios, mas a revelação de seu transtorno bipolar ou até mesmo dupla personalidade é uma novidade. A cena em si é magistralmente construída, causando angústia e captando nossa atenção imediatamente, mas soa desconexa, perdida nos eventos maiores do capítulo, que, portanto, acabam perdendo tempo em tela e, por sua vez, saem prejudicados graças a essa montagem paralela.

O maior exemplo disso é o foco desnecessário em Barbara e Leslie, que deveria ter sido deixado para o próximo season première, ao invés de desperdiçar o tempo do episódio. A mudança de Barbara, como a de Cat, é repentina demais e seria aprimorada com uma maior construção ao longo de dois episódios e não simplesmente jogada aqui para aumentar a expectativa do cliffhanger. Já temos eventos o suficiente em movimento e a constante mudança para as cenas entre as duas somente provoca uma quebra de imersão e tensão, afinal, todos estamos ansiosos para ver o resultado da guerra entre os dois líderes da máfia – ou três, ou quatro!

Esse lado de All Happy Families Are Alike, por sua vez, em geral, não deixa a desejar – surpreendentes acontecimentos, em especial a morte de Maroni, mudam completamente o palco de Gotham, abrindo espaço para interessantes desenvolvimentos na próxima temporada, em especial um foco maior no Pinguim, que agora se autodeclara o Rei de Gotham. Obviamente esse não foi o fim de Mooney, afinal, que vilão morre ao cair na água sem deixar um corpo aparente cheio de sangue? Sua posição, todavia, foi evidentemente enfraquecida e talvez vejamos no ano posterior um Cobblepot mais próximo do que temos nos quadrinhos – mais chefão e menos fragilizado.

Curiosamente Harvey e Gordon parecem perdidos dentro desses eventos e desempenham um papel pequeno dentro do grande cenário. Claro, temos o tiroteio no hospital e o resgate de Falcone, mas a resolução em si fica na mãos dos “bandidos”. Mesmo o líder mafioso se tira da jogada ao anunciar sua aposentadoria – e, convenhamos, já está na hora, que líder de gangue vai comprar galinhas em meio a uma guerra? Fish estava certa em relação a ele não ser mais o homem que fora um dia.

Aqui devo tecer fortes críticas às cenas de ação do episódio. Mal dirigidas, parece que vemos um bando de homens brincando com armas de fogo, em tiroteios simplesmente inverossímeis que contam com muitos pulos e pouco realismo, que acaba tirando a tensão do espectador – em momento algum sentimos alguma sensação de perigo, essas se resumem aos diálogos, como de Mooney e Maroni, exagerado, mas que causa certo impacto.

Se estabelecendo no mesmo nível do restante da temporada, All Happy Families Are Alike oferece o pior e o melhor que Gotham dispõe, se concretizando como um finale mediano, mas que abre boas expectativas para o futuro da série. Esperamos que o novo Rei da cidade nos tire da enfadonha estrutura presente na grande maioria dos capítulos e nos traga uma narrativa mais coesa, e, esperamos que, bem dirigida. Resta saber se o seriado irá regredir e acabar com o cliffhanger jogando agua em cima da fogueira ou se irá suprir nossas esperanças de uma melhoria para esse prequel do Batman. Agora é a hora de entrar na batcaverna e esperar o ano seguinte.

Gotham 1X22: All Happy Families Are Alike (EUA, 2015)
Showrunner:
Bruno Heller
Direção: 
Danny Cannon
Roteiro: 
Bruno Heller
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Zabryna Guevara, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Camren Bicondova, Cory Michael Smith, Jada Pinkett Smith, Drew Powell, Morena Baccarin
Duração:
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.