Crítica | Gotham – 3X03: Look Into My Eyes

estrelas 2,5

Obs.: Contém spoilers do episódio.

A galeria de vilões de Gotham, a maioria tirados das páginas dos quadrinhos do Batman, é claro, não para de aumentar. Dessa vez é a hora do Chapeleiro Louco entrar na jogada em uma inserção que acaba soando mais como um filler dentro da temporada, uma retomada ao antigo “malvado da semana” que a série seguia em sua primeira temporada. Mais preocupante, porém, é a concretização de nossos temores surgidos nos episódios anteriores, o que pode significar uma maior lentidão para a série, que pode adotar alguns focos desnecessários e enfadonhos.

Não que Look Into My Eyes não tenha sido um capítulo com um bom ritmo, de fato há uma agilidade bem estabelecida no seriado e ela não perde sua velocidade aqui, apenas dá alguns tropeços. Afinal, não poderíamos deixar de enxergar a rapidez com que o Pinguim ascende ao trono de Gotham. Sua candidatura, já esperada, ao cargo de prefeito da cidade nos leva para uma interessante subtrama e é possível que, enfim, vejamos o personagem em uma posição ainda inédita de poder para ele (por mais que Theo Galavan tenha realizado o mesmo no ano passado). É claro que muito é pedido de nossa suspensão de descrença, afinal, em que lugar alguém simplesmente poderia falar que quer ser prefeito e, de fato, conseguir alguma coisa? Há um abandono total do realismo aqui, mas isso já é bastante comum na série, que prefere ir por caminhos mais dramáticos.

O abandono da realidade, porém, não se limita a esse trecho. O próprio Chapeleiro soa bastante irreal através de sua hipnose instantânea, que não se apoia em nenhum fator sobrenatural além da habilidade do próprio. Balançar um relógio e pedir para alguém olhar em seus olhos (o que dá título ao capítulo), em caso algum faria essa pessoa cair em um transe hipnótico, fazendo com que o vilão soe mais como uma experiência de Indian Hill do que qualquer outra coisa. Dito isso, o foco nesse antagonista evidentemente preenche o vazio deixado por Mooney, visto que agora acompanharemos mais uma pessoa causando caos pelas ruas da cidade.

Cidade esta, aliás, que com nada se parece com uma metrópole, ao passo que qualquer um consegue encontrar outra pessoa simplesmente andando por aí, como é o caso com Gordon e Selina ou Bruce Wayne 2 e, também, Selina. O segundo ainda tem o agravante de sequer conhecer a menina direito, nos criando a dúvida de como ele pode ter, possivelmente, a encontrado de noite sem mais nem menos. Jim, ao menos, é um detetive e podemos entender se inferirmos que ele saiu pelas ruas perguntando da garota.

Mas nem tudo é tragédia nesse episódio de Gotham, a ênfase dada à cópia de Wayne pode gerar alguns interessantes desdobramentos para essa primeira metade da temporada e, de fato, ele já começou a tomar o lugar do milionário órfão em alguns pontos. Resta saber se não cairemos na velha cena do “eu sou o verdadeiro”, com Alfred apontando a arma para os dois. O roteiro ainda faz o bom trabalho de não se esquecer do que veio antes e, constantemente, somos lembrados de Hugo Strange ou Ivy, que, como vimos anteriormente, passou por uma considerável metamorfose.

A preocupação maior gerada em nós, de fato, é em relação às ex de Gordon, visto que tudo parece caminhar para um confronto entre as duas. Além disso, o fato de Mario, noivo de Lee, ser filho de Falcone soa um tanto quanto conveniente, trazendo um personagem de volta à série que não precisava reaparecer – ele já cumpriu seu papel na primeira temporada e o que vier agora pode apenas estragar sua construção.

Look Into My Eyes representa um grande deslize nesse terceiro ano de Gotham. O capítulo consegue alavancar a história para a frente, mas o faz de maneiras muito mal executados, ao ponto que podemos tirar poucos trechos que são efetivamente intocáveis dentro do episódio. Além disso, ele pode trazer uma maior fragmentação narrativa o que ocasiona, geralmente, em uma desnecessária lentidão. Resta torcer para que a qualidade vista antes retome nos próximos episódios.

Gotham 3X03: Look Into My Eyes – EUA, 2016
Showrunner: Bruno Heller
Direção: Rob Bailey
Roteiro: Danny Cannon
Elenco: Ben McKenzie, Donal Logue, David Mazouz, Robin Lord Taylor, Sean Pertwee, Erin Richards, Camren Bicondova, Cory Michael Smith, Jessica Lucas, Jada Pinkett Smith, Richard Kind, Michael Chiklis, Drew Powell, Chris Chalk, Morena Baccarin
Duração: 43 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.