Crítica | Gotham 2X17: Into the Woods

estrelas 4

Aviso: contém spoilers do episódio.

Chega a ser verdadeiramente espantoso, como uma série no padrão de vinte e dois episódios, consegue manter uma agilidade da forma como Gotham faz. A cada capítulo contamos com um avanço considerável não apenas na trama principal do seriado, como nas subtramas de cada personagem em específico. Into the Woods não é uma exceção, novamente ele altera o status quo de cada peça no tabuleiro, muito embora não construa nenhuma (aparente) linha narrativa central, como fora feito na primeira metade da temporada com Theo Galavan – naturalmente temos o excêntrico Hugo Strange, mas ainda não sabemos se sua atuação será maior agora ou apenas nos vindouros anos. De qualquer forma, o décimo sétimo episódio dessa segunda temporada se provou como mais um acerto, embora ainda conte com alguns deslizes no meio do caminho.

Após fugir da prisão, Gordon, com a ajuda de Bullock, em um ótimo início de capítulo, que faz uso de todo o carisma de Donal Logue, procura descobrir quem estava por trás de sua prisão e do assassinato do policial. A investigação segue de maneira bastante orgânica, culminando na revelação de Edward Nygma – aqui o roteiro poderia ter enrolado, feito o futuro charada destruir a prova contra ele, mas Bruno Heller e Megan Mostyn-Brown sabem controlar o ritmo da temporada como um todo e agilizam o processo sem soar forçado demais, Jim apenas junta A + B e acaba chegando no resultado que estava diante de sua face, sem pressa, apenas na velocidade certa.

Ao mesmo tempo Oswald tem de lidar com a morte de seu pai e acaba se tornando um servo de sua nova “família”. O deslize mencionado acima ocorre aqui, temos um retorno ao excesso de drama da primeira temporada, com uma cena nada menos que ridículo dos dois jovens jogando comida em Cobblepot, uma situação um tanto inverossímil, ainda que Gotham tenha altas doses de teatralidade. Evidentemente era preciso que o Pinguim contasse com um estopim para retornar ao seu antigo eu, mas tudo poderia ser realizado sem muitos exageros, a descoberta da garrafa de veneno já daria conta do recado em termos narrativos, visto que o personagem já contava com seus flashes psicóticos quando dormia. A cena final envolvendo o personagem, contudo, chega a ser verdadeiramente assustadora, parecendo ter sido tirada direto de Hannibal e representando a volta completa do vilão, ainda que o detalhe de seu cabelo não precisasse ter sido explicitada via diálogo.

Do lado de Wayne a série também deu uma considerável guinada, trazendo o milionário órfão de volta para os segredos de seu falecido pai. O amadurecimento do personagem ainda não foi retratado de uma maneira efetiva, parece que ainda assistimos o mesmo da primeira temporada, com alguns insights a mais. Naturalmente estamos falando de uma criança, não podemos esperar uma lucidez e uma maturidade absoluta, mas a progressão de sua persona poderia ser mais cuidadosa, especialmente considerando se tratar da peça central do tabuleiro desse universo. Não podemos deixar, todavia, de nos pegar ansiosos pelo que está por vir, tanto do seu lado quanto o de Jim Gordon.

Into the Woods, mesmo com seus defeitos, continua sendo um ótimo episódio de uma série que certamente encontrou seu eixo central e uma linguagem que perfeitamente combina com ela. Com poderosos cliffhangers somos deixados na expectativa do próximo episódio e, é claro, do season finale que se aproxima, ainda que tenhamos cinco capítulos pela frente e, pelo andar da carruagem, muito pode ainda acontecer. Gotham está sendo muito bem conduzido por Bruno Heller, resta saber se não irá descarrilhar nesse trecho final – esperemos que não.

Gotham 2X17: Into the Woods (EUA, 2016)
Showrunner
: Bruno Heller
Direção: Oz Scott
Roteiro: Rebecca Perry Cutter
Elenco: Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Morena Baccarin, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Camren Bicondova, Cory Michael Smith
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.