Crítica | Gotham 3X07: Red Queen

estrelas 4

O ritmo frenético, junto do forte cliffhanger deixado no episódio anterior de Gotham certamente nos deixou ansiosos para o que veríamos aqui em Red Queen. Tudo apontava para uma resolução do arco envolvendo Jervis Tetch, visto o estrago que o personagem já causara até aqui. O que exatamente esperar do capítulo, porém, não era claro, felizmente, o roteiro de Megan Mostyn-Brown, que já atua como roteirista-chefe do seriado faz um tempo, não decepciona e alavanca consideravelmente a narrativa da série, nos oferecendo o que há muito já esperávamos.

O capítulo tem início imediatamente após o término de Follow the White Rabbit, vemos Jim no hospital ao lado de Vale, que prontamente acorda. O romance acaba, ela sabia da intenção óbvia do ex-policial, que pedira para o Chapeleiro atirar em Lee. Um início que já denota o caminho que seguiremos nos outros minutos de projeção, visto que sua saída da GCPD novamente é colocada sobre questionamento. Após esse breve prólogo, descobrimos que Jervis pretende utilizar o sangue de sua irmã a fim de causar caos em Gotham – sua cartada final e, possivelmente, o fim do personagem, ao menos por um tempo.

Brown faz um ótimo trabalho em seu texto, dosando o tempo em tela de cada um dos personagens na medida certa. Não vemos um sendo priorizado em detrimento do outro e cada mudança de foco apenas aumenta a expectativa do espectador, com a tensão se estabelecendo em diferentes frontes. A única dessas linhas narrativas que verdadeiramente soa desconexa é a envolvendo Bruce Wayne e seu encontro com Selina, mas temos aqui uma bem-vinda descontração da atmosfera mais fúnebre que tomara conta do episódio. Além disso, o roteiro cria um vínculo com o encontro de Nygma, com um clima de romance mantendo a coesão narrativa, como já fora realizado nos episódios anteriores.

E já que estamos nesse assunto, não posso deixar de comentar sobre a artificialidade do “amor” construído no par romântico de Edward, Isabella. De uma hora para a outra ela simplesmente se apaixona totalmente pelo sujeito, ignorando o fato dele ter assassinado sua namorada anterior – conhecendo a série é de se esperar que exista algo por trás desse relacionamento forçado, mas, por enquanto, não podemos deixar de estranhar esse pulo que o texto parece dar, sem, de fato, construir algo que soe natural. Nygma, por sua vez, conseguimos aceitar, em virtude de sua excentricidade e o fato da mulher ser idêntica à sua antiga paixão.

Enquanto esse deslize procura quebrar a nossa imersão, toda a alucinação de Jim, todavia, consegue nos puxar para dentro da projeção, com delírios perturbadores que, a cada minuto, o levam mais para perto de seus medos, que devem ser enfrentados. Criando uma atmosfera onírica, que muito combina com o visual mais acinzentado da série, vemos inúmeras cenas que parecem ter sido tiradas de uma graphic novel de Batman, especialmente o quadro que mostra o carro do pai de Gordon se aproximando da tela, uma evidente homenagem ao batmóvel, pela maneira como é enquadrado. Vemos, no fim, James, finalmente, voltar à polícia e, mais que isso, uma união com a trama envolvendo a Corte das Corujas (ao menos é o que chamaremos ela por enquanto), que certamente irá desempenhar um papel de maior destaque em breve.

Do lado de Tetch, a construção da tensão não foge do comum, está dentro dos parâmetros que nos acostumáramos no seriado, há, porém, uma gigantesca diferença: Jim não está presente na investigação, algo quase inédito, especialmente para vilões desse porte. Vemos o final de Jervis, enfim, ao mesmo tempo que somos mostrados que Gordon, atuando fora da GCPD, realmente só atrapalhava.

Gotham, apesar de alguns deslizes, consegue nos trazer mais um ótimo capítulo, que mantém a narrativa da série como um todo sempre em constante caminhada para a frente. Não temos enrolação aqui, algo raro para um seriado de vinte e dois episódios, provando mais uma vez como, sob os cuidados de Megan Mostyn-Brown, esse spin-off de Batman somente tem a ganhar. Um grande arco se encerrra aqui e, novamente, somos deixados sem saber o que veremos nas próximas semanas. A ansiedade permanece.

Gotham 3X07: Red Queen – EUA, 2016
Showrunner:
Bruno Heller
Direção:
Scott White
Roteiro:
Megan Mostyn-Brown
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Cory Michael Smith, Jessica Lucas, Richard Kind, Michael Chiklis, Drew Powell, Chris Chalk, Morena Baccarin, Jamie Chung
Duração:
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.