Crítica | Gotham 2X15: Mad Grey Dawn

estrelas 4,5

Após um forte episódio na semana anterior, Gotham nos entrega mais um capítulo de tirar o fôlego. Tendo, aparentemente, abandonado o modelo procederão que seguia em seus primórdios, a série investe em um dos mais icônicos vilões dos quadrinhos do Morcego, o Charada. Edward Nygma, que sofrera um mental breakdown, dividindo sua personalidade em duas, entra, de vez, para a vida do crime e começa a deixar sua marca registrada, os pontos de interrogação verdes, em suas cenas do crime repletas de enigmas.

Roteirizado por Megan Mostyn-Brown, o que mais chama a atenção no texto do episódio é a sua agilidade, velocidade esta que não se permite ser apressada, atua de forma orgânica, dividindo Mad Grey Dawn em quatro focos distintos, dois desses que se unem ao término do capítulo. O primeiro, que inicia a narrativa, envolve as maquinações de Nygma, que provoca um falso atentado no Museu de Arte de Gotham apenas para roubar uma pintura e pichar outras. A investigação procede com Harvey e Gordon à frente do caso, naturalmente, e explora a crescente paranoia de Edward, que acredita piamente que Jim está em seu encalço. Cory Michael Smith garante um dos pontos altos da série através de sua interpretação, que transmite todo o declínio do personagem em direção à loucura.

Paralelamente, a investigação acerca do assassinato do ex-prefeito Theo Galavan é reaberta, em virtude de uma testemunha ocular que decidira se apresentar. Uma tensão dupla é, portanto, cuidadosamente criada no espectador e se intensifica quando percebemos que essas duas linhas narrativas se entrelaçam. O plano por trás delas funciona por sua relativa simplicidade, é fácil de acreditar dentro do universo da série e leva a um único possível resultado que é cuidadosamente construído. Mostyn-Brown sabe o que faz, não peça pelo exagero, nos trazendo uma nítida coesão que era ausente nos princípios do seriado.

Mesmo o foco em Cobblepot não soa desconexo, graças ao encontro com Nygma, precisamente inserido na trama a fim de mascarar a fragmentação. E esta linha ainda nos traz uma interessante revelação que pode trazer o Pinguim de volta à jogada. O mesmo cuidado, contudo, não é mostrado com o arco de Bruce Wayne, que soa perdido no episódio, ainda que nos mostre de relance o que ele se tornará futuramente. Em defesa da série, dificilmente seria possível unir essas histórias no momento – felizmente, ao fim da projeção, um detalhe importante nos mostra que estamos dentro de um microcosmo onde tudo está conectado, refiro-me à notícia que Wayne e Kyle assistem na televisão.

Dito isso, por mais que Gotham esteja longe de ser uma de minhas series preferidas, é impossível reconhecer sua crescente qualidade. Não temos uma pura enrolação, um amontoado de fillers e sim roteiros cuidadosos que não perdem tempo para levar a história adiante, nos surpreendendo a cada episódio. Em Mad Grey Dawn os paradigmas novamente são alterados e ficamos sem saber o que esperar na próxima semana, deixados com um cliffhanger potente que nos faz ansiar pelo que está por vir.

Gotham 2X15: Mad Grey Dawn (EUA, 2016)
Showrunner
: Bruno Heller
Direção: Nick Copus
Roteiro: Megan Mostyn-Brown
Elenco: Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Morena Baccarin, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Camren Bicondova, Cory Michael Smith
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.