Crítica | Gotham 2X18: Pinewood

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estrelas 2,5

Obs: Contém spoilers da série e do episódio. Leiam as críticas dos demais episódios, aqui.

A segunda temporada de Gotham certamente representou uma melhoria considerável para a série que teve um início um tanto conturbado. Sabendo quase que exatamente em quais personagens investir e quais deixar para o segundo plano, além de assumir um ritmo acelerado, porém fluido e orgânico, tivemos mais que alguns ótimos episódios. Pinewood, contudo, é um dos poucos deslizes que vimos na segunda metade deste ano, o que não significa que ele tenha sido inteiramente ruim, apenas muito aquém do que poderíamos esperar após os bons capítulos que o antecederam. O que sentimos é que o seriado voltou, ainda que momentaneamente, às suas origens.

Evidentemente a culpa disso está na forma como a narrativa procede, exigindo muito da suspensão de descrença do espectador, além de algumas escolhas de arte que extrapolam o ridículo. Iniciamos o episódio exatamente de onde fomos deixados na semana anterior. Barbara visita Gordon em sua casa, para a grande surpresa do detetive. Aparentemente curada (tanto para nossa surpresa quanto para a de Jim), ela tenta reparar ao menos a amizade com seu ex e logo descobre que ele voltou a investigar o caso dos Wayne, principal linha narrativa do capítulo, que une Gordon a Bruce novamente. O que vemos em seguida é uma sucessão de coincidências que simplesmente não soam nada possíveis. Barbara, convenientemente encontrar Jim exatamente no momento que ele decide ir até a Artemis é uma dessas ocorrências, ou Wayne chegar ao mesmo ponto no mesmo momento que o detetive. Tudo soa como se o roteiro forçasse tais encontros, sem exatamente explicar o porquê.

O auge dos desconfortos no espectador ocorre quando a trama reapresenta Victor Fries, agora tendo sido manipulado geneticamente por Hugo Strange. O texto faz um bom trabalho trazendo o cientista para o centro da narrativa de forma bastante orgânica, o problema está na caracterização nesse lado da história, a começar pelas vestimentas de frio de Strange e sua assistente quando eles entram na câmara do Sr. Freeze, que simplesmente traz umas boas risadas. Fora isso, a forma como o vilão gélido é retratado, algo que ainda não é fácil de engolir desde a primeira vez que ele apareceu no midseason première. O desfecho, contudo, trouxe uma adição bem vinda à série, com o retorno do carismático ex-prefeito, encaminhando já a temporada para seu final em poucas semanas.

Pinewood, portanto, acaba sendo muito inferior ao que estávamos acostumados dentro dessa temporada. Centrar nos experimentos das Indústrias Wayne foi uma boa maneira de unir as pontas soltas da série e a ausência do Pinguim certamente foi notada, podemos esperar algo grande nas próximas semanas. Apesar disso, a suspensão de descrença é obrigatória no capítulo e simplesmente não conseguimos deixar de lado alguns pontos e somos deixados desconfortáveis na maior parte de sua duração. Esperemos que o próximo episódio retome a qualidade da temporada.

Gotham 2X18: Pinewood (EUA, 18 de abril de 2016)
Showrunner
: Bruno Heller
Direção: John Stephens
Roteiro: Robert Hull, Megan Mostyn-Brown
Elenco: Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Morena Baccarin, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Camren Bicondova, Cory Michael Smith
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.