Crítica | Gotham 2X20: Unleashed

estrelas 4

Obs: Contém spoilers da série e do episódio. Leiam as críticas dos demais episódios, aqui.

Devo dizer que Unleashed, vigésimo episódio da segunda temporada de Gotham me surpreendeu. Acreditava que, após a apresentação de Azrael na trama, ele seria utilizado como principal antagonista deste ano, criando uma óbvia circularidade narrativa, ao passo que Theo Galavan fora  o destaque da primeira metade da temporada. Ao mesmo tempo, a figura de Strange ganharia ainda mais relevância para os outros personagens, culminando em seu lugar no palco central no ano que vem. Enganei-me, porém. Azrael foi logo descartado em mais uma prova da agilidade da série e foi no momento certo: cumpriu sua função e logo deu espaço para outros personagens.

Isso já era evidente nos minutos finais do capítulo, quando a GCPD entra no Asilo Arkham em busca de evidências que pudessem incriminar Strange. Como leitor dos quadrinhos originais, não posso deixar de sentir como se a figura de Azrael fosse aqui desperdiçada, poderiam ter utilizado outro indivíduo para cumprir o papel de abrir ainda mais os olhos e criar um sentimento de urgência em Gordon, Bullock e o restante da polícia. O caos gerado em Gotham em virtude da volta de seu ex-prefeito poderia ter sido melhor explorada com ele ainda vivo, mas não há como negar que os eventos foram coesos e coerentes ao ponto de aceitarmos sua saída repentina.

Repentina e explosiva, é claro – tanto literalmente quanto figurativamente. A volta do Pinguim representa um sopro de vida nova para a série, especialmente considerando suas experiências traumáticas tanto nas mãos de Hugo, quanto nas de sua recém descoberta família. Não sabemos o que esperar do antagonista, neste ponto quase um anti-herói, visto que sua loucura não chega aos pés das insanidades que vimos nesta temporada. Em Unleashed me peguei pensando em como a série era diferente quando as maiores ameaças eram os gangsters Falcone e Maroni e esse escalonamento da loucura faz uma bela e sutil referência ao material original se compararmos os anos iniciais de Batman (tomemos Ano Um ou Terra Um como referência) aos posteriores, com os super-vilões já em cena, indo desde o Coringa até Killer Croc, que, inclusive, faz uma pequena ponta no episódio em questão.

Com tais eventos ocorridos, o seriado rapidamente se encaminha para o finale, introduz, sim, em seu cliffhanger, mais uma vilã, mas já sabemos que (provavelmente) Strange estará presente no clímax da temporada, possivelmente tendo suas ações encerradas, ainda que temporariamente. A prova disso, é a forma como os personagens todos afunilam para um mesmo ponto, todos unidos pela figura do Filósofo, que ainda traz um importante vínculo com o assassinato dos Wayne, incógnita deixada no início da série e único motivo pelo qual Jim ainda não voltou a ser policial. Já tratando do personagem, é muito provável que vejamos ele ou Harvey como capitão da GCPD até o fim do ano, caminhando mais uma vez para o status quo no qual o Morcego encontra sua cidade.

Estamos próximos ao desfecho da temporada e a sensação de que o fim se aproxima é praticamente palpável. Todo passa a girar em torno de Strange e a sensação de urgência criada pelo roteiro está presente tanto nos personagens quanto no espectador. Resta esperar que o finale não seja anticlimático e siga o exemplo daquele do ano passado. A agilidade de Gotham mais uma vez demonstra ser um dos pontos fortes do seriado e Unleashed representa outro acerto nesta temporada que definitivamente não deixou a desejar.

Gotham 2X20: Unleashed (EUA, 09 de Maio de 2016)
Showrunner: Bruno Heller
Direção: Paul Edwards
Roteiro: Danny Cannon
Elenco: Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Morena Baccarin, Sean Pertwee, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Camren Bicondova, Cory Michael Smith
Duração: 42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.